quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Bitter Frost



Tradução de Papyrus
Formatação de LeYtor

p r ó l o g o
O sonho tinha vindo novamente, como o sol depois da tempestade. Era o mesmo
sonho que tinha vindo várias vezes antes, golpeando as portas da minha mente noite
após noite desde que eu era uma criança. Era um tipo de sonho que todas as garotas
sonhavam. Eu imaginava — um sonho de um mundo misterioso e entradas ocultas, de
folhas que respiravam e faziam músicas quando elas sussurravam no vento, e rios que
borbulhavam e espumavam com segredos. Sonhos, minha mãe sempre dizia,
representam parte da nossa inconsciência — o lugar onde nós armazenamos as
verdadeiras partes da nossa alma, longe do resto do mundo. Minha mãe era uma
artista; ela sempre pensava desse jeito. Se isto era verdade, então minha real alma era
uma cidadã desse mundo estranho e fantástico. Eu frequentemente sentia, em horas
acordadas, que eu estava em exílio, de alguma maneira — de algum modo menos do
que eu mesma, menos real\ do que eu tinha sido no meu sono encantado. O mundo
real era apenas um sonho, apenas um eco, e em momentos de silêncio durante todo o
dia, ele sempre me batia: Eu não estou em casa aqui
Eu deveria afastar o pensamento, é claro, dispersá-lo como sendo estúpido, tentar
e aplicar a psicanálise da minha mãe com a situação. Mas então, antes de dormir, o
pensamento vinha para mim, gotejando através do meio das preocupações (garotos,
escola, queira ou não eu lembrava de carregar meu iPod antes de ir para a cama,
queira ou não minha bandeira poderia ser derrubada mais de uma vez da minha mesa
da sala de aula) — Eu teria o sonho hoje à noite? E então, outro pensamento viria para
mim junto disto. Eu iria ir para casa novamente?
E na noite anterior ao dia do meu aniversário de 16 anos, o sonho veio novamente
— forte e mais vivo do que jamais tinha vindo, como se um tu to transparente na cortina
entre a realidade e o mundo dos sonhos tivesse finalmente aberto, e eu estivesse
olhando para a minha fantasia com olhos novos.
Eu era uma princesa fairy. (Quando acordada, eu deveria me censurar por esta
fantasia — garotas com 16 anos deveriam querer começar uma carreira frutífera em
gestão ambiental, não rodopiar em volta de vestidos de seda). Mas eu era uma
princesa fairy, e era uma criança. Eu me imaginei em um palácio — com pináculos
chegando perto do sol, de modo que os raios pareciam derramar ouro nas torres. O
chão era de mármore; videiras repletas de flores estavam envolvidas ao redor de todas
as colunas. Os corredores eram cobertos de espelho — após vidro moldado de ouro —
e nessas centenas de imagens caleidoscópicas eu podia ver meu reflexo retratado em
centenas de vezes.
Eu era uma criança que recém estava começando a andar — talvez eu tivesse
quatro anos, talvez cinco, enfeitada de jóias trabalhadas, envolta em seda lavanda,
metros e metros de tecido — da cor dos meus olhos. Eu odiava a cor dos meus olhos
na vida real — a cor pálida parecia me deixar estranha e de outro mundo — mas aqui,
eles eram lindos. Aqui, eu era bonita. Aqui, eu estava em casa.
A música aumentou, e eu poderia ouvir a melodia. Não era como música humana —
não, nem mesmo o concerto mais bonito, a sonata mais elaborada. Esta era a música
que os humanos tentavam imitar e não conseguiam — a linguagem das estrelas como
elas brilhavam, o ritmo do coração humano como ele batia, a cintilante harmonia de
todos os planetas, todas as luas e todas as secretas melodias da natureza. Era a
música que sempre me assombrava, quando eu acordava.
Ao meu lado tinha um menino — um pouco mais velho do que eu. Eu sabia seu
nome; de algum modo meu coração tinha falado para o meu cérebro.
Kian. Todo o palácio ao meu redor era dourado — com tons de pêssego, vida
pulsante — mas Kian era pálido, pálido como neve. Seus olhos eram azul gelo, com
apenas um toque prateado ao redor da íris; Seu cabelo era tão escuro que a própria
cor iria se afogar nele. Ele parecia fora do lugar no palácio vernal — fora da estação
com as cestas de frutas maduras que estavam penduradas no teto, com o forte cheiro
doce de mel das flores. Mas ele era lindo, e todo mais bonito para a sua estranheza.
Nós estávamos dançando com a música, nossos corpos ecoando o som que
ouvíamos — ou talvez o som estivesse nos ecoando. Nós estávamos aprendendo a
Dança Equinócio. Era a dança que nós deveríamos dançar no dia do nosso casamento.
Era um costume neste reino das fadas que as crianças nobres aprendessem esta
dança — a mais complicada e misteriosa de todas as danças — para o dia de seus
casamentos. E então nós todos praticávamos, dia após dia (noite após noite de sonho
fértil), para o dia que nós tivéssemos a idade, para dançar a real dança, nossos pés
moviam em um suave uníssono, ecoando a mistura de nossas almas.
Meu pai era o rei fairy do reino Summer — um lugar onde tudo parecia ter gosto de
mel e sentir como uma manhã de verão em sua testa. A mãe de Kian era a Rainha
Winter do reino Winter, um lugar além das montanhas onde as brisas geladas viravam
frio ártico, onde um castelo feito de ametista estava sobre um pico rochoso, e o verde
ponteava o horizonte. E era justo que os nossos dois reinos deviam cumprir, deviam
unir-se, nós éramos os escolhidos.
— Você será minha Rainha — o menino sussurrou para mim. Sua voz era segura,
forte.A dança ainda era difícil para nós. Eu ainda enrolada na minha oscilação de cetim
lavanda, tropeçando sobre os sapatos prateados dele. Ele, por sua vez, era
desajeitado com suas mãos, tentando me rodar pela cintura, me acotovelava dos lados
— mas de alguma forma não doía.
— Idiota — gritou uma outra menina que nos assistia. Ela, como Kian, eram
belíssimos — Seu cabelo era tão longo e lustroso como uma noite sem estrela; Seus
olhos eram prateados, como a pelagem de um lobo. Ela era chamada Shasta, eu
sabia. — Idiota — não é assim como você dança. — Ela riu, e seus olhos brilharam
com sua risada.
E então tudo mudou e se tornou um caos — meu lar foi repentinamente rasgado e
substituído por uma cena nova. Alguma coisa — alguma coisa — estava atacando,
alguma coisa com dentes e chifres e garras que rasgavam alguma coisa que fazia um
berro alto que até podia escutar quando eu pressionava minhas mãos apertadamente
nas minhas orelhas. O Minotauro.
O grito vinha de todas as direções — todos estavam correndo — Eu, Shasta e
Kian — e os adultos, todos eles — longe do minotauro, um no outro. Todos tinham
ficados malucos. E então alguém — alguém — estava lutando com ele, uma cavalgada
de cavaleiros fairy, cada um brilhando em suas armaduras douradas — e alguns
cavaleiros do reino Winter também, em suas armaduras prateadas.
O Rei Summer e a Rainha estavam lá, e a Rainha Winter também estava lá. Ela
parecia como Shasta, mas mais velha — e seu rosto era diferente. Tinha alguma coisa
dura e brilhante em seus olhos que eu não podia ver no de Shasta, como pequenos
pontos brilhantes na pedra. Eu estava com medo.
— Isto é culpa sua! — uma voz rompeu — eu não podia dizer de quem pertencia.
— Não, é sua! — Outra voz, igualmente zangada, igualmente fria.
— Se ele não tivesse sido de seu reino…
— Não me dê essas desculpas — O minotauro é da sua corte!
As vozes aumentavam e ficavam mais fortes, mais raivosas, mais e mais radias em
suas retortas até eu sentir como se eu estivesse cercada em uma cacofonia de raiva,
berrando repetidas vezes até que finalmente tudo o que eu ouvi foi:
— Isto tudo é por causa daquela garota!
E por um momento, todos ficaram em silêncio, e todos eles estavam olhando para
mim.
Eu não podia entender, mas isto não importava. Antes que eu pudesse pensar,
pudesse entender o que estava acontecendo, o que estava acontecendo comigo, a
cena tinha mudado novamente.
Eu senti os braços dele ao redor de mim. Esta era a primeira coisa; eu senti isto
antes que eu pudesse ver qualquer coisa, ver ele. Eu senti seus braços cercar meus
ombros, senti ele roçar meu pequeno ombro levemente com suas pontas dos dedos. Eu
tremi. Suas mãos pegaram na minha. Eu podia vê-lo. Era Kian, mas ele estava mais
velho, agora, e eu também estava — ambos, um jovem homem e uma jovem mulher —
olhando um para o outro. A idade tinha nos deixados ainda mais bonitos; seu cabelo
estava comprido, agora, e seus olhos mais nítidos, com maior profundidade. Eu podia
ver meu reflexo em seus olhos; meu cabelo estava comprido também: um profundo
marrom caloroso com mechas de ouro em todas as partes. E eu pude ver minha
expressão — cheia de medo, cheia de alegria — enquanto ele se curvava perto de
mim, enquanto seus lábios vinham mais pertos do meu.
Oh, Breena — ele disse para mim. — Minha Breena.
Seus olhos azuis assumiram um olhar cheio de determinação; ele me olhava com
uma grande intensidade que eu senti seus olhos penetrando na verdadeira parte da
minha real alma, uma parte escondida até mesmo para o resto desta estranha e
maravilhosa terra.
Eu irei te matar, Breena. E isto o que eu tenho que fazer. Está decretado. — ele
colocou suas mãos em forma de concha no meu rosto, e eu pude sentir sua respiração
gelada sussurrando sobre a minha bochecha. — Nós somos inimigos mortais.
Sempre, todas as noites, o mesmo sonho — aquele mesmo medo, aquela mesma
alegria. Quando eu acordava a cada manhã, eu sentia uma profunda sensação de
perda, um anseio que se estendia tão profundamente que atravessava os limites da
própria realidade. O relógio deveria despertar, e tudo deveria mudar. Eu era uma
garota de quase 16 anos, com botas de camurça, com camiseta que dizia ‘eu acredito.’
Eu tinha um iPod, um celular, meu laptop (com páginas cheias de códigos HTML para
meu cérebro de criança, teensforgreatergood.com). Eu falei com apressadas gírias
sobre o último filme e programas de televisão, jogava vídeo game com Logan, brincava
com ele quando ele vencia, brincava com ele quando ele perdia. Eu usava pouca ou
nenhuma maquiagem e queixava-me sobre as tarefas de casa durante o G-Format. A
ideia de namorar — de atrapalhar os meninos do ensino médio tentando marcar entre
os barris roubados, sobre os status de relacionamento no Facebook e as mensagens
digitadas rapidamente me causavam repulsa.
Mas por algumas poucas horas a cada noite, eu estava com alguém a mais. Eu era
uma princesa em um castelo, com um vestido leito de lavanda e ao meu lado tinha um
príncipe com árticos olhos azuis, e braços ao meu redor, e os lábios vindo a cada noite
mais perto dos meus...
Eu estava em casa.
c a p í t u l o u m
Não era o melhor dia para um aniversário. O céu estava nublado e carregado — as
nuvens pareciam tão cheias, molhadas e prontas para caírem como uma esponja de
cozinha. Eu acordei com uma dor de cabeça, em um suor febril. (O sonho novamente.
Um príncipe disfarçado. Uma dança melodiosa. O minotauro, todos os olhos, todos os
dentes. Eu tentei tirar as imagens do meu cérebro.
Mãe! — eu chamei.
Não houve resposta.
Isto era estranho. Tinha uma tradição na minha família — todas as manhãs no meu
aniversário, minha mãe me surpreendia com um café da manhã de aniversário na cama:
panquecas de banana com canela e chocolate em pó. Essa era sua tentativa de tentar
me fazer ganhar peso.
Mãe? — talvez ela tivesse dormindo. Eu considerei brevemente em levar o café da
manhã para ela, para brincar com ela. Eu rastejei para dentro do quarto dela. Estava
vazio.M ãe? — Minha chamada ricocheteou ao redor dos quartos da nossa casa, mas
não houve resposta. Eu estava sozinha. Seu casaco e chapéu estavam faltando no
cavalete em baixo da escada. Ela tinha saído então. Ela tinha se esquecido do meu
aniversário?
Eu não tive tempo de pensar nisto. Era tarde o suficiente para a escola como
sempre, e meu aniversário não iria impedir do ônibus escolar chegar em cinco minutos
no quarteirão. Eu peguei a primeira roupa que eu pude achar — uma camisa macia e
sedosa e um par de jeans um pouco desgastado — e sai correndo da casa em direção
a parada de ônibus.
Eu corri, mas só um pouco. Eu estava cansada, sem fôlego; Eu nem mesmo tinha
fôlego para cumprimentar o motorista como normalmente eu fazia. O céu parecia mais
horrível do que antes. Não era meu dia, eu conclui; Eu esperei que não fosse um sinal
do que estava para vir.
Eu pressionei minha cabeça contra o vidro gelado da vidraça, sentindo o ar gelado
soprar suavemente na minha bochecha. O ônibus andou através da nossa pequena
cidade suburbana — um mar de semelhantes casas cintilando, de elegantes jardins
aparados perfeitamente de acordo com as políticas meticulosas da Câmara Municipal
de paisagismo. E então nos entramos na floresta.
A longa e sinuosa pista da cidade que nos levava através das florestas para
Kennedy High era a minha parte preferida da jornada para a escola. O bosque era
profundo e verde, o tipo de floresta sem fim ao qual se pode imaginar todos os tipos de
fantasias. Esses bosques, atualmente sob a exploração da Câmara Municipal, e
marcado para ser construído um Gregory County Buy-B-Mart, era meu santuário na
hora do almoço, o lugar onde eu passava as minhas horas livres perambulando quando
eu não podia mais suportar a escola por mais nenhum segundo, não podia mais ficar
parada no meio das garotas, dos insultos do pessoal popular e das políticas dos
assentos da cafeteria; Eu não podia suportar a ideia dessas árvores — dessas ricas
árvores verdes — serem cortadas, serem substituídas por asfalto e estacionamentos
meticulosamente organizados.
Tree-na — eles me chamavam. Era um apelido estúpido, o tipo de coisa
provavelmente pensada em uma bebedeira no gabinete de bebidas na sala negra de
seus pais em alguma Sexta-feira à noite quando suas famílias não estavam na cidade.
Era de certo modo um bom nome comparado a alguns que eles colocavam em outros
nerds. Mas mesmo assim, é mim.
Hoje, entretanto, a floresta parecia desconhecida para mim. O velho caminho
parecia curvado e pareciam que se curvavam uma forma estranha quando eu passava;
as árvores pareciam como se estivessem sussurrando para mim, os galhos contorcidos
em ângulos que eu não reconhecia. Os ruídos das folhas estavam fortes — mas não
tinha vento. Alguma coisa estava diferente.
E então eu vi um sátiro no canto da estrada.
Ele sumiu um momento depois. Fantástico, eu pensei comigo mesma. Meus sonhos
padrões tinham me deixado alucinada finalmente. Mas a imagem continuava comigo —
aquela pequena figura, com o rosto de um homem e com o torso, pernas e traseira de
uma cabra, com pequenos chifres cutucando logo acima de suas orelhas. Não era
desconhecido para mim. Eu tinha lido os livros de mitologia Grega e Romana que minha
mãe tinha comprado para mim no meu aniversário de dez anos tantas vezes que as
páginas tinham orelhas e algumas tinham caído; Eu sabia exatamente como que um
sátiro se parecia. E Eu também sabia que eles não eram reais.
Apenas uma alucinação, eu pensei, um truque do cérebro. Talvez eu tenha caído
no sono novamente, de volta para o meu sonho encantado.
Foi ai quando eu vi o goblin, em cima do prédio da escola. Ele era azul e estava
debruçado, com pequenas asas de morcego que não parecia que poderia levar o seu
corpo. E então ele voou...
Apenas um pássaro, eu pensei. Apenas um pássaro, como qualquer outro. Eu sou
a que está estranha hoje — eu não tinha dormido direito. (Eu tinha visto os olhos dele,
as garras, seu estranho queixo pontudo...)
Eu fiz o meu melhor para ignorar as misteriosas visões da floresta. Eu tinha o
suficiente no meu prato como sempre.
O meu dia não melhorou. Alguns dias atrás eu tinha pendurado um cartaz ‘Salve a
mata’ no quadro de avisos da minha sala de aula com uma folha de inscrição, na
esperança de eleger alguns dos meus colegas em um esforço para salvar o meu
amado bosque das maquinações do conselho da cidade. Alguém tinha rasgado em
pequenos pedaços e deixado espalhado no chão da sala.
Ninguém tinha se importado em ao menos limpar. Figuras, eu pensei. O pessoal
popular da escola ganharam aprovação táticas por suas ações, pelos professores, que
em retorno queriam impressionar seus pais, geralmente, ricos e influentes.
Era por isso que eu gostava do bosque. Não tinha nada lá além de mim e meus
pensamentos — sem crueldade, sem distrações. Apenas o som da correnteza do
riacho e das folhas sendo esmagadas sob meus pés.
Eu suspirei e comecei a recolher os pedaços do meu cartaz.
Precisa de alguma ajuda? — Logan se aproximou atrás de mim.
Eu sorrio para ele com gratidão.
Sim, claro.
Feliz aniversário, Bree.
Ele sempre tinha sido meu melhor amigo. Ele tinha a minha idade — embora bem
mais alto (um desenvolvimento recente — Eu brincava com ele durante nossa
adolescência, quando eu subia facilmente sobre ele). Seu cabelo era claro, castanho
claro, seus olhos da cor de avelã com postos dourados, e sua atitude acolhedora até
mesmo de proteção. Eu sempre me sinto segura quando Logan esta por perto. Ele
cheirava como floresta — como cascos de madeira e almíscar — pois, como eu, ele
passava todo seu tempo andando em caminhos escondidos. Sua família era do meio
rural — e se eles não morassem no bosque, eles vivem o mais próximo possível — não
em whitewashed, casas estéreis da parte suburbana de Gregory, Oregon.
Sinto muito por eles terem rasgado sua prateleira de inscrição, Bree — ele disse.
Sem problemas. Nós somos os únicos que assinamos. Bem. Não que alguém
nessa escola se importe com nada mais significante do que qual celebridade esta
dormindo com quem. Eles provavelmente estão tão animados que nós ganhamos uma
loja Claire’s Accessories a pouca distância da escola — provavelmente pensar em uma
espécie em extinção para eles é alguma coisa que você tem que comprar das
prateleiras de venda antes que acabem...
Eu gostaria que eles fossem uma espécie em extinção, considerando o quanto eles
significam. Quer eles acreditem nas mesmas coisas ou não, eles não podem rasgar
sua folha — Logan disse, me dando um grande abraço de urso.
Meu dia não melhorou. Eu sofri novamente outra rodada de P.E. — um assunto em
que eu era muito ruim — antes de retornar ao suor do vestiário, pronta para enfrentar a
barreira de garotas más que viram naquele jeito estranho que só garotas conseguiam
entender, que o vestiário era uma forma de mostrar seus lustrosos e tonificados
corpos, roupa intima cara e até mesmo toalhas monogramadas para as pessoas
menos favorecidas.
Clanss e Hannah, as cabeças dessa infeliz conspiração, já tinham selecionado para
elas mesmas os melhores lugares no vestiário.
Sério, Hannah — Clanss estava falando. — Eu não sei como você vai arranjar um
namorado se você nem ao menos foi para o terceiro...
Eu não quero ser uma cadela como a Elizabeth MacNeal — Hannah disse.
Big Mac’s é apenas uma cadela porque ela está gorda — Clanss determinou, como
se essa lógica fosse verdade.
Eu tentei não escutar suas vozes —vozes irritantes e sibilantes.
E então eu vi o goblin novamente. Ele era menor desta vez, empoleirado na borda
do assento de Clanss e Hannah, rosnando para elas como um cão raivoso. Ele mostrou
uma garra afiada e começou a cheirar.
Ele era real desta vez. Eu pisquei — e ele ainda estava lá, abrindo sua boca e
mirando precisamente na mão de Hannah
Pare! — Eu chorei, e tentei chutar o goblin para longe. — Vá embora!
Antes que eu pudesse chutá-lo, o goblin sumiu, e meu pé ao invés, chutou o braço
de Clanss. A garrafa de perfume que ela estava segurando caiu no chão e quebrou, o
pegajoso cheiro doce de perfume caro encheu o vestiário, combinando com o cheio de
shampoo.
O que você está fazendo? — Clariss gritou. — Você esta louca?
E, que diabos, Tree? — Hannah fez ecoar.
Eu senti um par de mãos me empurrarem para os armários. — Era Chanel No. 5,
sua puta estúpida!
Hippie louca — Hannah disse — como de costume, seus ecos apenas alguns
milésimos de segundos tarde demais para ser qualquer coisa a não ser uma imitação
patética.
Eu estava cercada por elas — como um animal enjaulado. Hannah e Clariss foram
unidas pelo resto de sua roda — Ali Walsh, Cassia Barraclough e Jo Murphy, todas que
tinham decidido que eu tinha passado da linha e precisava ser punida.
Porque você não vai desenhar algumas faires —Jo disse, balançando seu cabelo
ruivo. Não é à toa que ela sempre desenha criaturas mágicas — Cassi disse.
Ela não tem nenhum amigo verdadeiro
Talvez ela possa colocar um feitiço em alguém — Ali disse, cacarejando como se
ela tivesse alcançado o ponto da sagacidade — fazê-los serem seus amigos.
Todas elas começaram a rir, apontando e brincando umas com as outras até eu
não poder mais ficar ali parada mais nenhum segundo. Eu empurrei-as e fiai para o
corredor, meus olhos ardendo com a primeira insinuação de cair lágrimas.
Já chega — eu disse para Logan no almoço. — Eu não posso esperar me formar.
Se eu entrar para a escola de arte, eu irei sair daqui — fazer minha vida em
Providence, Rhode Island. — Meu sonho era ir para RISD — a Rhode Island School of
Design e me tornar uma diretora de arte como minha mãe ou uma artista famosa com
a minha própria galeria de arte.
Apenas mais alguns poucos anos — Logan disse. — Então você estará livre.
Ser uma estudante de segundo ano é uma merda. — eu concluí.
Sim — ele disse. — Não tão ruim quanto ser um Junior, embora. Faculdade de
aplicações.
Não me lembre — Eu disse. Logan era esperto. Ele já era um Junior embora ele
fosse alguns meses mais velho que eu. Eu não tinha duvidas que ele iria ser aceito em
qualquer faculdade que ele se inscrevesse.
Nós avistamos Clarris, Hannah e a gangue que nos olhavam, passando ao redor
seus cochichos e risadas.
O que você acha que elas estão falando? — Logan me perguntou.
O de sempre. Provavelmente o quão gostoso você é, e se perguntando o porquê
você passa todo o seu tempo com uma garota estranha como eu ao invés de namorar
com uma delas.
Não seja estúpida — Logan disse. — Elas provavelmente estão falando o quão
maravilhosa você é! Parece para mim que elas apenas têm ciúmes de você. — Ele se
moveu mais perto enquanto um estudante carregando uma bandeja grande quase nos
esbarrou de lado. Nossas mãos se encostaram. Ele olhou para mim por um segundo e
disse — Bree, você é perfeita.
Hah, esse seria o dia — Eu disse. — Além disso, o que é que eu ouvi você
perguntando algo para Clariss?
O que? — Logan fez uma cara. — Quem te disse isso?
Eu sem querer ouvi Hannah falando para Ali Walsh, Clariss estava indo com você.
De qualquer maneira eu imaginei que seria melhor eu verificar primeiro antes de tirar
conclusões precipitadas.
Cheque de distância — Logan disse. — O mais perto que eu cheguei a perguntar
pra Clariss para o baile quando eu estava parado na frente dela, escutando ela falar
sobre o quanto ela queria ir, mas apenas não tinha encontrado o cara certo para ir...
então eu disse que a desejava boa sorte, e fui embora.
Por que você não foi ao baile com ela? — Eu estava tentando soar indiferente, mas
tinha um pouco de inveja escorrendo na minha voz. Clariss era, apesar de tudo, a
garota mais bonita da escola. E Logan era o garoto mais lindo da escola, embora ele
era meu melhor amigo desde sempre.
Porque ela não me pediu — ele disse. — Eu gosto de uma garota que não tem
medo de ser ela mesma, e que me peça para ir com ela, ao invés de ficar jogando
jogo. — Ele viu meu rosto. — Além do mais, ela não faz meu tipo.
Qual é o seu tipo?
Natural pé no chão — ele disse, olhando para mim com um pequeno sorriso.
Antes que eu pudesse responder, eu ouvi um canto familiar atrás de mim.
Gente, gente, gente, gente, gente! — Sandy exclamou, uma pequena ruiva que
parecia uma constelação de sardas que pontilhavam o seu nariz. — Oh meu deus,
gente!
Sim, Sandy?
Eles encontraram Jared!
Jared Dushev? — Logan levantou, parecendo preocupado. Jared tinha sumido por
mais ou menos uma semana. Nós todos assumimos que ele tinha matado aula para ir
para Portland em um show do Depeche Mode — esse era o tipo de coisa que Jared
iria fazer.
Ele estava na floresta! Aparentemente eles o encontraram perto do Love Shack,
completamente fora de sua própria consciência — balbuciando de forma que ninguém
conseguia entende-lo, coberto de mordidas humanas!
Ai meu deus — ele está bem?
Aparentemente ele perdeu muito sangue. Nós não sabemos ainda.
E drogas? — Eu perguntei
Talvez. Jared gostava desse tipo de coisa. Mas as mordidas... — Sandy tremeu.
— Eu não gosto da floresta; Elas me dão arrepios. Desde que os lobos atacaram.
Ela saiu correndo, ansiosa para checar a lista de nomes para quem fofocar.
As coisas estão bem estranhas por aqui — Eu disse para Logan. — Primeiro Jared
— agora, você sabe — eu acho que estou ficando louca. O que quer que seja o que eu
vi no vestiário... mordidas humanas... a próxima coisa que irei descobrir é que essa
cidade inteira é mal assombrada, como em Buffy a caçadora de vampiros.
Eu tentei rir da minha preocupação, mas Logan permaneceu em silêncio, com a
testa franzida. Ele olhou para mim com uma intensidade, seus olhos castanhos escuros
cada vez maiores à medida que olhava para os meus. Por um momento, eu pensei que
ele parecia assustador — tão assustador como a manhã no bosque — até mesmo
predador.
O que é? — eu perguntei para ele.
Nada. — ele sorriu finalmente, e eu posso jurar que seus dentes pareciam mais
afiados do que o normal.
Eu esfreguei minha cabeça com minhas mãos. Eu deveria estar vendo coisas
novamente, eu pensei. Hora de ir dormir.
c a p í t u l o d o i s
Mas não tinha como dormi. Ao invés, tinha aula de Álgebra, seguida finalmente por
Artes — a última aula do dia e uma fuga do caos e da confusão do dia que tinha sido
até agora. Artes sempre foi a minha aula favorita — eu tinha um grande prazer em me
perder na tela. Ali, eu podia trazer todas as imagens que eu tinha visto na parte mais
secreta da minha alma, pintar os momentos, as pessoas e as figuras dos meus sonhos,
expressando-me mais profundamente e verdadeiramente do que eu jamais fui capaz em
qualquer outro meio. Minhas pinturas eram cheias de fadas e demônios, fadas, goblins
e sátiros. Ainda hoje, de todos os dias, parecia de alguma forma, mais fácil de lidar
com isso quando eu estava pintando. Eu pintei o sátiro que eu pensei que eu tinha visto
— o goblin pronto para alçar vôo em cima do telhado. Mesmo se eu estivesse ficando
maluca, eu pensei pelo menos isto estava melhorando minha arte. A maioria dos
artistas eram malucos, afinal de contas. Van Gogh tinha até mesmo cortado sua
própria orelha. Eu sorri com o pensamento.
Depois de Álgebra eu encontrei com Logan novamente.
Eu tinha pensando — eu disse. — Eu pensei que alguma coisa vem vindo hoje —
alguma coisa grande.
Como o seu aniversário — ele brincou comigo. Eu sorri.
Eu quero dizer — essas coisas que eu tenho visto. Primeiro um sátiro, depois um
goblin. Alguma coisa está diferente hoje. E eu pensei que nós deveríamos tentar
descobrir o que tudo isso significa.
Seu ponto é?
Pesquisar, Logan.
Você quer pesquisar seres místicos? Você não vai achar isso em nenhuma
biblioteca — Logan nu.
Na verdade — Eu disse. — Eu vou. A biblioteca tem uma sessão inteira de
mitologia grega, egípcia até mesmo inglesa e nórdica. Apenas porque nós não iremos
encontrar informação de Pixie{1}em um livro de historia natural não significa que não
exista em algum outro lugar.
Mitologia não é real — Logan disse. Ele não encontrou meu olhar.
Na verdade — Eu disse consciente de que eu estava usando minha voz de nerd
(Logan rolou seus olhos com um sorriso) — Mitos refletem séculos de tradição oral nas
pessoas não alfabetizadas e as alfabetizadas — Quando isso vem para o sobrenatural,
existe um pouco de folclore.
Você soa como sua mãe — Logan disse com um sorriso. Quando chega a uma
discussão pedante de mitos, lendas e folclore, minha mãe pode ficar talando por horas.
Essa era a razão para a minha família ter poucos amigos em Gregory.
Então nós fomos para a biblioteca, em busca de informações sobre os tipos de
criatura que eu tinha visto. Tinha uma pequena citação no primeiro livro que nós
tentamos Bulfinch’s Mythology, nem existia muita informação nos livros sobre a
mitologia nórdica. Nós estávamos prontos para desistir antes de eu encontrar uma
passagem relevante no livro de Edward Causabon The Great Book of Anglo-Saxon Folk
and Legend: A Mythological Dictionary.
Espere, espere aqui — Eu disse. — Aqui tem uma coisa.
Goblins{2}. O livro dizia. Seres míticos acreditavam terem poderes trapaceiros —
eles geralmente são citados tendo forma humana, embora com algumas exceções
(Garras longas, queixos pontiagudos), e muitas vezes usados na mitologia como uma
ponta para representar demônios menores. Enquanto os goblins são amplamente
entendidos como criaturas maldosas, e de certa forma malignos, eles raramente são
retratados como alguém procurando prejudicar os seres humanos na forma de, por
exemplo, Pixie. Para saber mais, consulte PIXIES.
Hey, dê uma olhada nisto -— Eu disse. — Pixies...
Pixies. Uma das figuras mais malignas da mitologia inglesa, Pixies são
entendidas como a contrapartida dos faeries. Enquanto a mágica dos faeries é
frequentemente citada como perigosa, até mesmo citado como fatal para nãohumanos,
faeries em si raramente são consideradas como sendo mal ou malintencionado
com eles mesmos; ao contrário, eles são descritos como pertencentes a
um mundo completamente distinto do que o dos seres humanos. Ao contrário, Pixies
— tradicionalmente o inimigo dos lobisomens e vampiros, dependendo da fonte —
são conhecidos pelos seus ataques malignos aos seres humanos, incluindo mas não
limitado, as marcas graves de mordida que eles deixam em suas vitimas com intensa
perda de memória e um ‘toque de loucura’. Pixies são retratados em varias fontes
antigas inglesas, incluindo ‘The Wyrd of the Wild’, ‘Skanner’s Tale’, e vários folclores
compêndios do início do século XIII...
Whoa — Logan disse.
Marcas graves de mordida que eles deixam em suas vitimas com intensa perda de
memória e um toque de loucura — Eu repeti. — Soa familiar para você? — Então eu
me parei. — Espere — Eu disse. — Isso é estúpido. Realmente estúpido.
Você não acredita em Pixies, então? — Logan perguntou.
Claro que não! — Eu disse. — Eu não sou... Eu não sou Tree-na, Ok? A estúpida
hippie que desenha criaturas mágicas dos filmes da Disney.
Eu não disse isso — Logan disse suavemente.
E só... — Eu suspirei. — E só esses sonhos que eu estou tendo. Toda noite. Sobre
fairyland - Feyland, eles chamam. E é o sonho mais bonito, a cada noite. E parece
muito real. E se existe goblins, ou sátiros, ou pixies no sonho, bem, e parecem reais
também. Veja, eu sei que isso é bobagem.
Eu não acho que isso é bobagem. — Logan disse.
Talvez em outra vida — Eu disse. Eu rosnei. — Eu possa ir para casa
Eu disse. — Eu tenho tantas lições de casa para terminar.
Não vai fazer nada especial em seu aniversário?
Eu não sei — Eu disse. — Mamãe e eu geralmente passamos na Baba Louie’s —
eles tem o melhor sorvete da cidade. Mas ela não estava em casa hoje quando eu
acordei, e ela não me ligou nem me mandou mensagem desde então.
Sua mãe manda mensagem? — Ele bufou.
Ela gosta de se manter ‘moderna’ — Eu disse. — Mas eu não tenho sido capaz de
alcançá-la. Ótimo — eu suspirei. — Levei um bolo da minha própria mãe no meu
aniversário. O quão patético isso é?
Não muito —- ele disse. —- Eu tenho certeza que ela entrará em contato em
breve. Ela provavelmente teve que fazer algo no trabalho ou algo assim.
E, talvez — Eu disse.
Deixe-me dizer que — Logan disse. — Doces 16 anos é muito especial para
comemorar sozinho. Deixe-me ir a sua casa e cozinhar alguma para você jantar. Minha
infância como uma latchkey kid{3} me deu algumas habilidades valiosas na cozinha. E se
sua mãe aparecer, apenas me mande uma mensagem e eu não vou mais.
Eu sorri. — Obrigada, Logan; Isso é realmente doce.
Sem problema — ele disse. — Eu gosto de cozinhar. Especialmente para alguém
que pode apreciar minhas habilidades culinárias. E você, minha querida, come igual a
um cavalo.
Meu apetite voraz era de fato o assunto de brincadeiras pelos meus amigos e
familiares. (Tara onde vai tudo isso? minha mãe jogava suas mãos em desespero).
Me sentindo um pouco melhor, eu peguei o ônibus de volta para casa mais tarde —
juntamente com as crianças que tinham ficado em detenção. Eu me enrolei contra a
janela, satisfeita que pelo menos eu tinha um amigo com quem celebrar o meu
aniversário. Mas eu não podia relaxar. Pensamentos continuavam surgindo na minha
mente, imagens — o goblin, sátiro, Pixies...
Nós passamos pelo Love Shack{4}, a cabana em ruínas no final da floresta que era,
até os lobos atacarem a Francesca Kaminski seis meses atrás, o destino mais popular
dos jovens para encontros amorosos e bebedeira. Eu pensei em Jared Dushev —-
balbuciando incoerentemente, coberto em mordidas humanas... tinha sido um Pixie que
fez isso nele? Pixies ao menos existiam?
E então eu vi parado ao lado da estrada.
Eu pensei que ele era um caroneiro{5} primeiro, um dos mochileiros que
frequentemente caminhavam através de Gregory a caminho de Oregon. Mas então eu
dei um olhar mais de perto nele.
Ele era alto — tão alto, de alguma forma, por seu corpo esguio, de modo que ele
parecia oscilar de seu rosto estreito e ósseo. Suas bochechas eram altas e pontudas,
triangulando-se em um queixo afiado. Seu cabelo era um loiro pálido, e seus olhos eram
verdes — uma cor neon estranha que eu nunca tinha visto antes, tão brilhante e
estranha para ser natural. Suas mãos — com longos e finos dedos, descansando sobre
seu bastão afiado. Delano. O nome veio para mim antes que eu tivesse tempo de
perceber o que eu estava vendo — e eu o reconheci, mesmo quando eu não tinha idéia
de quem ele era.
O ônibus andava em direção a ele.
E então ele se virou para mim. Pareceu que o ônibus tinha parado, ou pelo menos
diminuído — o próprio tempo estava derramando como melaço. Eu pude ver a cor
nebulosa em seus olhos retorcidos e movimentados — primeiro tinha sido verde, agora
mudou para um amarelo. Ele podia me ver. Através da janela escura, através do
ônibus, através da distancia, ele podia me ver diretamente. Meu coração começou a
ricochetear em volta das minhas costelas.
Breena.
Eu ouvi uma voz chamar meu nome, em um som tão alto, tão sobrenatural, que não
poderia ter sido humana. A figura estava a dez jardas de distancia pelo menos; eu senti
sua chamada como um sussurro em meu ouvido.
Quando eu sai do ônibus, eu corri para casa, trancando todas as portas e janelas
atrás de mim. Eu estava sem fôlego, aterrorizada. Eu tentei me acalmar
Pixies não existem, apesar de tudo — Jared provavelmente tinha experimentando o
pior dos efeitos de uma infeliz viagem das drogas. Mas como ele tinha ganhado
aquelas marcas de mordida? O mundo em meus sonhos pareciam estar pairando
paralelamente com a realidade, o frágil feitio entre os dois rodopiam ao lado —meus
sonhos entrando nos dias do meu mundo.
Olá! — Eu gritei. Ainda ninguém em casa.
Eu disquei para o escritório da minha mãe.
Escritório Raine Malloy? — A voz respondeu. Era a secretaria da minha mãe,
Paula.
Oi, Paula; é a Bree. Você sabe onde minha mãe esta? — Ela deveria estar em
casa agora.
Oh, Bree, Oi. Olhe, Eu sinto muito, mas sua mãe teve que sair da cidade por algum
negócio muito importante. Eu vou ligar para ela às seis da manhã — ela não queria
acordar você. Me disse para te dizer que ela sente muito, e que deseja a você um feliz
aniversário. Ela estará de volta logo. Foi uma emergência, confie em mim.
Oh — eu disse. — Certo. — Pelo menos ela tinha se lembrado. Apesar, isso não
parecia nada com ela. Alguma coisa estava errada.
Preocupação deixou um nó no meu estômago.
De repente eu ouvi um barulho na porta. Eu pulei, pensando na figura — o Pixie —
eu tinha visto na estrada voltando para casa. O Pixie que tinha me visto.
A batida veio novamente. Eu não conseguia respirar, pânico me inundou. Delano. O
terror era instintivo, irracional — como se minha alma entendesse alguma coisa que
meu cérebro não.
O som veio novamente. Então um apalpar na maçaneta. Eu rastejei para trás,
procurando alguma coisa que eu pudesse usar como uma arma.
Então eu ouvi uma voz.
Hey, Bree? Bree? Você esta ai? Eu comprei sorvete!
Alivio percorreu pelas minhas veias. Logan. É claro.
Só um segundo! — Eu alisei meu cabelo, sacudindo todas minhas preocupações
para fora. Como eu tinha sido tão estúpida para esquecer?
Esta congelando aqui fora! — Logan chamou. — Tudo bem?
Eu fui responder a porta.
c a p í t u l o t r ê s
Eu comprei comidas — Logan disse, com um sorriso. — Seu favorito tortilha
Bread{6}, alguns frangos... — Antes que ele pudesse terminar sua frase, entretanto, eu
o puxei para dentro e fechei a porta.
Por que você esta tão paranóica? — Ele me perguntou.
Nada — eu disse afiadamente. — E estúpido. Nada.
Isso não parece com nada.
Você vai pensar que eu sou estúpida — eu disse. E fiquei vermelha. A minha parte
racional, sensata e dos dias modernos não podia acreditar que eu estava tendo
histerias sobre Pixies percebidas ou fadas imaginárias. Meninas de dezesseis anos
ficam histéricas sobre as notas de matemáticas e baile de formatura, eu pensei
(embora não parecesse tão atraente e perspectivo), ao invés de alucinações com
Pixies na beira da estrada.
Eu não acho que você é estúpida — Logan disse, pegando minha mão.
A única coisa estúpida é você ficar chateada e não falar comigo sobre isso.
Eu acho... — Eu suspirei. — Isso é loucura, ok. Mas eu acho que eu vi a Pixie. Na
estrada para casa — parada enquanto o ônibus passava. Eu acho que ele me viu.
Logan se ergueu. — Como ele se parecia?
Rosto pontudo -— pele branca, uma pele muito branca — e seus olhos.
O que tem seus olhos? — Ele pulou para seus pés.
Verdes algo assim. Mas amarelo — um pouco — você sabe bastões luminosos
que mudam de cor quando você os quebra? Um tipo de...
Fique aqui. — Logan começou a marchar, para as janelas, uma por uma,
verificando se elas estavam trancadas e fechou as cortinas. — Não se mova — não
responda a porta, não importa o que.
Eu esperava que ele me dissesse para parar de se preocupar, que Pixies, fadas e
criaturas mágicas eram apenas invenções da minha imaginação. De qualquer coisa, eu
esperava dele, com sua mente mais aberta, erguer sua cabeça e considerar a
possibilidade da fauna sobrenatural. Eu não esperava isso.
Ele veio para mim e me segurou proximamente, tão próximo que eu poderia sentir
aquele tranquilizador e familiar cheiro de almíscar e madeira em seu pescoço. Ele
pressionou seus lábios na minha testa. — Se sente segura? — ele me perguntou. Ele
tinha se acalmado agora, e parecia mais com o Logan que eu conhecia. Meu Logan.
E claro, eu pensei comigo mesma. Ele simplesmente me fazia sentir segura —
tendo certeza que eu sabia que ele estava me protegendo. Não tinha nada com o que
se preocupar.
Me deixe fazer o jantar para você — disse Logan. — Bastante stress para um dia.
— Ele sorriu. — Eu trouxe um monte de opções para você. Tortilhas mexicanas com
frango fajita, massa italiana com bolinhos de carne ou macarrão chinês com camarão.
Eu acho que nós deveríamos comer todos. Mas reservar um espaço para a sobremesa
— Eu trouxe uma surpresa para você.
Você é demais.
Sou mediano. — Logan encolheu os ombros. — Além do mais, é seu aniversário.
Se eu tivesse trazido minha guitarra, eu poderia até te cantar uma música. E — Ele
acrescentou — Eu acredito que você mencionou que tinha terminado sua última pintura?
Você se lembrou!
Eu não acho que você vai me deixar ir embora sem ver.
Eu corei. — Não ficou tão bom...
Tenho certeza que é excelente — Logan disse. — Qual é — me mostre.
Eu trouxe a tela lá de cima do estúdio de arte. — Veja -— eu disse. —
Mediocridade no seu melhor. — Eu estava embaraçada, mostrando minhas fotos para
Logan. Sua confiança em mim, sua fé e sua esperança, teve o efeito de me fazer
querer viver de acordo com suas expectativas, não importava o que. Ele achava que eu
era uma grande artista — eu queria que minhas pinturas fossem tão boas quanto ele
pensava que elas eram. Eu esperava que o que quer que Logan viu em mim estivessem
realmente lá.
Bree Malloy — Logan disse, examinando a tela. — Você é um gênio.
era uma pintura do sonho. Elas sempre eram pinturas dos meus sonhos. Sempre
que acordo de uma noite particularmente vivida na Feyland, sempre que a melodia
alegre da música de valsa dos fairy toca por muito tempo e alta em meus ouvidos, eu
acordo com um desejo de pintar. As inéditas energias me assombravam todos os dias -
— através da escola, durante o almoço, as tardes — até finalmente eu não ser capaz
de suportar um momento mais tarde e me arremessar no meu estúdio, febrilmente
pintando as imagens que guardava na minha memória — o dente aparecendo do
Minotauro, as torres, os pináculos e os minaretes dourados do Palácio Summer, o
rosto extraordinariamente lindo do príncipe fairy com seus olhos invernais...
Este era Kian. Eu tinha pintando algumas noites atrás — quando os sonhos
começaram a ficar mais fortes. Ele era um jovem homem nessa pintura, forte e
poderoso, com as maças do rosto que brilhavam como marfim e os olhos orlados por
cílios escuros, que parecia brilhar para fora da pintura, brilhar com uma luz que nenhum
óleo na tela poderia ficar natural. Ele estava parado em um jardim, repleto com flores
laranja e amarelas, as cores tropicais do jardim contrastando fortemente com seu olhar
frio e parado.
E tão realístico — Logan acrescentou. Eu percebi que ele estava olhando para o
fundo — a terra onde eu tinha pintado Kian — quase desejando ignorar os detalhes do
rosto do príncipe.
O que está errado? — Eu o perguntei.
Nada — ele ficou vermelho.
Tá boa a imagem?
Ele assentiu, recusando a me olhar. — E esse o cara do seu sonho?
O Homem — Eu disse, defendi me contrariando. — Sim, do sonho
Meu rosto caiu. — Você não gostou?
Não, não é isso — Logan disse. — Ele é bonito. Bonito. E só que — o detalhe...
você tem um olho para detalhes, Bree. — Sua voz soou forçada.
Ele realmente foi — ele realmente foi feito com amor. — Ele suspirou. — Vamos
lá, Bree, Vamos comer alguma coisa. Eu voto que nós comecemos com certa
delicadeza de seu favorito. Três suposições.
O que é isso?
O que acorda você de manhã, te resfria no verão, e só pode ser encontrada em
sua loja de café favorita?
Um caramel latte{7}? — Eu pulei. Eu não tinha tido um desde Maio; Gregory não
tinha uma loja (embora a proposta de fazer um pequeno shopping na floresta, para
minha intensa frustração, deveria ter um), e meu compromisso com o comportamento
das pessoas em relação ao meio ambiente significava que eu não queria desperdiçar o
gás para ir por todos os caminhos para a vizinhança Vanton.
Eu trouxe sorvete, café, e toda essa coisa estranha de xarope da loja da esquina.
— Ele cutucou a vasilha com desconfiança.
Vamos tentar isso — Eu disse ansiosa para deixar o assunto das pinturas encerrar.
Não era a qualidade das várias lojas especializadas — era uma bagunça, e nossos
esforços mancharam um pouco a bancada que eu tinha acabado de limpar — mas era
delicioso. — Chantili em cima! — Eu proclamei, agarrando uma lata da despensa e
formando espuma no topo da taça com uma pirâmide de chantili. Eu acidentalmente
errei o copo visando Logan e derramei chantili sobre sua camisa.
Muito bom! — Logan disse.
Oh, Deus, Logan — Eu respirei — Me desculpe. Essa é sua camisa favorita!
Bem, você deveria se desculpar. — ele estalou, agarrando a lata de mim. — Você
sabe por quê? Porque agora! Agora! Agora sua camisa vai ficar arruinada também! —
Sua raiva simulada mudou para alegria enquanto ele mirava a boca da lata no meu
rosto e começou a apertar.
Entendi!
Não tão rápido! — E então nós começamos a perseguir um ao outro em volta da
sala com lata de chantili, rindo enquanto brincávamos. As preocupações do dia foram
esquecidas — pelo menos nós estávamos relaxados, despreocupados e normais.
Pixies, fairies e Jared Dushev pareciam distantes enquanto brincamos e
importunávamos um ao outro. Nós éramos crianças — crianças normais — tendo uma
guerra de comida na sala enquanto meus pais estavam fora.
Finalmente nós paramos (Logan deu um grito de vitória), e eu fui para cima me
trocar. — Eu só vou lavar meu cabelo na pia — Eu disse, colocando minha cabeça
embaixo da água gelada e refrescante. Logan, enquanto isso tinha tirado sua camisa
para deixar secar.
Eu aposto que Clariss deseja que você fique na casa dela sem camisa
eu disse — e eu não posso negar que eu certamente permitir meu olhar hesitar em
seus músculos magros e musculosos um pequeno momento do que eu deveria ter sido
estritamente amigável. Apesar de ser de Oregon, Logan tinha um bronzeado natural
enquanto ele passava muito tempo ao ar livre sem camisa. Ele não apenas tinha
crescido muito nesses últimos anos, sua estrutura tinha desenvolvido — ombros amplos
e um peito que descia para um liso e musculoso estômago. Logan tinha um corpo de
deixar qualquer atleta com inveja.
Sim, bem, eu adoraria esvaziar uma lata de chantili no rosto dela — Logan disse.
—Talvez então ela iria se calar.
Você realmente não gosta dela? Nem mesmo um pouco?
Sim, é por isso que não vou ao baile com ela. Porque eu estou desesperadamente
apaixonado por ela.
Não, sério, Logan.
Primeiramente, ela é horrível com você, e eu não me importo se ela parece com a
Keira Knightley, isso é uma coisa que não da certo. Segundo, ela realmente não é tão
atrativa. Toda aquela maquiagem, cabelos lisos e alisados
eu realmente não sei como ela parece embaixo de todas aquelas coisas. Ela não é
confiante o bastante para parecer com ela mesma...
Você é como o garoto perfeito — Eu disse para Logan, vindo do meu chuveiro
improvisado, meu cabelo escorrendo por todo o assoalho.
Não é bem assim — Logan disse, e seu sorriso escureceu. Por um momento, ele
parecia infeliz. — Hey, você, venha aqui.
Eu peguei um pano de cozinha limpo, envolvi meu cabelo com ele e sentei ao lado
dele.
Ele pegou a toalha e começou roçar meu cabelo molhado. — Você ainda tem um
pouco de chantili — bem aqui. — Ele apontou para um pedaço pegajoso de cabelo ao
lado do meu rosto. — Deixe-me pegar para você. — Sua mão parou na minha
bochecha, colocando a mão em forma de concha suavemente. Eu olhei dentro de seus
olhos — eles estavam cheio de intensidade, cheio de bondade.
Eu tive um aniversário brilhante — eu disse, suavemente.
Foi um ótimo dia para mim também — ele disse. Suas mãos ainda ali.
Feliz Aniversário, Bree... — Seu rosto se aproximou cada vez mais devagar para o
meu rosto.
Meu coração começou a bater mais rápido. — E, você também — Eu disse
instintivamente, antes de perceber o que eu tinha acabo de dizer. — Eu quero dizer...
Sim... — Sua outra mão encontrou a minha. Eu me senti indo para frente, apenas
ligeiramente, meus lábios apenas polegadas dos deles...
De repente veio uma alta batida na porta.
Alguma coisa estava errada.
Era uma batida que crescia viciosamente — o tipo de batida que ecoava através
da casa e parecia fazê-la tremer.
Bree-na! — veio uma voz do lado de fora. — Bree-na! — Era alta, sobrenatural e
terrível. Era a voz do Pixie. Delano.
Logan saltou. — Vá para cima — ele disse, asperamente.
Logan, o que está...
Não discuta comigo — Vá! — Ele sabia de alguma coisa. Eu podia ver isso em
seus olhos, na tensão de seus músculos, nas curvas ferozes de seus lábios.
Se esconda no estúdio de arte. Tranque a porta, fique no chão e Não.se.mecha. O
que quer que você ouvir — o que quer que você achar que ouviu — Não.se.mova.
Não tinha tempo para discutir. Eu corri.
c a p í t u l o q u a t r o
Eu não podia respirar. Eu podia ouvir as batidas ficarem cada vez mais altas lá em
baixo, ouvir Logan precipitando-se, mas eu não podia enrolar meu coração sobre o que
estava acontecendo. — Logan! — Eu tentei gritar, mas minha voz se recusava a me
escutar, a fazer qualquer barulho; Eu estava chocada. O que ele estava fazendo? O
que quer que estava lá em baixo — qualquer coisa — eu sabia no fundo do meu
coração que era o Pixie, Delano, a coisa que eu tinha visto olhando para mim no lado
da estrada — era certamente uma coisa que Logan não podia lutar. Ele era apenas um
garoto, apesar de tudo — forte, seguro, musculoso e determinado — mas um humano.
Como eu. Ele não podia lutar contra uma criatura mágica.
E ainda — que criatura mágica estava lá? Até essa manhã, eu não acreditava em
mágica apesar de tudo; agora, elas estavam vindo tão rapidamente.
Ele tinha sido tão forte, tão certo, Logan, eu pensei. Ele tinha tomado o controle da
situação — ele tinha acreditado em tudo o que eu disse, levado a sério, então tinha me
arrastado para cima e me trancado no estúdio de arte. Por quê? Era como se ele
soubesse o que estava vindo, reconhecendo a situação que eu tinha dito a ele, e
determinado que ele poderia lutar com o Pixie.
O que ele sabia ?
A porta se abriu; eu pude ouvir o som de um golpe de vento assobiando na sala.
Era o som de uma trovoada, me mexi sob a mesinha, cobrindo minha cabeça com
minhas mãos. Houve uma colisão bem alta.
O que estava acontecendo? Quem era essa coisa — esse Pixie? E o que ele
queria comigo?
Meus olhos avistaram a pintura que eu tinha feito de Kian, no cavalete onde eu o
tinha substituído, e meu coração sentiu aquela familiar ansiedade — aquela mesma
familiaridade. Eu senti como se existisse alguma coisa que eu tinha esquecido, algum
fato importante e grave que escapou além do alcance do meu cérebro, alguma chave
para todas as respostas sobre meus sonhos, desse dia todo estranho, que eu sabia —
que eu sempre soube — mas que eu apenas não podia me lembrar.
E o rosto do Kian era a chave para tudo isso.
Eu fechei meus olhos firmemente, minha mente vagueou de volta para o mundo dos
meus sonhos.
Vamos lá... Eu sussurrei para mim. Vamos lá, Breena, se lembre...
Relembrar qualquer coisa que eu tinha esquecido.
Houve um grande e aterrorizante uivo lá em baixo, um uivo de um lobo, o teto e as
paredes balançaram, ecoando para cima como se o uivo viesse diretamente atrás de
mim, por toda minha volta. O chão do estúdio de artes tremeu; as paredes estavam
vibrando. Eu pude ouvir um conjunto de pratos se quebrando, então um vaso —
identificando cada som como uma coisa, então outro, caiu, foi destruído. Eu pude ouvir
sons de uma luta -— um grande soco seguido de uma batida alta, os assobios do vento
estavam em todos os meus lados, passando por baixo da porta, sacudindo a
fechadura.
Faça isso parar... Eu chorei. Apenas faça isso parar...
E finalmente isso parou, e o silêncio era pior do que a luta. De um jeito ou de outro,
isso tinha terminado, e eu não ousava levantar, descer, ver um
deles (oh, mas qual?) morto deitado no chão, e um deles parado diante de mim.
Não importava, eu disse para mim, querendo que eu fosse corajosa. Se Logan
tivesse vencido, e mandando o Pixie embora, então ele precisaria da minha ajuda —
limpar os machucados, colocar curativos... Se Delano tivesse vencido, então ele iria
subir as escadas para me encontrar em breve... e o resultado final seria o mesmo. Eu
tinha que ser corajosa.
Você é uma princesa, disse uma voz na minha cabeça. Seja corajosa.
Em algum lugar, em algum lugar bem longe, mais fundo do que essa sonda soava,
eu ouvi a melodia da fairyland, a estranha valsa dos meus sonhos. Estava tocando para
mim. Estava desejando que eu fosse corajosa.
Lentamente, eu abri a porta.
Desci as escadas, sentindo cada vez mais doente a cada passo. Eu não queria ver
o que tinha acontecido.
A primeira coisa que eu vislumbrei foi Logan. Ele estava deitando nu, inconsciente,
jogado em cima do sofá. Mas ele estava respirando.
Eu agarrei um cobertor e corri para ele, o cobrindo, sem mesmo pensar na
situação embaraçosa. Ele estava machucado, e isso era tudo o que importava. Eu
sabia muito bem primeiros socorros para não o mover, contudo, eu o balancei um
pouco, chamando seu nome.
Vai ficar tudo bem, Logan. — Eu pressionei minha bochecha em seu coração.
Estava batendo fortemente, poderosamente. Ele iria ficar bem. — Me escute — tem só
um pouco de machucados, ok? Nada muito grave. — Eu peguei a camisa que ele tinha
tirado mais cedo, e a pressionei no corte no ombro dele, aplicando pressão para parar
o sangramento. — Você vai ficar bem.
Não tinha sinal do Pixie. Eu relaxei, dando a primeira respiração cheia desde
aquela primeira aterrorizante batida na porta.
Eu fiai para a janela, checando as fechaduras, tendo certeza que não tinha nada
espiando na floresta.
E então a porta da cozinha se abriu.
Ele era mais alto do que eu me lembrava; Seu rosto era magro, seus olhos ainda
mais amarelos — a cor putrescente de enxofre queimado. Mas eu me lembrava de seu
sorriso do ônibus muito bem — aquele cruel, trio e terrível sorriso que me disse que ele
podia me olhar, e Logan, com todo o claro conhecimento de exatamente o que ele
estava planejando fazer conosco, e não sentia remorso, lástima nem hesitação.
Breena. — A boca dele nem se mexeu, mas eu ouvi sua voz vindo para mim,
congelando o sangue em minhas veias. — Venha aqui, Breena.
Seus olhos permaneciam fixados em mim.
E então ele foi se transformando. Ele era bonito, quase — e charmoso — seu
queixo se tornou menos pontudo — seus olhos viraram verdes novamente. Por que, do
que eu tinha sentido tanto medo, eu me vi me perguntando. Ele não era tão mal atinai
de tudo. Ele ainda era lindo, com sua mão estendida, seus longos cabelos cinzentos. (E
em algum lugar no fundo da minha mente uma voz continuava gritando, mantendo uma
resistência, mas eu continuei me movendo para frente de qualquer jeito, hipnotizada,
em transe pela sua beleza, por aqueles hipnotizantes e fascinantes olhos...)
Talvez eu pudesse ir com ele, apenas um instante...
Alguma coisa me parou. Eu senti uma mão — uma mão quente e forte —
envolvendo minha boca, outro braço cercou minha cintura.
Logan? — Eu ergui meu pescoço, mas Logan ainda estava lá, deitado inconsciente
sobre o sofá onde eu tinha o deixando, ainda respirando.
Então quem estava atrás de mim?
Eu lutei, mas o aperto ainda permanecia firme na minha cintura, me puxando para
trás, para longe do Rei Pixie, cujos olhos maliciosos (eles voltaram a ser maliciosos
agora) ainda estavam fixados em mim.
Eu girei minha cabeça e ofeguei.
Eu conhecia seu rosto, conhecia melhor seu rosto do que eu conhecia meu próprio
reflexo. Eu tinha sonhado com isso todas as noites durante dezesseis anos.
Ele era Kian.
Ele era mais lindo do que eu me lembrava — que eu jamais poderia ter conhecido.
Seus cabelos eram longos agora, e sua pele estava ainda mais branca — a cor dos
primeiros flocos de neve da primeira manhã de inverno. Seus olhos eram um azul
prateado de uma pele de lobo — eu podia ter
misturado milhares de cores juntas, mas eu nunca teria sido capaz de pintar seus
olhos como eu tinha visto, em toda sua beleza evanescente.
E ele estava me puxando para longe,
Espere — Eu disse, me puxando para longe de seu aperto. — Espere — olhe —
não podemos deixar Logan aqui.
Mas ele continuava me puxando, me pairando para trás, para cima das escadas,
em direção ao estúdio de arte.
Príncipe ou não príncipe, eu não iria deixar Logan nas garras do Rei Pixie.
Me deixe!!! — eu chorei, tentando afrouxar seu aperto de cima de mim. Eu me
lembrava de Kian dos meus sonhos — Agradável e gentil até mesmo encantador. Isso
não estava certo.
Me solta! — Eu chorei, mas não tinha efeito. Estávamos perto do estúdio agora.
Então eu vislumbrei o Rei Pixie. Ele não estava mais severo em Kian me levando
para longe do que eu estava, e ele tinha montando seu arco com uma flecha, flecha
prateada, e estava mirando em nós.
Em uma escolha entre um dos dois, eu ainda iria junto com Kian.
Não! — Eu chorei, mas era tarde demais. Ele já tinha largado seu arco, seus
braços musculosos ficaram tensos, prontos para atirar a flecha bem em direção ao
meu coração...
Repentinamente, do nada, um borrão cobriu o Pixie, atirando-o no chão. Era algum
tipo de animal, eu pensei, mas era certamente maior do que qualquer animal que eu já
tinha visto. Seus pelos eram longos e cinzentos; ele tinha infinitas garras, e grandes
dentes. Era como um lobo —mas não era um lobo. Era diferente, de alguma forma —
nobre — a forma de um unicórnio em Cansabon}s Mythography parecia ser diferente
dos comuns. O lobo tinha sido atingido pela magia.
O Rei Pixie levantou novamente, pronto para bater no lobo, quem em retorno,
mostrou seus dentes e rosnou ferozmente. Os dois se arremessaram um para o outro,
trancados em uma batalha, prontos para lutarem até a morte...
E então Kian começou a me puxar para longe novamente, dentro do estúdio de
artes, longe do lobo, longe do Pixie, indissociavelmente unidos em uma luta até a
morte...
Ele nos colocou para dentro e a porta do estúdio se fechou atrás de nós.
E então a porta sumiu.
Eu olhei ao nosso redor. Estávamos em uma floresta — uma grande extensão de
árvores brilhando, folhas brilhando. Não era uma floresta comum.
Onde estamos? — Eu perguntei para Kian, mas de alguma forma eu já sabia.
Eu já tinha estado aqui antes. Minha pele estava formigando. Meu coração estava
acelerado. Eu senti como se eu estivesse, pela primeira vez na minha vida, acordado
de uma neblina de sonho. Tudo estava mais claro, brilhante, nítido e mais colorido. Eu
podia ouvir musica no vento — ecos de quilômetros de distância. Podia ver cada folha,
cada pedaço de grama, cada fatia de casca, com infinita clareza, como se eu estivesse
olhando sob um microscópio.
Eu tinha pintando algum eco desse lugar. Mas se todas as pinturas eram imitações
das imagens do meu cérebro, então as imagens do meu cérebro sempre tinham sido
apenas ecos disso.
Nós estávamos na Feyland finalmente.
c a p í t u l o c i n c o
Eu olhei ao meu redor. Era a floresta mais linda que eu já tinha visto. As tolhas
brilhavam cada uma emitia um brilho como vários pequenos vagalumes. A grama
murmurou sob mim, rolando como ondas sob a terra. Tudo estava vivo, se movendo. Eu
podia respirar lavanda e madressilva no ar. E tudo tinha um som, uma música. As
folhas tinham suas músicas, e eu podia ouvir — a alegre, rajada de luz de um diapasão.
A casca tinha uma música, e eu também podia a ouvir — profundas e baixas notas
poderosas. O vento tinha uma música — os trinados de uma sonata para piano — e eu
também podia ouvir as músicas das nuvens, lentas melodias. E as músicas vinham
juntas, também, com uma grande sinfonia de sons, e de alguma forma o som tinha cor
também, porque eu podia ouvir as cores, e podia ver o cheiro. De alguma forma meus
sentidos tinham sido trocados, deslumbrado pela beleza da floresta. Meus sonhos não
eram nada parecidos com isso. Nada, nem mesmo os vôos mais desenfreados da
minha imaginação jamais poderiam comparar a isso.
E então eu percebi como eu tinha chegado aqui. Eu me lembrei de Kian, me
forçando a subir as escadas, me forçando a deixar Logan, com suas mãos tapando
minha boca e seus ouvidos surdos para minha briga.
Lindo príncipe fairy ou não príncipe, eu não iria deixar ninguém me carregar para
qualquer lugar.
E então eu o mordi.
Foi à primeira coisa que eu pensei em fazer — a primeira parte de carne que eu
podia pegar — então eu afundei os dentes em sua mão e comecei a chutá-lo
violentamente. Ele sacudiu sua mão para longe dos meus dentes e olhou para mim —
eu vi onde meus dentes tinham deixado uma mancha reluzente de prata sob sua palma
branca — e tentei me conter. Eu fechei meus olhos, tentando desesperadamente me
lembrar os golpes de defesa pessoal que eu tinha aprendido na classe de luta
feminina{8} da minha mãe. Joelho na virilha. Dedos nos olhos. Meus membros atiravam
para tudo que é lugar, tentando encontrar sua fraqueza, algum jeito de o machucar, de
ir para longe...
Os golpes da minha mãe, entretanto, tinham sido designados para atacantes
humanos. Kian graciosamente esquivou de cada golpe que eu tentei dar nele, sumindo
e reaparecendo atrás de mim, desviando de mim com um menor esquivo para a
esquerda, um bloqueio para a direita. Finalmente eu me lancei diretamente na direção
dele, meu coração batendo contra meu peito, minhas bochechas cheias de raiva.
Oh não, você não — Eu chorei.
Ele pegou meu pulso e dobrou meu braço, até que eu estava de costa para ele. Eu
podia sentir sua respiração sob meu pescoço até que ele sussurrou na minha orelha.
Você vai parar de lutar? — Ele me perguntou.
Não até você me dizer o que está acontecendo! — Eu chorei, me sentindo quase
sem fôlego.
Mas era inútil. Ele me segurou rápido e firme.
Eu sempre tinha sonhado por esse momento, sonhado com suas mãos em mim,
seus lábios tão perigosamente perto do meu pescoço. Até mesmo nesse momento, eu
não podia negar que parte da minha fraqueza era psíquica
uma submissão inata do claustro mais profundo do meu subconsciente. Mas eu não
estava preparada para deixar meu instinto de lado. Ninguém, nem mesmo o Príncipe
Kian iria me raptar e me levar embora disso.
Tá bom — eu disse finalmente. — Agora, me diga o que quer e me deixe ir. E
desculpas.
Pelo que?
Por me agarrar assim.
Príncipes não se desculpam — Kian disse. Eu me virei para olhá-lo, com muita
raiva. Eu tinha um pensamento que ele estava sendo meramente arrogante, mas ele
parecia genuinamente confuso. Então sua expressão mudou. — Você não precisa se
preocupar com seu amigo. Eu sei que deve ter assustado você. Mas o Pixie não irá
tomar o sangue dele. Pixies não gostam de sangue de lobisomens.
Sangue de lobisomem? — Eu crepitei. — Mas Logan não é... — Eu me lembrei
dos olhos dele quando eu o disse sobre o Pixie, sua resposta estranha para as minhas
intimações sobre as ocorrências sobrenaturais. Ele tinha acreditado em mim, ele não
tinha — ele não tinha levado tudo mais a sério do que eu mesmo tinha? Eu estava tão
cansada para resistir. Isso não parecia muito estranho para tudo o que tinha acontecido
hoje.
E claro, você já sabia disso, não sabia?
Claro que não! — Mas perante as palavras que saíram da minha boca, eu sabia
que eu estava mentindo para mim mesma. Aquela conexão que eu sempre tinha sentido
com Logan — o jeito que ele cheirava a floresta, o jeito como eu me sentia tão
confortável mostrando minhas pinturas da Feyland. Talvez eu sempre tivesse sentido
que ele, como eu, éramos atingidos pela mágica. Eu sorri severamente. Em uma nota
menos filosófica, deveria ter alguma explicação para ele sair com uma solitária como eu
ao invés de Clanss e sua laia.
Eu tinha, entretanto, questões mais urgentes a considerar, não menos importante
entre elas a salvaguarda da minha própria vida.
Você vai tomar meu sangue?
Eu pensei em Clariss, que gritava com alegria sensual ao pensamento de um
atraente e jovem vampiro, e freqüentemente suspirava sobre as descrições dos filmes
de demônios sugadores de sangue em laços românticos com meninas da minha idade.
Ela iria dar as boas-vindas ao Kian, eu pensei. Eu certamente não estava interessada
em ser assassinada antes de ter dezessete anos.
Ele considerou. — Você seria um prato delicioso para as diversas espécies em
Feyland — ele disse. — Os Pixies iriam te querer para o café da manhã. Eu temo,
entretanto, que eu estou mais interessado nos vinhos das frutas das fadas do que o
sangue de uma inocente, se eu não tiver-la ofendido.
Ele estava brincando comigo? Não tinha nenhum sinal de um sorriso em seus olhos.
Apenas animais como Pixies tomam sangue. Faeries são muito civilizados para
isso.
Então —você é quase humano!
Ele pareceu de algum jeito ofendido. — Eu acho que iria ser melhor você falar que
os humanos são quase como os fairy.
Eu temo que ainda não sei. — Eu enrijeci. Eu não estava em nenhum perigo tísico
imediato, mas eu não estava particularmente interessada em ser extremamente
educada com o homem que tinha recém me seqüestrado.
Certamente você não se esqueceu como era nas Cortes?
Eu pensei nos meus sonhos. — Não, eu nunca estive aqui antes — Eu disse.
Certamente não estava preparada para doar nenhuma informação a mais do que era
estritamente necessário.
Eu poderia dizer que ele não acreditava em mim. — Sério, agora? — Ele disse. —
Você nunca sonhou — digo — uma vez ou outra, de um lugar que você não poderia
descrever? Ou um lugar que você não poderia colocar o dedo — mas era mais familiar
para você do que sua própria casa, sua própria cama?
Eu não conseguia mentir para ele; ele podia ver diretamente através de mim. —
Sim — eu disse finalmente. — Tão longo quanto eu posso me lembrar eu tenho tido
sonhos. Mas era tudo o que isso era. Um sonho. Eu não sei por que eu estou aqui.
Isso é um sonho? — Kian começou a andar pela extensão da floresta. Eu vi a
grama respondendo a sua aproximação, e partindo — fazendo um caminho em meio à
vegetação densa. Eu bocejei.
Talvez você pense que isso fosse um sonho — Kian continuou, quebrando o feitiço
da minha distração. — Mas você estava aqui — morou aqui — uma vez. Na sua
infância. E então em seus sonhos — voltou para visitar. Você e eu brincamos na
Summer Court, com minha irmã Shasta. Nós escondíamos laranjas e uns aos outros
tinham que achá-las. Nós entramos nas fontes e tentamos perseguir os fênix — nós
nunca pegamos nenhum; fênix são pássaros astutos. Nós até aprendemos a dançar
para o nosso casamento.
Nosso casamento? Eu era uma criança! (E ainda eu não conseguia deixar de sentir
que de alguma forma eu sempre soube disso. Eu o tinha pintando — uma e outra vez.
Isso quase fazia sentido... Eu forcei os pensamentos a saírem da minha cabeça.
Delano o Pixie quase tinha me hipnotizado para atração para ele. Por que eu tenho
tanta certeza que Kian não estava fazendo o mesmo?)
Nossos pais arranjaram isso — Kian encolheu os ombros.
Eu pensei na minha mãe arranjando meu casamento e comecei a rir. Ela era uma
crente firme que mulheres deveriam permanecer solteiras -— e livre
tanto quanto possível, e explorar várias aventuras diferentes de romances nesse
tempo.
Eu duvido que minha mãe deveria ter feito isso — Eu disse.
Ah sim — Kian disse. — Sim, sua mãe Raine, e seu pai o Rei Summer.
Eu coloquei a questão da filosofia da minha mãe em casamentos de lado
por um momento. — O Rei Summer? — Eu cai na gargalhada. — Isso é ridículo!
Eu nem mesmo sei quem o Rei Summer é?
Mais ou menos o que parece — Kian disse, com uma expressão um tanto
exasperada. — A Summer Court é governada por um Rei Summer.
Bem, sim, eu entendo isso... então eu sou uma....uma princesa real? — Eu tentei
empurrar Kian na brincadeira, esquecendo de mim mesma. — Saia. Essa é a mais
ridícula...
E eu sou Kian — o Príncipe Winter — o filho da Rainha Winter.
Eu o parei. — Isso não faz sentido — Eu disse. — Winter e Summer são estações.
Como você pode governar uma estação? Isso não significa que a sua família e à minha
tenham que se revezar?
Ele sacudiu sua cabeça. — Não na Feyland. Em seu mundo, estações são tempos.
Em nosso mundo eles são lugares. Uma onde é sempre verão. Outra onde é sempre
inverno.
Eu tinha dúvidas sobre como exatamente a Feyland existia em relação à terra, e
como isso se encaixava com todo o meu conhecimento básico de física, mas de alguma
forma eu senti que esse não era o momento.
E o Rei Summer é um fairy. — Kian continuou.
Então eu sou uma fairy.
Não seja estúpida — Kian disse. — Você é uma mestiça. — Tinha um tom leve de
desprezo em sua voz.
Uma metade fairy, então — Eu disse minha voz aumentando. — E eu não vejo o
que tem de errado nisto.
A parte fairy é muito mais urgente — ele disse. — Se você fosse apenas uma
humana eu não teria que passar por todo esse trabalho pra pegar você.
O que, eu estou atrasada para o nosso casamento?
Nós não estamos noivos — Kian disse bruscamente.
Mas eu achei que você disse... — Eu não tinha certeza do porque eu estar
protestando. Certamente eu deveria estar aliviada... ao invés, eu me senti vagamente
insultada.
Isso foi antes da Guerra das Estações — Kian disse. — Nós quebramos relações
diplomáticas com a Summer Court. Nosso contrato de casamento foi considerado
inválido.
Ele pegou minha mão. Por um momento eu pensei que ele estava sendo gentil.
Então seu aperto ficou mais apertado.
Então eu temo que agora você é minha prisioneira.
c a p í t u l o s e i s
Eu não pude deixar de rir. — Sua prisioneira? — Eu disse. — Isso é ridículo.
E então eu vi seu rosto. Poderia ter sido feito de pedra, eu pensei — sem piscar,
sem sorrir intensamente. Ele quis dizer o que ele tinha dito.
Eu considerei minhas opções. Eu poderia correr, eu pensei, mas Kian era mais
rápido do que eu — e mesmo se eu fosse capaz de escapar, eu não tinha idéia de
como voltar para o meu próprio mundo. Eu imaginei de alguma forma, não importava o
quão longe eu fosse, em qualquer direção, nenhuma estrada nessa estranha floresta
iria me levar de volta para Gregory, Oregon. Eu pensei em Logan, travando uma
batalha com o Rei Pixie e estremeci. Tudo o que eu queria era voltar para ele, colocar
curativos em suas fendas, ter certeza que ele estava bem — mas correr não iria me
levar a nenhum lugar. Eu poderia argumentar com Kian, o convencer a me deixar ir —
mas sua expressão era impenetrável, como o gelo em seu reino. Um Principie Winter,
eu percebi, não era exatamente o tipo para quem se espera um coração quente.
Isso me deixou com uma opção. Juntar quantas informações eu poderia conseguir
dele antes de mesmo considerar fugir. Se meu pai era o Rei Summer, eu raciocinei que
certamente ele iria ter alguma influencia — mesmo se os dois reinos estavam em
guerra.
Ok — Eu disse. — Tá bem. Eu sou sua prisioneira. Você venceu. — Eu joguei
meus braços. — Mas eu não sei o que de bom isso vai trazer. Eu vivo no mundo
humano — não na Summer Court. Eu nem mesmo sou parte nessa guerra.
Essa não é minha decisão — Kian disse gravemente.
Isso foi animador. Se ele não estava me caçando com a intenção de me matar ou
me manter prisioneira, eu poderia ter uma chance em mudar sua mente.
Minha mãe é que ordenou sua captura — ele disse.
Isso foi menos positivo.
A Rainha Winter declarou que quem quer que capturasse a filha do Rei Summer iria
ganhar um grande favor em seu reino.
Então, você me pegou primeiro — Eu disse. — Mas para que você precisa do
favor dela? Você é o filho dela. Você não irá herdar seu reino?
Kian sorriu amargamente. — Você evidentemente não encontrou com minha mãe
— ele disse. — Seus favores não são muito fáceis de atingir.
Mas eu sou, aparentemente — Eu disse. — Primeiro aquele Pixie — agora você!
Parece que todo mundo veio me encontrar. Aquele Pixie estava agindo sobre as ordens
de sua mãe, também? — Sendo capturada já era ruim o suficiente, mas a idéia de
várias pessoas que iria lutar por causa da recompensa envolvida era ainda mais
desagradável.
Kian sacudiu sua cabeça. — Os Pixies têm suas próprias agendas — Ele disse,
com evidente desgosto.
Como é que vocês dois me encontraram? Não é como se minha sala estivesse no
mapa da Feyland, eu suponho — eu apressadamente acrescentei. Qualquer coisa era
possível. — Como é que vocês vão de um para o outro, a propósito? — Esse era o
tipo de informação que eu precisava. Eu o assisti com cuidado.
Você deu um sinal — ele disse. — Sem querer, eu aposto. Você esteve se
escondendo muito bem, na terra bárbara, especialmente em uma pequena cidade como
a sua onde nós não temos interesse em visitar. Mas você está com a idade agora.
Idade para o que? — Eu decidi convenientemente ignorar a “nação bárbara”. Havia
tempo de sobra para defender minha espécie mais tarde.
Se casar. Uma vez que os fairy chegam na idade de se casar, sua mágica é mais
aguçada — outros fairies podem sentir isso. Com um fairy real, tais como você, o sinal
é ainda mais forte...
Isso é nojento! — Eu disse. — Eu estou... no cio fairy?
Eu não colocaria isso assim — Kian disse. — Esse tipo de conversa não é próprio
para uma donzela real. Apenas o fairy destinado é suposto a sentir o sinal. O Pixie —
eles tem jeitos — ele pode ter pego o sinal.
E você é meu pretendente.
Formalmente, Ele disse.
Mas o contrato foi quebrado — Eu disse — Certamente você não sentiu nenhum...
sinal. Kian sorriu. — Como uma sociedade — ele disse — fairies são obrigados a seguir
muitas das mesmas regras como os humanos — leis, contratos, reinos, regias. Nós
não podemos simplesmente trabalhar com mágica sozinhos, mais do que os humanos
podem governar sua sociedade inteira com violência e poder. Se nós apenas
escutássemos as leis mágicas, Feyland iria ser apenas um pouco mais do que uma
ditadura mais forte. Então isso é uma coisa necessária que temos como você —
tratados, contratos, pedaços de papel que nos diz o que podemos e o que não
podemos fazer. Para uma sociedade melhor.
Uma que nem mesmo consegue manter a paz — Eu resmunguei.
Mas mágica — ainda está lá — Kian disse. — E não importa o que nossas leis e
contratos dizem, as leis das mágicas são fortes. Isso é o porquê elas são tão
perigosas. Eu temo que um vinculo mágico não pode ser quebrado tão facilmente
quanto um contrato de casamento.
Bem, minha mãe diz que casamentos são uma ferramenta para o patriarcado — Eu
disse. Claramente, ela tinha alguma experiência com legalidade fairy. Então, Kian ainda
estava ligado comigo. Isso poderia ser útil. Eu decidi convencidamente ignorar aquele
sentimento que era mútuo.
Então, magicamente, eu ainda sou sua pretendente — Eu disse. — Você ainda
esta preso a mim.
Ele assentiu, não dizendo nada.
Então por que me levar como prisioneira? — Eu não tinha nenhuma experiência em
flerte. Eu imaginei isso envolvido nos meus cílios e imitando o comportamento de
Clariss em volta de Logan. — Certamente você não quer levar a mulher que você ama
prisioneira...
Ele levantou bruscamente. — Eu nunca disse que a amava. Há interesses políticos
em jogo, interesses muito mais interessantes que emoções.
Eu pensei que você tinha dito que as leis mágicas são muito mais poderosas do
que as leis do estado.
Eu não nego isso — Kian disse rigidamente. — Mas é precisamente por isso que
as leis do estado são requeridas para colocar limites nas leis mágicas. Ou então seria
um caos. E agora, Breena, meus interesses são pelo meu reino. Até mesmo um
Halfling{9} com você pode entender isso.
Eu me arrepiei. —Halfling! — Eu disse.
Eu ouvi uma leve e suave risada atrás de mim. Eu me virei para ver outro fairy
sentando em uma das árvores. Como Kian, ele era pálido, com cabelos de cobre
escuros que brilhavam com um brilho metálico. Winter, eu adivinhei. Se eu quisesse
sobreviver a isso, era uma boa idéia começar a distinguir os fairies Winter dos Summer.
Tomando seu tempo, não está, Kian? — Disse o fairy.
O aperto de Kian aumentou em volta do meu pulso. — Eu peguei ela, Flynn — Ele
disse. — E eu irei levá-la para a Rainha.
Ela é linda como nas histórias — Flynn disse.
Obrigada — Eu disse rigidamente, olhando-o diretamente nos olhos. Eu me lembrei
das aulas de lutas da minha mãe. — Se você é uma mulher que está sozinha com um
homem em qualquer situação — ela sempre me dizia — do local do trabalho para a
escola, a última coisa que você iria querer é eles comentando sobre sua aparência.
Eles não irão levá-la a sério.
Então novamente, minha mãe aparentemente tinha dormido com o rei fairy. Talvez
seu conselho não era inteiramente intencional.
Você pretende fugir com ela? — perguntou Flynn. — Ou você ira levá-la
diretamente para a Rainha Fairy.
Antes que me permitisse compreender o que “fugir” poderia significar, Kian sacudiu
sua cabeça. — Eu sigo o comandado da minha Rainha — da minha mãe. Eu, e ninguém
mais, irá levá-la.
Flynn entendeu e se curvou. Seus olhos tinham o olhar de um lobo faminto, apenas
impedido de pular em cima da presa.
Como você desejar, meu Príncipe. — Flynn disse. — Mas não se atrase, ou eu
terei que levá-la. Eu tenho estado procurando por uma promoção, afinal de tudo — Ele
disse, manuseando o cabo de sua espada.
Eu não estava imensamente interessada em Kian, mas ele parecia à coisa mais
segura no momento. Eu toquei sua mão. — Eu sou a pretendente dele
Eu disse. — Eu seguirei as ordens.
Flynn saudou Kian e desapareceu, suas asas batendo contra o céu.
Eu considerei Kian. —Você não tem asas —eu disse.
Sob minha capa — ele disse. — E considerado muito rude mostrá-las em publico
ao menos se está no ar.
Então, eu sou uma prisioneira — Eu disse. — Por que você não contata a Summer
Court e pede um resgate? E então eu poderia ir para casa, e você pode conseguir
algum dinheiro — ou prata — ou o que quer que seja que vocês usam como moeda, e
iremos esquecer que tudo isso já aconteceu.
Não é tão simples — Kian disse. —A troca deve ser feita.
Que troca?
Você é a prisioneira da guerra — Kian disse. — Assim como minha irmã Shasta.
Eu me lembrei da menina risonha que tinha dançado conosco em meu sonho.
Na Summer Court? — Eu perguntei.
Ele assentiu.
Bem, eu sou uma princesa, não sou? — Eu disse. — Me deixe ir e eu a soltarei.
Isso parece justo para mim.
Não é tão simples — Ele disse novamente. —A Rainha Summer trata suas vítimas
sem perdão.
Isso é ridículo! — Eu disse. — Eu conheço minha mãe — ela é absolutamente a
mulher mais legal do mundo — um pouco estranho, mas ela certamente não iria
começar a torturar prisioneiros.
Kian parecia perplexo. — A Rainha Summer não é sua mãe, Breena — Ele disse.
Então o Rei é casado?
Isso complicava as coisas.
—Sim — Kian disse.
Não, Não! — Minha mãe poderia ter sido de um modo — “liberal” — ao seu ver no
romance (certamente a população de Gregory, Oregon, pensavam assim), mas ela
nunca teria se envolvido com um homem casado, fairy ou não fairy.
Então eu não sou a herdeira do trono, sou? — Eu disse. — Certamente o Rei
Summer deve ter algum filho legítimo.
Não, Breena. A Rainha é estéril. E o Rei precisa continuar sua linhagem...
Com uma mortal? Isso não faz sentido.
Poderia ter sido pior, talvez, se fosse uma fairy — Kian disse. — Pelo menos sua
mãe não é uma ameaça política para a Rainha. Se um fairy tivesse sido mãe de um
futuro herdeiro do trono, as implicações políticas poderiam ter sido muito piores...
Presumo que a Rainha não deve gostar muito de mim — Eu disse. Se meu mando
fosse pai de uma criança com outra mulher, certamente eu não estaria dando as boas
vindas para ela de braços abertos.
Você está certa — Kian disse.
Fantástico — Eu disse. — Então eu sou a herdeira de um reino governado por
alguém que me odeia, eu sou sua prisioneira, eu estou sendo perseguida por Pixies —
tem alguém em Feyland que goste de mim?
Eu era ainda menos popular na Feyland do que eu era na escola.
E uma boa coisa eu ter a encontrado — Kian disse. — Vários habitantes da
Feyland querem te matar.
Mas você vai me manter viva, Eu disse, aliviada. — Por Shasta. —
Tanto quanto as situações ruins eram essa certamente poderia ter sido pior.
E claro, dada a minha sorte, essas são precisamente quando as coisas ficam
piores. De repente, de um canto da clareira, ouvimos uma serie de uivos
uivos estranhos e sublimes que pareciam um cruzamento entre rugidos de leões e
o cacarejar de um chacal.
Kian saltou. — Minotauros. — Ele disse. — Corra!
Mas eles eram muito rápidos, todos eles — tão rápidos que eu nem mesmo
poderia ver suas formas — apenas os chifres e suas cabeças, seus dentes
aparecendo, suas presas...
Kian os atacou, sua lança e espada em mãos, combatendo um a um.
Me apoiei contra uma árvore, tendo certeza que nenhum Minotauro poderia chegar
em mim por trás. Kian estava diante de mim — a única força entre os Minotauros e eu.
Eles o arranharam, cobrindo seus braços e rosto com faixas prateadas o que deve
ser sangue de fada.
Um passou por ele enquanto ele lutava com outro, vindo diretamente para mim.
Eu tentei correr, mas era tarde demais. O Minotauro empinou em cima de mim. Eu
capturei um brilho em seus olhos. Eles eram escuros e sem fim. Eu poderia ver o
reflexo da minha morte neles.
De repente eu estava coberta em sangue. Eu ouvi o uivo do minotauro, senti sua
respiração pulsando em mim enquanto ele caia para trás. Kian puxou sua espada das
costas da criatura.
Ali — Ele disse. — Agora vamos sair daqui. Eu não tenho a força para muitas
batalhas sem algum medicamento. E terá mais.
Ele agarrou meu braço e me puxou atrás dele. Eu resolvi que uma vez que eu
conseguisse respirar, eu exigiria algum tipo de arma para defesa pessoal.
c a p í t u l o s e t e
Nós rasgávamos através das arvores, Kian e eu. Ele me arrastou pela mão,
correndo na velocidade fairy, enquanto eu tossia, engasgava e gaguejava atrás dele.
Eu era apenas uma humana, eu pensava comigo mesma, tentando recuperar o fôlego
enquanto nós pulávamos sobre riachos e córregos, corríamos através dos vales das
florestas e clareiras, como eu poderia esperar correr mais rápido? Eu nem mesmo
tinha asas.
Por que nós não podemos só voar? — Eu tossi.
Pixies sondam o céu —vamos lá!
Eu estava me lembrando da minha agonizante aula de PE{10} na escola, onde
Clanss constantemente me superava, seu corpo bronzeado e ágil fazendo círculos em
volta da minha forma pequena na pista. Por mais que eu a desprezava, eu acho que eu
com certeza preferia ela do que os Minotauros.
Enquanto nós comamos, entretanto, eu comecei a recuperar meu fôlego e minha
força. O ar fairy tinha um estranho efeito sobre mim — ou talvez era apenas o sangue
fairy — e meus pulmões finalmente pareciam aumentar de tamanho para pegar mais ar,
minhas pernas empurravam mais rapidamente o chão, e logo eu não estava apenas
recuperando a distância de Kian, mas perto de liderar o caminho, nos colocando
através de penhascos pedregosos e ao longo de costas arenosas.; Eu tinha pouco
tempo para observar ao meu redor, e, ao mesmo tempo, eu não podia deixar de ser
afetado por elas. A terra da Feyland não parecia ter uma ecologia perceptível — ao
invés, as ondas se movimentando e as praias ensolaradas deram lugar no espaço para
montanhas com neves e penhascos salientes e severos. Tinha alguns trechos no chão
que pareciam tropicais — calor fétido, murmúrio vibrante de mato — e na outra área
que era como a floresta que eu tinha visto primeiro. De canto dos meus olhos eu vi
todos os tipos de criaturas — não apenas outros fairies, mas sereias entrando e saindo
das ondas do mar, centauros galopando ao nosso lado, os sons da dança dos sátiros
na distância. Eu sempre tinha lido minha mitologia do Causabon assiduamente,
memorizando cada fato sobre todas as criaturas mágicas, mas eu sempre pensei que
essas criaturas fossem fictícias — produtos dos medos, anseios e agitações da
inconsciente historia humana. Mas eles eram reais — as coisas mais lindas e mais
terríveis que a mente humana jamais supôs — tio real e verdadeiro como eu era. Eu
era uma deles.
Agora que você pegou seu segundo fôlego — Kian chorou, enquanto finalmente nos
chegamos nas montanhas com neve, projetavam-se em linha reta quilômetros de
grama. — Você pode acalmar agora; Nós estamos quase lá.
Por que acalmar agora? Qual caminho eu estou correndo?
Apenas o caminho.
Chegamos finalmente a uma casinha feita de pedra, meio escondida na encosta,
coberta de neve.
Isso não é a Winter Court, é? — Eu disse, com nenhuma medida insignificante de
desdém, enquanto nós entravamos. Eu tinha, depois de tudo, alguma medida crescente
de orgulho pela Summer Court.
Não — Kian disse. — Eu apenas venho aqui para caçar.
Eu não perguntei o que ele gostava de caçar.
Tranque a porta atrás de você — Kian disse. Eu pensei em Logan, dizendo aquelas
mesmas palavras cedo naquela tarde (tinha sido naquela tarde?) e meu coração ficou
pesado novamente.
Bem, minotauros — Eu finalmente disse.
Minotauros — ele disse. — Eles, como muitos da Feyland, estão fora pela
recompensa pela sua cabeça. Qualquer um, ou eles estão apenas querendo comer
você. Fairies não falam a língua dos minotauros; nós os consideramos animais.
O meu lado conservacionista saltou. — Bem, só porque vocês não entendem eles
não significa que eles são bestas!
Preferia ter ficado lá e ter batido um papo?
Ele tinha um ponto.
Eu olhei em volta da cabana. Era diferente das cortes que eu tinha visto em meus
sonhos — grandiosa cheia de beleza inefável e inspiradora. Não, esse lugar era menor
— até mesmo — eu me atreveria? — humano. As paredes eram cobertas com
afrescos — pinturas diretamente das pedras. Eu comecei a olhar para uma — um
estúdio de dança fairy. Enquanto eu olhava, as figuras pareciam ficar mais e mais perto
de mim, como se eu fosse atraída para o mundo deles. De repente, eles começaram a
dançar — primeiro na pintura, e então ao meu redor; Enquanto eu olhava ao redor
parecia que eu tinha sido transportada para dentro do mundo da pintura, de modo que
eu estava de pé no meio da Court fairy, escutando novamente a valsa fairy. Eu tinha ido
no museu d’Orangerie em Paris quando eu era pequena, e sentada no “Monet Room”
— onde Monet tinha pintado uma tela circular que ia ao redor de toda a sala,
envolvendo o público na história da pintura. Isso nem mesmo se comparava a isso.
Kian riu, e de repente as imagens ao meu redor sumiam.
Você não esta acostumada com a arte fairy — ele disse. — Aqui nós pintamos em
três dimensões. Essa é um dos meus melhores trabalhos.
Você fez isso? — Meus olhos ampliaram. — Incrível! — Eu olhei para Kian com um
pouco de admiração. Ele era um ótimo artista, como eu era.
Eu me orgulho muito disto — Kian disse.
Antes que eu pudesse responder, houve uma batina na porta. Nós dois
enrijecemos.
Não — Kian disse em breve. — E seguro, abra.
Em passos largos a criatura mais engraçada que eu já tinha visto — metade
homem, metade cabra com chifres em suas cabeças que pareciam com eles estavam
em perigo constante de cair.
Pan! — Kian disse. — Que bom que se juntou a nós. Pan é um sátiro, Bree.
Eu percebi — Eu disse, um pouco mais defensivamente do que o necessário.
Olá, linda! — O sátiro correu até mim, dando uma farejada intrusiva em mim. —
Muito bem, Kian!
Pan — Kian disse, com uma nota de aviso em sua voz.
Tudo bem — Eu disse. — Muito bem de tato, Kian.
O Sátiro riu. — Você tem muita coragem, menininha.
Bree — eu disse. Eu fui um pouco mais ousada. — Princesa Bree, se você não se
importa.
Os olhos do sátiro se ampliaram. — Da Summer Court! — Ele quase caiu para trás
sobre si mesmo se curvando. — Desculpe, eu não queria me intrometer na ah, em, uh
em caso político.
Eu não percebi que você tinha tantas jovens mulheres fairy, Kian — Eu disse. E
claro que isso era de ser Esperado. Ele era atraente, apesar de tudo, e eu imaginei
que o mundo fairy não era tão diferente do mundo humano nesse aspecto.
Pan exagera — Kian disse, rigidamente. — Nós tivemos um infeliz encontro com
um minotauro, Pan.
Ouch — Pan disse, balançando seus chifres. — Criaturas furiosas, não são
minotauros?
Na verdade são. — Eu me virei para Kian. — Sena uma boa idéia eu ter uma
espada para lutar contra eles, você não acha?
Kian zombou. — Eu não acho que dar uma espada para meus prisioneiros é uma
boa idéia — ele disse.
Pan encolheu os ombros. — Ele tem um ponto, você sabe. Então — ele se virou
para Kian. —Você a esta levando para a Winter Court?
Tão breve quando eu me recuperar dos meus machucados, sim — ele disse. —
Isso é, se a princesa não tentar escapar novamente.
Você não precisa me manter prisioneira — Eu disse exasperadamente.
Eu não sou burra. Se eu sou da realeza, e se você quer me trocar por sua irmã,
você não irá me matar — o que é mais do que eu possa dizer sobre qualquer um aqui.
Me de uma espada. Eu não irei tentar fugir, então você pode parar de me tratar como
uma prisioneira e começar a me tratar como — bem — uma convidada!
Como eu posso saber que você não vai fugir? — Kian disse.
Eu rolei meus olhos. — Eu pareço que eu quero ser comida por um minotauro? Ou
mordida por um Pixie.
Ele tinha que admitir que eu tinha um ponto.
Se você quer que eu vá para algum lugar, apenas me pergunte. — A coisa inteira
parecia abundantemente tola para mim. Pixies e minotauros eu poderia entender.
Tratos políticos e guerras pareciam arbitrários. Então novamente, minha mãe tinha sido
uma ardente protestante contra guerra. (Novamente, eu me lembrei, minha mãe tinha
tido um caso com o Rei Summer. Eu me senti vagamente nauseada).
Muito bem, Sua Alteza. — A voz de Kian estava carregada de sarcasmo. — Você
se importa em ficar aqui hoje a noite, antes de partirmos no dia seguinte para a Winter
Court?
Por que, sim, sua Alteza — Eu disse. — Muito obrigada pelo convite tão-educado.
Seria muito encantador me juntar a você para um passeio maravilhoso na Winter Court!
Eu tenho estado esperando você me pedir isso há muito tempo.
Pan riu cordialmente. — E um fogo de artifício que você tem ai — Pan disse. —
Agora, alguém quer algum vinho de fruta fairy?
Vinho de fruta fairy, eu descobri, era designada para fairies — bastante suficiente.
Para Kian, isso parecia ter um gosto relaxante e prazeroso; Ele podia beber copo atrás
de copo sem ficar mais do que alegre. Para mim, eu percebi, tinha um efeito forte —
como uma metade-fada, eu imaginei, minha tolerância era menor. Eu parei depois de
um ou dois copos, e resisti às tentativas de Pan de colocar mais dentro da taça de ouro
que Kian tinha fornecido para essa finalidade. Pan, pelo contrário, claramente não tinha
nenhuma tolerância pelo vinho de frutas fairy; isso não o impediu de tomar taça após
taça, engolindo alegres doses do que ele chamava de conhaque de cerveja de vidoeiro.
No final, eu pensei, não era nem a qualidade nem a quantidade, mas a mistura, e Pan
ficou espantosamente desinibido e bêbado.
Olhe para a princesa Bree — ele chorava. — Nem mesmo oscilando. E uma
poderosa tolerância.
Negligenciei em mencionar que meu temperamento tinha algo a ver com isso.
E claro, Halflings são sempre mais poderosas do que fairies normais
ele acrescentou, rindo.
Oh, verdade? — Eu me virei para Kian, que olhou com raiva. — Você não
mencionou isso, Kian.
Claro que são! — Pan disse, rindo, ignorando os olhares furiosos de Kian. —
Evolução simples. A maioria dos humanos morrem com um beijo fairy; apenas os
poderosos sobrevivem. Então qualquer halfies — eles são feitos de alguma coisa muito
forte. Evolução simples.
E verdade, Kian?
Ele não disse nada. Por fim ele admitiu. — Eu não acho que é isso, ah, prudente se
lembrar meu... Convidado... Que ela é particularmente poderosa, sob as circunstâncias.
Eu o atirei um sorriso doce. — Claro que não — eu disse. — Eu entendi
completamente.
Eu não queria admitir, mas eu estava gostando da nossa réplica. Inimigos mortais
ou não, Kian poderia me contradizer palavra por palavra, sobrancelha levantada por
sobrancelha levantada; Existia uma razão, eu pensei, que nós dois éramos sangue
reais. E pelas leis da mágica nós éramos pretendentes um do outro. Isso certamente
era melhor do que ser atacada por Pixies.
Uma vez que nós chegássemos para a Winter Court, eu pensei, seríamos capazes
de resolver isso. Eu tinha sido um Modelo das Nações Unidas{11} na escola, afinal de
tudo; Quão diferente as políticas fairy poderiam ser? Eu tinha certeza que a guerra
entre a Winter e a Summer Courts poderia ser finalizada com a quantidade certa de
influência real — e eu era a princesa. E então, eu pensei contra mim mesma, o contrato
de casamento ainda estaria de pé.
Eu olhei para Kian — que parecia ainda mais lindo pelas luzes de vela do que ele
parecia algumas horas antes — e empurrei o pensamento para fora da minha mente.
Era apenas o vinho de frutas fairy, eu decidi.
Pan, entretanto, estava dançando em cima da mesa. Ele tinha capturado o que
parecia um vagalume em sua mão, e o colocou em baixo de um vaso de vidro claro;
assim preso, o vagalume começou a cantar em uma melodia melancólica.
Ele está pedindo para nós o deixarmos ir embora — Pan disse. — é o costume
dos ballad-bug’s.
Você não pode aprisionar uma criatura viva! — Eu disse. Eu lancei um olhar para
Kian em ênfase.
Desculpa — Pan disse — Mas isso é tradição, princesa. Ballad-bug cantam para
nós em ordem de ganhar sua liberdade, nós deixamos eles irem; eles voam em volta
alegremente até a próxima pessoa os pegar. Nós damos um pouco de vinho de frutas
fairy antes deles irem. Ele não importa.
E justo, eu pensei. As musicas dos ballad-bug’s não pareciam tão miserável — ele
atingiu uma nota de jazzy, e logo Pan pulou para seus pés para dançar um pouco mais.
Venha aqui, vamos dançar princesa — Pan chorou, pegando minhas mãos na dele.
Ele cheirava como cabra, apenas menos agradável.
Eu prefiro não — Eu disse.
Bem, se você preferir ir para algum lugar mais privado — Pan continuou, me
arrancando em volta do chão da pequena sala. — Nós podemos ir lá para cima e ter
uma pequena... testa só nossa!
Isso é... muito lisonjeirador — Eu disse — mas eu tenho que protestar.
Apenas um beijo? — Pan continuou. — Vamos, apenas um!
Basta! — Kian gritou. — Você está falando com uma princesa de sangue fairy real!
Summer ou Winter Court, Não irei permitir qualquer mulher da categoria e sangue dela
ser caluniada por avanços insolentes! Suba e durma
é um comando real!
Pan não parecia estar em qualquer estado de espírito favorável, mas
aparentemente um comando real tinha algum componente mágico; quase contra ele
mesmo, Pan subiu para cima das escadas de pedra, e para fora da vista.
Me desculpe Sua Alteza — Kian disse. A diferença era real desta vez.
Com guerra ou sem guerra, existem jeitos honráveis de comportamento.
Tradição — Eu disse, libertando o ballad-bug. Ele me jogou um beijo com uma
boca pequena e enrugada antes de mergulhar suas asas na jarra do vinho de frutas
fairy e voar. — E claro — eu não podia ajudar, mas suavizei.
Obrigada — Eu disse.
Eu não tinha a intenção de... me comportar com desrespeito em levá-la prisioneira
— Kian continuou. — Não é nada pessoal.
Oh, é claro — Eu disse. — Você é apenas meu ex-pretendente.
Não foi minha escolha — Kian disse quietamente. — Eu não decidi ir para guerra.
Mas eu tenho que cumprir meu dever pelo meu reino, e se isso significar dar... minha
pretendente, então eu devo dar. — Ele corou, ligeiramente. — O que quer que as leis
mágicas possam dizer para contradizer.
Eu pensei que não tivesse lei mais forte do que a da mágica — eu disse acima de
um suspiro.
Ele olhou para mim, seus olhos mais escuros e mais intensos. — Não existe lei
mais forte do que a da mágica — Ele disse suavemente. Ele estava parado
perigosamente perto de mim; seus cabelos brilhavam sob o luar. Naquele momento, eu
poderia acreditar o que ele disse era verdade. Nós estávamos pertos o suficiente onde
eu podia ver meu reflexo em seus olhos e se eu levantasse a mão, eu poderia
facilmente traçar a suave curva de seus lábios carnudos com as pontas dos meus
dedos. Ele meio que fechou seus olhos e colocou seus braços ao meu redor, me
puxando mais perto. Eu meio que fechei meus olhos... Antecipando o que eu sempre
sonhei.
Eu devo ir dormir — ele disse asperamente, de repente pulando para longe. — Eu
sugiro que você descanse. De manhã, princesa, nós iremos para a Winter Court. Você
pode dormir no sofá; Eu temo que seria inconveniente te permitir entrar nos meus
quartos particulares lá em cima. Eu posso confiar que não vai fugir — se eu não te
amarrar, eu quero dizer — Ele parecia um pouco embaraçado.
Eu te dou minha palavra como Princesa — Eu disse, tentando não pensar nos
braços de Kian ao meu redor há alguns segundos atrás.
Então eu confiarei em você — como qualquer Príncipe da cavalaria deveria fazer.
— Boa noite.
Eu me curvei no sofá e fui dormir — tão cansada para pensar em qualquer coisa
nesse longo e estranho dia.
c a p í t u l o o i t o
O amanhecer me acordou antes que Kian. Era um amanhecer estranho, bem
diferente do nascer do sol no meu mundo. Primeiro, uma luz vermelha profunda
apareceu sobre as montanhas -— Primeiro eu pensei que alguma criatura tinha
colocado fogo na floresta, no mundo humano a única luz que fazia essa cor era fogo.
Então se transformou em uma cor laranja vivo antes de gradativamente ir se
transformando em um brilhante amarelo dourado que nós no mundo humano
associamos apenas com os dias de verão ao meio dia
aquelas raras horas perdidas nas praias, ou no campo, quando o mundo parece
tão agradável, acolhedor e encantador como a pele de um golden retriever.
Eu comecei a entender, e não estava surpresa quando as luzes lentamente viraram
verdes — uma suave cor como a cor das arvores fairy, e então azul, índigo e roxo —
as cores do arco-íris. Eu estava, entretanto, surpresa quando o vermelho voltou rápido
desta vez, e então o ciclo se repetiu, cada vez ticando mais rápido até não ter nada só
às luzes do arco-íris em todas as suas brilhantes manifestações sobre o chão da
pequena cabana.
Oh, minha cabeça... — Eu podia ouvir Pan gemer lá de cima. Eu tinha que admitir
que eu sentia pena dele. A maioria dos garotos da minha escola ficavam bêbados e
faziam coisas estúpidas, mas eles raramente tinha a raiva de um Príncipe real para
lidar mais tarde.
Eu continuei olhando para o amanhecer fairy, fascinada com as luzes da manhã. Eu
coloquei minha cabeça para fora da janela para ver o que poderia acontecer em
seguida. Tudo nesse mundo era tão novo, tão lindo e estranho
como as coisas no meu velho mundo, mas muito melhor. Eu sempre costumava
imaginar que eu não me ‘encaixava’ no mundo humano, que tinha alguma coisa errada,
que eu deveria estar em algum outro lugar e que era apenas um acidente na
providência que eu era uma menina de dezesseis anos com sapatos gastos e meu rabo
de cavalo debruçado sobre a tarefa de álgebra. E agora eu tinha encontrado minha
resposta. Por dezesseis anos minha alma tinha sido atraída para esse lugar, essa
estranha pátria, em direção a esse arco- íris do pôr do sol e árvores sussurrantes.
Isso quase valeu à pena, eu não conseguia não pensar — arriscar tanto a minha
vida com pixies e minotauros, se isso significasse ver um pôr do sol como esse.
O sol — uma grande massa em chamas — começou a se separar. Um sol era
laranja e amarelo, ardente e extraordinário, com línguas de fogo quente saltando para
fora. Ele ficou imóvel na distância, em um pedaço do céu que era brilhante, azul e
intenso. O outro sol estava calmo e leitoso — como um ovo, mesmo como que no velho
mundo teria sido chamada de lua — e isso parou entre as extensões brancas acima de
nós, proporcionando uma luz brilhante e azulada.
Dois sois aqui — Kian disse, vindo atrás de mim tão suavemente, meu coração
pulou. — O Sol Winter e o Sol Summer.
Então, meu reino é para lá? — Eu disse, apontando para a bola laranja em chamas
na distância.
Sun, - ele disse. — Lá é a terra da Summer.
Eu senti orgulho varrer meu coração. — Eu gosto mais daquele sol — Eu disse. —
Eu sempre gostei mais do verão do que do inverno.
Como convém — Kian disse. — Eu tenho que me desculpar, mas não posso te
escoltar para sua pátria. E minha esperança que... Você chegara lá eventualmente.
Está bem — Eu disse. — Você esta fazendo o que você tem que fazer. Tenho
certeza que uma vez que nós explicarmos para a Rainha Winter tudo isso vai se
resolver. Nós iremos trazer Shasta para casa, e então eu irei poder ir.
Eu espero que sim — Kian disse. Seu rosto era escuro; seus olhos pareciam
cheios de escuridão. Por um breve momento, eu pensei que o vi ficar um pouco tenso,
como se quisesse fazer algo, mas tinha alguma coisa contra isso.
Partimos pela manhã para montanha dentro que a cabana de caça de Kian tinha
sido feita. A neve era mais dolorosa; o frio não era doloroso. Pelo contrário, os flocos
eram gentis na minha pele, como bolas macias de algodão, e o vento não era afiado e
cortante, e sim revigorante — me enchendo com energia fresca e calma enquanto meu
cabelo se esvoaçava no vento.
Então, me fale mais sobre a Feyland — Eu disse para Kian. — Enquanto nós
caminhamos. Eu quero saber tudo sobre isso!
Eu nunca fui bom em lição de história quando eu era um garoto — Kian disse. —
Eu sempre achei muito tedioso.
Bem, eu não acho isso tedioso — Eu disse. — Eu gostava de história quando eu
estava na escola — e eu acho que a história de Feyland é ainda mais interessante do
que o normal.
Para ser justo — Kian disse — para mim — isso é o normal. Nomes, datas, Reis e
Rainhas Fairy e Guerras Fairy.
Faça-o interessante — Eu pretextei. — Comece com “Era um vez”.
Kian riu. — Não é assim que sua raça fala quando começam “histórias de fairy”?
Sun! Vocês contam histórias de humanos aqui?
Algumas vezes. Eles normalmente... — Ele corou um pouco, suas orelhas ficaram
rosas. — Bem, eles normalmente são umas grosseiras — o tipo de conto que alguém
conta em um pub. Os habitantes da Feyland encontram a ausência da mágica em ser
um pouco engraçado. Sem ofender.
Nenhuma levada.
Por exemplo — Na terra sobre o Rio de Cristal (assim nós nos referimos aos
humanos), uma vez tinha um homem e uma mulher. E o homem estava apaixonado pela
mulher, e a queria para ele. Mas porque ele não tinha mágica, ele não podia sentir ou
não podia “extrair” nada dela ou qualquer coisa, então ele não sabia se ela estava
apaixonada por ele ou não. Então o que ele teria que fazer?
O que?
Ele tinha que PERGUNTAR! — Kian não podia não rir.
Eu não entendi!
Perguntar para ela! — Kian disse. — E engraçado — porque ele não tinha mágica.
— Sua risada ficou mais alta e menos controlada, tilintando como sinos na neve de
inverno. — Ele teve que perguntar!
Eu percebi que tinha algumas barreiras culturais em Kian e eu não poderia
transcender.
Então como uma pessoa consegue passar da terra humana para Feyland?
Não é geograficamente — Kian disse — E mágica. E a maior magia de todas estas
ao longo do Rio de Cristal. Isso é o porquê as pessoas vão lá — para usar mágica — e
entrarem do outro lado. Pixies fazem isso uma vez ou outra, para caçar, mas ninguém
realmente se importa. E difícil, exaustivo, e — sem ofensa — não tem nada de muito
interessante lá.
E justo — Eu disse. — Então como a magia funciona, por falar nisso?
Kian parecia confuso. — O que você quer dizer?
Como — O que isso é?
Ele sacudiu sua cabeça. — Eu nunca pensei sobre isso — ele disse. — Mágica
apenas... é. — Ele refletiu. — Como, aquela pedra ali. Ela tem uma forma, certo?
— Sim
E ela tem um tamanho e um peso — Kian disse — Dependendo...
Claro — eu disse, perguntando o que a física tem haver com isso.
Bem, isso também tem mágica. — Kian encolheu os ombros.
E você tem mágica — Eu disse.
Tudo tem mágica. Mas não é a mesma mágica. E mágica nos deixa fazer coisas —
Como eu posso falar? Conecta com outra coisa mágica. Então porque eu tenho
mágica, e a pedra tem mágica, eu entro em um relacionamento com a pedra. E ainda,
se eu fechar meus olhos...
De repente a pedra começou a levitar.
O que você fez?
Eu não sei — Kian disse. — Isso é mágica. E difícil de explicar. Eu pedi para ela
subir, então ela subiu. Ou ainda, pedi para o ar embaixo dela a puxar para cima.
Mas se você estive lutando, digo, um Pixie, você apenas não pode pedir para ele
morrer?
Isso seria burrice — Kian bufou. — Você pedir para sua espada encontrar o
coração — você pede para a pele do corpo do Pixie se abrir — (eu me senti um pouco
doente com isso) — Você pedir para uma pedra ir até o Pixie. E o Pixie pede para sua
espada, suas pedras, e então faz a mesma coisa que você. Quanto mais forte a magia,
o mais provável é que o resto da Feyland te respeitem e te obedeçam.
Eu refleti. Fazia sentido. — Então tem apenas dois reinos? — Eu perguntei.
Em Feyland, Kian disse. -— Existem dois reinos Fairy — Summer e Winter. Eles
costumavam ser Autumn e Spring{12} também, mas eles foram conquistados — agora
eles são mais como vassalos ou cidade-estado. Spring é o vassalo da Summer, e o
Autumn é o vassalo da Winter.
E vocês não têm estações como nós temos.
Não como vocês — Kian disse.
Então como vocês marcam a passagem do tempo?
Com a maré do Rio de Cristal — Kian disse. — Ele transborda o banco uma vez a
cada cem separações do sol, que é como o amanhecer para sua raça.
E é com isso que vocês marcam os anos?
Mais ou menos.
Eu tentei calcular na minha cabeça. Assumindo que a separação do sois acontece
uma vez a cada dia humano, haveria três anos e meio nos anos fairy, dar ou tomar, em
cada ano humano. — Então eu estou com quase sessenta anos fairy. — Eu disse.
Sim — a idade do casório — Kian disse.
Ouvimos um barulho nas folhas.
O que é isso? — Eu perguntei minha mão fechando em volta do punhal que Kian
tinha me dado.
Fique com suas costas para mim — Kian disse. — Se alguém atacar pede para o
punhal o atacar.
As folhas se mexeram novamente. Eu tirei o punhal.
Breena! — Veio uma voz familiar. Era Logan.
Logan! — Eu gritei, correndo para ele. — Você está vivo!
Não graças ao seu amigo — Logan disse, rosando.
Ele parecia diferente em Feyland. Ele ainda era humano, mas agora, mais do que
antes, eu podia ver o lobo nele.
Como você chegou aqui?
Com dificuldade — Logan disse. — Eu explicarei mais tarde. — Ele se virou para
Kian. — Se importaria em deixá-la ir, por favor, então eu poderia escoltar a Princesa
para a Summer Court, onde ela pertence?
Isso é um assunto de estado — Kian disse irritado.
Lobisomens não têm filiação política — Logan disse. — Eu não sou ligada por leis
fairy ou contratos fairy.
Eu não tenho tempo para lidar com um sem-terra agora — Kian disse.
Eu tenho que a escoltar para a Winter Court.
Você não pode me levar para a Summer Court? — Eu o cortei. — Você sabe onde
é?
Olhe Bree — Logan disse. — Lobisomens — os sem-terras — como Kian insiste
em nos chamar — nós entramos e saímos entre os mundos. Metade em Humano,
metade em Feyland... Eu conheço Feyland muito bem.
Eu andei em direção a Logan. Eu estava indo muito bem para a Winter Court
enquanto não tinha outra alternativa viável; sob as circunstâncias, entretanto, eu
preferia muito mais ir para casa.
Kian puxou sua espada. — Eu não posso te permitir a retirar da minha presença —
Kian disse. — Além disso — Ele acrescentou — Bree fez um juramente fairy que ficaria
comigo.
Você fez o que? — Logan impinou.
Olhe Logan...
Não tinha tempo para explicar. Logan fez um uivo bem baixo — as vibrações
percorrendo seu corpo, seu corpo que estava mudando, sutilmente e ainda tão rápido...
O lobo pulou em Kian.
Espere, pare! — Eu gritei. Nós ainda estávamos no meio de uma montanha
perigosa, e a última coisa que eu queria era dois aliados feridos que não poderiam se
proteger e me proteger.
Kian lutou de volta, alcançando seu punhal, suas asas batendo sob seu casaco,
borrifando prata no chão.
Parem! — Eu chorei novamente. — Eu não vou ir a lugar nenhum, então vocês
podem parar de perder tempo!
Oh, sim você vai — Disse uma voz na minha orelha
Eu sabia isso muito bem.
Era o Pixie.
c a p i t u l o n o v e
Eu conhecia a voz de Delano. Era fria e cruel; A sua voz esfriou minhas veias como
água gelada. Eu podia sentir sua respiração gelada em cima da minha nuca, sentir seus
dedos ósseos e afiados cerrar em volta do meu pulso.
Desculpe interromper — Delano disse. — Mas eu estou sentindo uma fome
particular agora.
Kian e Logan tinham parado, e estavam agora ambos na minha frente, ofegantes e
cobertos de sangue. Eu sabia melhor do que eles que eles não estavam em estado
para me proteger agora. Eu tentei agarrar meu punhal, mas foi inútil. As mãos de
Delano estavam apertadas em volta da minha, forçando meus braços atrás das minhas
costas.
Mágica, Eu pensei. Eu tentei pedir para o punhal vir até mim, mas não adiantou.
Ele permanecia firme no meu cinto.
Vamos nos livrar disto, vamos? — Delano agarrou o punhal da minha cintura e
lançou-o nos arbustos.
Deixe-a ir, Pixie — Kian gritou — ou você terá a ira do Reino Winter atrás de você.
Eu sou um Pixie — Delano disse. — Eu já tenho a ira dos dois, Winter e Summer,
atrás de mim, e eu não pretendo parar agora. Se você sabe o que é bom para vocês,
vocês iram me permitir reivindicar meu prêmio.
Logan uivou.
Venha mais perto e eu irei matá-la — Delano disse. — Mas eu preferiria que você
não fizesse. Prefiro comer em casa. Em particular.
Eu estremeci.
Kian e Logan estavam longe demais agora. Não tinha nada que eles pudessem
fazer. Eu não podia lutar, e eu me odiei por ser inútil. Eu nem tinha sido capaz de
segurar meu punhal.
Hora de dormir, Breena — Delano disse. Ele se inclinou para minha orelha e
sussurrou alguma coisa — algumas palavras estranhas que eu não entendi. De repente
tudo começou a girar na minha volta — primeiro Logan, que começou a oscilar, girando
em um lobo e num homem, uma e outra vez, e então a grama, que começou a mudar
de cor, e o céu — que ficava escuro e claro.
O que está acontecendo? — Eu tentei murmurar, mas nenhum som saiu. Tinha só
caos — luz e escuridão —girando ao meu redor. A última coisa que eu vi foi o rosto de
Kian — O olhar de agonia em seus olhos enquanto eu comecei a engasgar,
desaparecer e murchar...
E então tudo ficou preto.
Eu acordei em uma sala escura. O chão estava molhado com mofo e limo; Eu
podia sentir abaixo de mim alguns fenos jogados descuidadamente que eu imaginei que
era minha cama. Eu não conseguia ver nada, apenas passei meus dedos para cima e
para baixo em uma pedra dura, senti onde ela terminou em madeira — uma porta! Uma
porta trancada. Eu comecei a bater na porta.
Me deixe sair! — Eu gritei. — Você cometeu um erro! Você pegou a garota errada.
Sem resposta. Isso não iria adiantar. Eu tentei novamente.
Eu sou a herdeira do trono Summer. Eu sou a princesa fairy da corte Summer, e eu
o ordeno a me soltar!
Veio um deslizamento de um metal, e a janela na porta abriu. Luz veio inundando a
sala, fazendo arder meus olhos. Um rosto apareceu na janela. Eu arfei. Era um pixie; eu
reconheci pelas orelhas e pela face magrinha, mas diferente de Delano esse pixie não
era bonito. Em vez disso, seu rosto era deformado, feroz com uma boca disforme e um
protuberante nariz adunco, e uma fileira de dentes afiados bem abaixo de sua boca
carnuda.
Eu não tomo minhas ordens por você, Princesa — O pixie disse.
Eu tentei me manter calma.
E que tal subornos, então? Você aceita eles?
O Pixie sorriu para mim.
Se você me levar de volta para a Summer Court — Eu disse —- Você será muito
bem recompensado. Eu irei lhe dar ouro — prata — tesouro além da medida. Pense
em quantos vinhos de frutas fairy você iria poder comprar.
Eu posso pensar em alguma coisa que eu iria gostar muito mais de experimentar
— O Pixie disse, zombando de mim. Ele cheirou. — Cheira deliciosa.
Eu sou uma Princesa — Eu disse. — Pelo menos me deixe falar com seu líder!
Não me deixe neste calabouço como algum... algum... fairy comum!
Oh, não se preocupe — O Pixie disse. — Você foi capturada pelo Rei Pixie, e ele a
quer toda para si.
Eu fiquei preocupada.
Aquele era o Rei Pixie? — Eu o perguntei.
Pobre princesa. Você ficaria melhor se fosse uma de nós. O Rei Delano gosta de
brincar com sua comida. — O Pixie gargalhou; meu sangue congelou.
Eu ouvi uma voz, alta e fria, entrando no calabouço.
Falando com os prisioneiros, estão, Coller?
Apenas tendo um pouco de diversão — o Pixie disse. Eu podia ouvir o medo em
sua voz.
Que vergonha, Coller — Delano disse. — E a Princesa da Summer Court com
quem você estava falando.
Alguma Princesa — Coller disse. — Apenas uma fairy...
Mostre algum respeito, Coller. Princesa, você está ai?
Minha voz estava tremendo. — Eu estou aqui — Eu disse o mais bravo que eu
consegui.
Bom. Agora, eu tenho que me desculpar pelo comportamento do meu guarda.
Coller, você irá ser executado. — Ele riu.
O que? Não. — Coller tentou protestar.
Isso é o que acontece quando você não respeita um fairy das Cortes reais.
Guardas!
Eu ouvi os choros de Coller abafado pelos passos, o tilintar de metal. Houve um
choro cruel e então silêncio.
Você vê Princesa; Eu não tolero desrespeito em minha corte. Guardas, a soltem.
Com um rosnado alto a porta se abriu. Delano apareceu diante de mim, vestido
agora o que deve ser as roupas reais de pixie. Sua capa era de veludo verde
esmeralda, realçando a estranha luz em seus olhos de neon.
Sua Alteza — Ele se curvou e beijou minha mão.
Sua Alteza — Eu disse de volta para ele. Minhas pernas estavam oscilando demais
para eu tentar uma mensura.
Eu me desculpo por essas condições terríveis. Eu temo que nossos quartos de
hospedes não estão à altura do mesmo padrão que o resto do palácio. Você não vem
comigo?
Ele pegou minha mão, e por um momento eu deixei minha guarda abaixar. Então eu
senti suas unhas afiadas afundarem na minha palma e mais uma vez comecei a sentir
medo.
Ele me levou para fora do calabouço e me conduziu em uma longa passagem. Eu
podia sentir a magia habitando o lugar, mas essa não era como a mágica nas cortes
fairy — viva, intensa e vital. Essa mágica estava ainda, mesmo estagnada, penduradas
nas arcadas góticas, nos trajes de armadura vazias e nas pedras.
Delano me conduziu para uma antecâmara suntuosa. Tudo era prata, exceto pelo
trono, que era cravejado com pedras preciosas verdes. O design era esquisito e
aterrorizante — enquanto eu olhava, eu pensei que eu podia ouvir as pedras gritando,
cada uma chorando em agonia, tinha vibração mágica enquanto elas tentavam sair da
cadeira.
Eu vejo que você admira a mobília — Delano disse. — Esse é o clássico estilo
Illyrium do Rei — tem mais ou menos três mil anos — uma obra prima de design.
Caracterizada pela tortura das pedras preciosas — esse grito que você escuta é parte
do design. Isso é um pouco inquietante para os visitantes do reino Pixie. Não que
muitos sobrevivem para contar o conto, é claro.
Você vai me contar? — Eu o perguntei.
Eu pensei que talvez fosse melhor saber.
Bem, se você insiste... — Delano riu.
Não particularmente — Eu disse.
Por que, eu deveria te comer? — Delano disse.
Você não suga o sangue dos humanos e fairies?
Bem, alguns — Delano disse. — Mas não os importantes. Não fairies como você.
E você é uma Halfling, apesar de tudo — o que a faz muito rara, muito especial! Por
que eu iria te desperdiçar em uma refeição?
Eu não iria encorajá-lo — Eu disse.
Eu tenho planos muito melhores para você — Delano disse.
Eu me perguntei se ele também queria me trocar com a Summer Court.
Metade humana, metade fairy. A combinação mais poderosa. Você tem a mágica
da fairyland, mas a força da vida da terra além do Rio de Cristal
fertilidade, força e paixão. Todas as qualidades que faltam na maioria dos fairies
— Ele continuou. — Que raça você poderia produzir. Parte-fairy, parte-humano — ele
olhou para mim e sorriu. — Parte-Pixie.
Eu não estava planejando ficar grávida cedo — Eu disse.
Você está na idade, não está? Não se preocupe — eu não estou tentando te
insultar. Eu não pretendo te possuir e te jogar fora, como uma das concubinas da
Summer Court.
Eu estava tentando fortemente não focar no fato de que umas dessas concubinas
tinha sido minha mãe.
Eu quero casar com você — Ele disse. — Fazê-la minha Rainha. Produzir uma
nova raça — a raça mais forte que a Feyland nunca viu antes. E claro, Feyland é mais
um nome impróprio — Ele acrescentou. — Os fairies nomearam esse lugar, e
certamente não se importaram em nos perguntar.
Talvez você possa pensar em um nome melhor para isso, Breena? Na linguagem
Pixie, nós chamamos de Skirnismor — País dos Pixies. A parte das regras fairies é
Skimifellentru — A Terra que os fairies roubaram.
Eu vejo — Eu disse.
Você poderia ser Rainha — Delano disse. — Rainha de dois reinos. Da Summer
Court, e da Pixie Lands.
O que o faz Rei da Summer Court.
Oh sim. Eventualmente. Após a morte do titular.
Meu pai?
Delano riu. — Menina boba. O Rei Summer é um patético homem. Todos sabem
que a corte é governada de verdade pela Rainha Summer. Então, você vê — é de seu
interesse depor contra ela. Ela nem ao menos é sua parente. Ela está apenas entre
você e o maior poder em Skirnismor.
Eu queria comprar tempo, entender o que estava acontecendo. Eu certamente não
estava preparada para casar com um pixie — ou qualquer outro, por falar nisso — mas
também não estava interessada em ser comida viva por um dos companheiros do
Coller. — Isso certamente é uma oferta tentadora — Eu disse. — Mas me desculpa —
como eu possivelmente posso te dar uma resposta sob essas condições?
O que quer dizer?
Eu preciso de tempo para pensar. — Eu disse.
Bem, isso é uma escolha fácil. Você pode casar comigo, e se tornar minha rainha,
ou você pode se tornar minha concubina e ganhar meus filhos ilegitimamente. — Ele
encolheu os ombros. — A desonra aqui é a mesma que no seu mundo. Sua mãe, por
exemplo, é considerada uma das muitas prostitutas em Skirnismor quanto deve ser em
Gregory, Oregon.
Como você se atreve! — Eu gritei, perdendo o meu controle por um momento.
Halfling ou não — você ainda é uma criança bastarda — Ele continuou. — Incapaz
de ter algum poder real na Summer Court até a morte da Rainha Summer. Não tem
lugar em Skirnismor que irá lhe proteger, Breena. Encontre sua própria proteção.
Governe Skirnismor.
Eu entendi minha decisão. Ou eu casava com Delano, dando-o direito sobre a
Summer Court em troca por relativa liberdade e poder como Rainha Pixie, ou eu tinha
que ceder seus avanços de outra maneira — produzindo herdeiros valiosos, talvez, mas
ainda assim presa, sem nenhum poder no castelo Pixie. Nenhum plano parecia
particularmente atraente.
Eu me lembrei rindo com Logan um dia, não há muito tempo, sobre romance. — Eu
provavelmente irei morrer virgem —- Eu tinha dito para ele, lamentando minha falta de
romance. — Então novamente, é melhor do que sair com um dos atletas de futebol. —
Quanto tempo atrás aquela vida parecia! A idéia de gerar crianças com um Pixie me
enjoava. Eu nunca tinha sido beijada.
Eu preciso analisar a questão — Eu disse.
Delano riu. — Leve o tempo que precisar. Entretanto — se nós não formos casar,
eu temo que eu não poderei — como eu posso falar — te hospedar nos meus quartos
privados. Propriedade, você entende. Você terá que voltar para — ahem — quartos de
hospedes. Eu irei ver você amanhã — talvez você me dê uma resposta então.
E com isso, dois guardas me agarraram e me levaram de volta para o calabouço.
Eu não consegui dormir aquela noite. Sentei, balançando para frente e para trás,
tentando decidir o que fazer. Eu não tinha dúvida que Delano não iria ter remorso em
me forçar a fim de produzir um herdeiro — como uma concubina eu iria ser um pouco
mais do que uma escrava, e ainda eu não poderia concordar em ser sua Rainha,
concordar com essa situação horrível que eu tinha sido forçada a escolher. Não tinha
ninguém na Feyland que eu poderia confiar — o Reino Summer parecia não me querer,
o Reino Winter queria me tornar prisioneira, e os pixies queriam me usar como algum
tipo de máquina de reprodução humana.
Eu me lembrei dos meus sonhos, como eu tinha desejado voltar para Fairyland. Eu
senti agora que talvez teria sido melhor se eu pudesse apenas ficar em Gregory.
c a p í t u l o d e z
A noite parecia durar para sempre — se fosse noite. Não tinha janela no
calabouço, não tinha jeito de saber quanto tempo eu estava lá, quanto tempo tinha se
passado. Eu me lembrei de Jared Dushev, quem os pixies tinham mordido, e que tinha
ficado louco. Mas agora eu começo a pensar que os pixies não precisavam morder
para deixar alguém louco — não, eles poderiam deixar alguém louco apenas as
trancando aqui. Eu me enrolei na minha cama de feno e tentei decifrar o que eu deveria
fazer a seguir. Eu não tinha arma nem mágica e Logan e Kian estavam a milhas e
milhas de distância. Mesmo se eu fosse fugir, eu não tinha idéia de como chegar ao
reino mortal — além do Rio de Cristal tinha uma descrição muito vaga na melhor das
hipóteses — e eu certamente não tinha uma boa chance de chegar lá antes de ser
comida por um minotauro, capturada por pixies ou arrastada para a Winter Court. Kian
tinha sido educado comigo, apesar de seu dever com seu reino, mas eu me lembrei de
Flynn, e Pan o sátiro, e não pude não sentir certeza que muito dos outros fairies Winter
não iriam ser tão gentis. A Summer Court não parecia uma boa ajuda também — Eu
tinha esperado por isso, como herdeira do trono, eu poderia ter algum poder, mas
parecia que enquanto a Rainha Summer seguir com o poder real do reino, eu não
poderia confiar nela. O que me deixou, eu percebi, com Delano. Eu não tinha meios de
escapar, depois de tudo, e minhas escolhas eram poucas; Qualquer um eu poderia
permanecer uma prisioneira e, mais provavelmente, uma concubina do Rei Pixie,
reproduzindo crianças mestiças que iria ser tiradas de mim antes mesmo que eu
pudesse capturar um olhar delas, apodrecendo nestas miseráveis paredes, ou eu
poderia me tornar a Rainha Pixie. Eu me lembrei dos gritos das esmeraldas no trono, a
terrível magia do artesanato Pixie, e eu estremeci. Além do mais, se eu me casasse
com Delano, ele iria ter direito sobre a Court Summer. Qualquer uma das escolhas
pareciam nada mais do que terríveis para mim.
Se eu apenas tivesse mais tempo...
Eu tentei me lembrar do que Kian tinha dito para mim sobre magia. Peça para a
pedra se mover. Se tudo tinha mágica, aqui, e se eu tivesse mágica também, então de
repente eu poderia aprender a como me conectar com essas coisas celestes.
Eu precisava começar pequena. Eu agarrei um pedaço de feno que decididamente
não parecia mágico e o coloquei diante de mim. Eu fechei meus olhos, tentando sentir
minha magia, o jeito que eu podia sentir meu peso, minha altura, meu lugar no espaço.
Eu não senti nada. Eu tentei me focar mais, pensando nos momentos que me faziam
me sentir poderosa, sentir especial, sentir que havia mágica correndo em meu sangue
nas minhas veias. Eu lembrei dos meus sonhos, os lugares maravilhosos e das torres
cobertas de nuvens da Summer Court, os sussurros dos salgueiros e as suculentas
laranjas vinhos no jardim; Eu me lembrei da valsa fairy. Eu tentei relembrar a música
aquele som estranho e melódico que não soava como nenhuma outra música no
mundo, porque era a magia que fazia os instrumentos tocar — a magia da conexão da
magia dos músicos com a magia dos objetos.
Eu pensei na dança, nos passos. Eu olhei para o talo de feno, tentando achar a
magia dentro disso, tentando me aproximar…
Em algum lugar, no fundo da minha mente, eu vi o rosto de Kian, como se tosse em
meus sonhos, noite após noite — os orgulhosos olhos de gelo do cavaleiro do Reino
Winter, senti seus lábios pressionarem próximos dos meus, senti ele se inclinar para
baixo, vi meu reflexo em seus olhos.
Eu entrei dentro do sentimento. E uma vez eu senti uma sensação estranha —
como calor, mas não calor — como trio, mas não frio. Meu corpo estava com correntes
quentes e frias, de uma só vez, como se eu tivesse uma febre, então cada vez mais
quente, tão quente que eu dificilmente conseguiria aguentar, tão quente que eu imaginei
que iria pegar fogo e ainda minha temperatura continuava subindo. Eu pressionei uma
mão na minha testa; Estava fria como sempre esteve. De onde o sentimento estava
vindo?
Eu senti uma agitação de energia deixar meu corpo; na escuridão da sala, eu
consegui ver o menor brilho enquanto o pedaço de feno levantava no ar, fazendo uma
espiral antes de mergulhar no chão.
Bem, era um começo.
Eu pratiquei com o feno o que pareceu como dias. Eu não tinha comido, eu não
tinha dormido. Eu apenas tentava fazer o feno fazer minha ordem — de se contorcer
em formas, se mover em volta, mudar de cor. Eu tentei trabalhar com a similar mágica
na porta da prisão, mas eu senti um empurrão automático contra mim quando eu
tentava, e de repente, sentindo uma dor na minha testa. Se as portas tinham mágica,
eu raciocinei, ela já tinha sido encantada para me repelir.
Em um ponto os guardas abriram a janela e me atiraram um pedaço de
pão.
Nos deixe saber quando você estiver pronta para falar com Delano — Um guarda
disse.
Eu pude ver a chave tilintar no bolso do Flaurmaus, que tinha substituído Coller
como meu primeiro guarda. Ele, talvez mais sábio do que seu antecessor, não falava
comigo. Eu tentei encantar a chave em todas as direções. Ela como a porta, tinha sido
encantada.
O caso parecia sem esperança. Movendo pedaços de feno e pão ao redor estava
muito bem e bom, mas isso iria fazer pouco benefício contra o Pixie Delano e todo o
seu exercito aterrorizante.
Até eu perceber algo a mais. Eu poderia mover feno; Eu poderia mover pão. Eu
poderia mudar as suas cores, seus tamanhos (útil, eu percebi, quando eu estava com
fome), e seus pesos.
Mas e se eu pudesse também trocar as suas formas?
A próxima vez que os guardas me trouxeram pão, eu não comi nada. Ao invés, eu
olhei através da pequena janela para o chaveiro do Flaurmaus — do mesmo tamanho e
forma da chave, como parecia, como ela cabia na fechadura. Eu tentei usar minha
magia para gravar uma foto dela na minha mente.
Eu olhei para o pão, desejando o transformar em uma reprodução da chave,
desejando que crescesse mais — ficar mais velho — até ficar calcificado.
Até o momento os seguintes guardas vinham para a minha alimentação, eu tinha
tido sucesso em virar metade do meu pão em uma chave, a outra parte em uma
pequena compacta e dura bola — tão pesada e solida como um chumbo.
Eu tinha que pensar rapidamente. Eu me concentrei nas bolas primeiro, desejando
que elas atacassem os guardas, que batessem diretamente entre os olhos. Ele caiu
imediatamente. Eu olhei a entrada por sinal de outro guarda — ninguém estava lá — eu
encantei a chave através do orifício e para baixo da fechadura; a porta se abriu. A
chave, deformada pelo esforço (para o fundo, era só pão), finalmente quebrou no meio,
dissolvendo em migalhas no chão. Demorou um pouco, eu pensei.
E então eu vi a porta trancada no fim do corredor.
Bree! — Eu ouvi uma voz familiar — quente e tranquilizadora — E olhei para cima
para ver dois guardas correndo na minha direção. Eu congelei.
Somos nós.
Em baixo das armaduras dos guardas Pixie eu poderia ver os rostos de Logan e
Kian.
Você está bem? — Eu podia ver a carranca de Kian em baixo de sua viseira.
Eu estou bem —vamos falar mais tarde. Como vocês entraram aqui?
Como você saiu? — Logan me cortou.
Kian o cortou. — Nós encontramos alguns guardas fazendo patrulha fora do
castelo; nós os nocauteamos e os substituímos.
Espere — Eu disse, voltando para o guarda que eu tinha nocauteado.
Acha que esse cabe em mim?
Eu apressei em colocar a cota de malha do Pixie, colocando a viseira sobre meu
rosto. Eu peguei as chaves do bolso do guarda por uma boa medida.
Falamos depois — Kian disse. — Agora, vamos sair daqui.
Nós tentamos nossos melhores para parecer como três soldados Pixie em
patrulha. Por poucos momentos brilhantes, nós pensamos que tivemos sucesso. Nós
conseguimos sair do calabouço e fazer nosso caminho para o Grande salão.
Assentimos secamente para os outros soldados, escondendo nossos rostos sob
nossas viseiras.
E então o alarme mágico tocou.
Era um alarme silencioso. Entretanto nós conseguíamos sentir isso, ouvir isso em
nossos ossos, um sentimento doente e estranho que significava que alguma coisa
estava errada no castelo, e nós vimos que os Pixies podiam ver isso também.
Eles nos cercaram. — Eles! — Chamou um deles.
E a Princesa! — Gritou outro, mais lúcido.
Kian e Logan tiraram suas espadas. — Eles têm um número muito maior
Kian falou. — Se prepare para lutar até a morte — Ele disse para Logan. Tinha um
casual tipo de honra em sua voz; morrer por uma causa oferecia-o um pouco de terror.
Seu auto-controle estava derretendo. Era a coisa mais nobre que eu jamais tinha visto.
Logan parecia que desejava um pouco menos morrer. Ele rasgava os Pixies
loucamente, entrecortando-os com sua espada. Eu estava parada ao lado deles, com
minhas costas contra a parede, enquanto eles acertavam pixie atrás de pixie. Se
apenas tivesse algo que eu pudesse fazer...
Eu vi um lustre e foquei nisso, tentando concentrar entre o barulho e a luta. Era
mais difícil do que fazer mágica no calabouço — o objeto era maior, e eu não tinha
tempo para concentração. Eu tentei apenas fechar meus olhos e sentir a valsa fairy em
meus ossos, pensei em Kian, pensei em seus lábios nos meus, senti a magia borbulhar
para fora de mim.
O lustre balançou, ele oscilou.
Apenas um pouco mais, Eu pensei.
(E na minha imaginação os lábios de Kian estavam pressionando contra o meu;
Minha boca estava abrindo; eu podia sentir suas mãos apertarem contra minhas
costas...)
A corda que segurava o lustre rompeu, e os candelabros caíram em uma horda de
soldados Pixie. Foi o suficiente para uma distração para nós atravessarmos o Grande
Salão, em direção ao portão, em direção a ponte através do fosso, que estava sendo
rapidamente fechado por uma serie de sentinelas...
Na confusão, Logan e eu tínhamos nos separamos de Kian, que estava rechaçando
dez soldados Pixie de uma vez.
Ele se virou e assobiou para nós. —- Vão! —- ele disse.
Eu hesitei.
Vá, Princesa!
Eu vi finalmente a espada voar da sua mão, vi os soldados Pixie descer sobre ele,
entrelaçando correntes ao redor de seus braços.
Logan me agarrou. — Suba nas minhas costas
Eu não tinha tempo para pensar. Eu pulei em seus ombros, e cai nas costas firmes
e musculosas de um lobo, afundando meus dedos dentro de seus pelos, segurando tão
apertada quanto eu podia...
Ele começou correr em uma velocidade sublime, suas patas tremendo o chão. A
ponte estava perto, muito perto...
Com cada grama de magia que eu tinha deixado, eu desejei que isso ficasse
aberta por apenas mais um tempo...
Ele pegou a ponte em uma grande e terrível corrida. Eu podia sentir o vento em
nossos rostos enquanto nós saltávamos através do céu, sobre o fosso, fora do castelo.
O lobo que tinha sido Logan continuava correndo, até que finalmente eu podia sentir no
ar que não tinha nenhum pixie nos seguindo.
Ele parou e me deixou sair de suas costas.
E lá estávamos nós. Sozinhos, na noite, com nenhuma idéia de onde estávamos
indo, para onde ir, se alguém estava nos seguindo. Nós dois — sozinhos.
E Kian estava no castelo Pixie, sobrecarregado com corrente, o prisioneiro de
Delano, Rei dos Pixies.
Eles falaram que Delano gostava de brincar com sua comida.
c a p í t u l o o n z e
Nós ticamos sozinhos na escuridão. O vento ricocheteando ao nosso redor, e até
mesmo as estrelas estava aterrorizantes, com cada brilho fraco e sobrenatural que
vinha da noite sem fim, meu coração se apertava e eu pensava que tinha Pixies nos
seguindo de novo, com seus rostos deformados, seus olhos brilhantes e suas bocas
cruéis.
Para onde vamos agora — eu disse para Logan. Eu não tinha tempo para pensar
em mais nada a não ser em sobreviver; tinha uma pedra gigante na minha garganta, um
enorme vazio me ultrapassando.
Ele colocou um braço ao redor de mim. — Eu conheço esse lugar — ele disse. —
Na floresta. Um lugar seguro dos lobisomens — uma caverna. Iremos para lá. Suba nas
minhas costas. — Ele se transformou novamente — primeiro suas orelhas, mãos e pés
depois o resto — E eu fui para cima dele. O cheiro de madeira em seus pelos me
tranquilizou — o mesmo cheiro familiar
de Logan que sempre costumava me lembrar da floresta fora da Gregory High
School.
No tempo que alcançamos a caverna, eu estava tremendo.
Logan se transformou de volta em homem, e começou a procurar por pedaços de
madeira. — Aqui — ele disse. — Comece a esfregar esses juntos
veja se você consegue acendê-las.
Eu tentei usar mágica, imaginar a valsa fairy enquanto eu voltava para o castelo
Pixie, mas toda vez que eu pensava em Kian meu sangue virava gelo; eu não conseguia
fazer isso. Cansada, caíram lágrimas na madeira.
Teremos que fazer isso do jeito normal — Logan disse.
Por fim, o fogo foi aceso. Mas esse não era fogo normal. Ao invés de queimar
brilhantemente, pareceu obscurecer o resto da Feyland — as árvores e sombras que
nós víamos fora da caverna entravam viradas em escuridão sem fim, enquanto de
alguma forma as formas e figuras na caverna pareciam perfeitamente claras. — E fogo
escuro — Logan disse. — Os Pixies não poderão ver nada além desse ponto —mesmo
se eles olharem para a caverna.
Logan — Por fim eu disse. — O que está acontecendo? — Meus lábios e queixo
estavam tremendo. Eu estava cansada de ser forte. Eu queria ser uma garotinha
novamente, uma criança fraca e desprotegida; Eu queria os braços dele em volta de
mim, suas palavras confortadoras. Eu queria alguém mais para me dizer o que fazer.
Na manhã, talvez, eu seria forte. Agora tudo o que eu queria fazer era chorar.
Lobisomens, nós não somos iguais as outras criaturas — Logan disse.
Nós não somos mágicos da mesma maneira. Nós somos Halflings — Halflings de
verdade, não mestiços como você. Metade no mundo mortal, e metade nesse. Existe
uma lenda sobre nós — que um lobo caiu dentro do Rio de Cristal quando ele era
apenas um filhote, e a partir daquele dia ele precisava intercalar entre o mundo mortal e
o mágico.
Eu não entendi — Eu disse.
Nossa magia não é a mesma magia de Feyland — a magia gelada e bonita dos
reis e rainhas fairy. Aquela magia, como você aprendeu, é frequentemente sufocante;
isso é o porquê de muitos fairies serem estéreis — por que todas as linhas reais estão
morrendo, porque a Rainha Summer não pode ter um herdeiro. A magia é tão forte, tão
poderosa, que isso oprime as forças da vida “normal” — como a procriação. Fairies,
pixies e outros não precisavam comer da mesma maneira que os seres humanos e
lobos comiam
para metabolizar calorias, para manter o calor bombeando. O que eles comem os
revigora magicamente — do vinho de frutas fairy para o sangue fairies. Lobisomens são
do reino mágico, mas o poder vem da força da vida mortal. Nós não precisamos nos
alimentar de sangue ou mágica, nem frutas de fairy e plantas e ervas mágicas — mas
comida mortal. Então nós precisamos ir e voltar...
E você nunca me disse — Eu sussurrei.
O que eu poderia dizer? — Logan disse. — Eu sou uma vergonha. Eu não sabia o
que você iria achar de mim, Breena. Tantas vezes eu quis, mas você estava tendo
aqueles sonhos, e eu não queria te assustar. Lobisomens não são bem-vindos em
nenhum reino — eles são vistos como vagabundos, malandros, sem-terra. Além do
mais, o quão estranho uma coisa dessa iria soar? “Eu sou um lobisomem” Você teria
pensando que eu era um louco.
Você sabia que eu era uma fairy?
Ele sacudiu sua cabeça. — Eu sabia que você era especial — ele disse. — Mas
você seria especial de qualquer jeito, princesa fairy ou não. Mas eu sinto... uma
conexão com você. Eu pensei... — Ele suspirou. — Não importa o que eu pensei. A
conexão é porque nós dois originamos do reino fairy — isso é tudo. — Ele parecia com
raiva por um momento.
E então você tem vivido indo e voltando — Eu disse. — Sempre?
Sempre.
Então você deve saber como voltar! — Eu disse. — Como voltar para o reino
mortal.
Logan assentiu. — Você faz disso fácil — ele disse.
O que quer dizer?
Sua pintura — no estúdio de arte.
Minha pintura?
Você já viu arte fairy? — Logan me perguntou.
Eu assenti, pensando na pintura de Kian na cabana de caçada, da mágica da valsa
fairy. O pensamento em Kian deixou um caroço na minha garganta.
É a coisa mais mágica que existe — Logan disse. — Tem mais magia dentro do
que em qualquer outra coisa. Mesmo sua pintura de Kian — embora você não
soubesse disso — possui mágica nela. E essa mágica é que te puxou para dentro da
Fairyland.
Eu me lembrei de Kian me puxando para o estúdio de arte antes de nós chegarmos
à Feyland e compreendi.
Então, para voltar, eu apenas tenho que pintar a minha casa?
Logan sacudiu sua cabeça. — Não tão simples — ele disse. —Você tem que ir
para o Rio de Cristal. E longe daqui — tão longe quanto você pode ir. Tem penhascos
lá — penhascos maravilhosos, que parecem como calcário. E naqueles penhascos tem
pinturas — cada pintura é a memória de um feitiço. E se você pintar sua casa lá...
E isso o que você fez? Todos os dias e noites?
Eu te disse — ele disse. — lobos não têm mágicas. Para nós, é diferente. Nós
podemos atravessar o Rio de Cristal diretamente — apenas nadar através — e nos
encontramos no mundo mortal do outro lado. Nós temos uma chamada natural em
direção ao mundo mortal que nós puxa direto.
Nós podemos ir lá?
Não é tão fácil — Logan disse.
Eu não conseguia ignorar o caroço na minha garganta nenhum tempo a mais.
Finalmente eu me virei para Logan. — Mas e o Kian?
Seu rosto escureceu. -— Ele era nosso capturador — ele disse — tentando te
vender para Winter Court!
Ele estava apenas honrando seu reino! — Eu disse. — Ele não queria fazer isso
pessoalmente. E... um assunto de estado.
Logan fez uma careta. — Isso é o que ele disse -— ele disse. — Eu não sabia que
assunto de estado fazia ficar tudo bem capturar meninas inocentes.
Foi um mal entendido — Eu gritei.
Você é muito simpática — Logan disse — considerando que ele deixou um corte
enorme no meu braço. — Ele apontou para onde Kian o tinha cortado com sua espada.
Nós apenas não podemos o deixar lá! — Eu disse. — Delano vai matá-lo.
Provavelmente — Logan disse. — E então a Winter Court ficará sem um herdeiro
— uma grande vitória para a Summer Court.
Isso é nojento — Eu disse.
Eu pensei que era apenas um assunto de estado!
Kian não é apenas algum príncipe — Eu disse.
Oh, não, ele é especial! — Logan parecia machucado e furioso ao mesmo tempo.
— Bree... — sua voz crescendo em frustração. — EM estou aqui. Você não precisa do
Kian!
Eu nunca tinha visto Logan assim antes — Eu não gostava disso.
Eu não vejo o porque você esta sendo tão insignificante sobre — Eu disse. — Kian
arriscou sua vida para me salvar dos Pixies. Ambos vocês fizeram. E eu não irei deixar
nenhum de vocês para trás.
Ele arriscou sua vida para te vender para a Rainha Winter!
Eu pertenço a ele — Eu disse, firmemente. — Eu estou voltando. — Eu não
percebi o que eu tinha acabado de falar até que eu tinha falado. — Eu irei resgatá-lo.
Isso é idiotice — Como você vai invadir o Castelo Pixie?
Eu posso fazer mágica — Eu disse. — Eu fiz isso na cela — Eu posso elevar as
coisas com minha mente — mudá-las de forma, tamanho, cor.
Como todos os Pixies.
Isso é uma questão de honra — Eu disse. — Se eu sou uma princesa afinal de
tudo, então é melhor eu agir como uma. E eu já li muitas mitologias, Logan, e eu não
sei uma que os príncipes e princesas não são honráveis, bravos e fortes.
E estúpidos! — Logan disse. — Se você voltar para o Castelo Pixie sozinha você
irá morrer.
E uma questão de honra — Eu disse novamente.
Você soa como Kian — Logan zombou.
Bem, eu sou como Kian — Eu disse. — Nós dois somos fairies de sangue real.
Você não é especial? — Logan disse. Eu podia ver o lobo em seus olhos. — A
Princesa Fairy e o Príncipe Fairy. Que perfeito — ele disse sarcasticamente.
Eu me levantei. — Se eu morrer — Eu disse — é melhor do que ir para casa como
uma covarde. — Como eu poderia voltar para casa, de qualquer maneira, depois de
tudo o que eu vi? Depois de tudo o que eu vivi? Eu pensei em Gregory, Oregon, e nada
parecia mais longe. — E mesmo se eu for para casa, eu não estarei segura. Delano
veio da última vez; ele virá novamente. Então eu posso muito bem lutar pelos meus
amigos.
Bree — desculpa — Logan disse. Ele levantou uma mão. — Realmente sinto muito.
Bem, você deveria — Eu cortei.
Você não pode ir sozinha — ele disse.
Eu irei se eu quiser.
Você pode ir — ele disse. Ele deslizou suas mãos nas minhas. — Mas então eu irei
com você.
c a p í t u l o d o z e
Nós partimos na noite seguinte. Eu queria ir imediatamente, mas Logan tinha falado
racionalmente comigo. — Se você quer ir — ele disse — Durma primeiro — nenhum de
nós será útil até estarmos descansados, sem nenhum machucado e limpos. De outra
maneira seremos apenas peso morto, e é mais provável que seremos capturados do
que libertaremos Kian. E não podemos ir durante o dia —- os pixies irão nos ver. Não,
precisamos ir sob as capas a noite. Iremos esperar até o sol se pôr.
Até mesmo a minha paixão e preocupação não foram o suficiente para me fazer
estúpida; Eu concordei, embora com relutância, e tentei dormir, sabendo que quanto
mais energia eu tivesse, maior chance Kian tinha de sobreviver a nossa tentativa de
fuga. Era difícil. Eu passei a noite me virando e sacudindo com sonhos horríveis. Se
antes eu sonhava com Feyland enquanto eu estava dormindo na minha casa em
Gregory, Oregon, então agora eu sonhava com a minha casa. Eu sonhei com mamãe
— não podia imaginar sua
dor, seu terror, seus medos quanto ela viesse para casa e encontrasse a casa
toda quebrada e sua única filha sumida. Ela pensaria que foi um assaltante, um
seqüestrador, um assassino? Ou ela seria capaz de sentir a presença dos fairy lá! Eu
sonhei com mamãe, brilhando em um vestido vermelho, sentada no trono fairy o Rei
Summer sem rosto e sem nome. Ela estava flertando com ele, deixando-o beijar seu
pescoço, rindo.
Eu tentei a chamar pedir ajudar contra as Rainhas Summer e Winter, contra os
Pixies, mas não foi o suficiente. Ela ignorou meus apelos e meus gritos lamentosos. —
Não vê que eu estou ocupada? — ela disse, e reclinou sua cabeça para o peito do Rei
Summer. — Vá brincar em outro lugar! Eu estou em um encontro!
Então eu sonhei com Logan, o Logan que eu conhecia desde que eu poderia me
lembrar, ele e eu brincando de pega-pega quando éramos crianças através da floresta
perto da minha casa, seu familiar rosto lindo rindo de alegria, seus olhos quentes
sempre reconfortantes, seus braços sempre lá para me abraçar e me envolver com seu
cheiro de bosque almiscarado sempre que Clariss ou outro valentão me perturbavam.
De repente seus braços ficaram longos, suas mãos aumentaram, seus dedos
estenderam em garras afiadas, e os pelos da cor do cabelo de Logan cresceram do
fim dos braços até a ponta de sua cauda. Sua cauda? Desde quando Logan tinha uma
cauda? Uma voz no fundo da minha mente no sonho perguntou, talvez tentando
raciocinar com meu estado presente do que Logan se tornou, de sempre ter sido um
lobisomem. Ele sempre soube sobre a Feyland, a Feyland dos meus sonhos... de Kian,
do Príncipe Winter quando eu sempre pensei que era apenas um sonho. Enquanto eu
falava todos os detalhes dos meus sonhos, bastante constrangedor para Logan, todos
esses anos, capturando as memórias para colocar nas minhas pinturas, Logan sempre
soube que aquela Feyland, aquela estranha, mas espantosamente linda terra era real.
E as esmeraldas estavam lá, as esmeraldas da Pixie Court, cada pedra preciosa
gritando com agonia, torturada por magia. Seus gritos ficaram cada vez mais altos,
enchendo minhas orelhas, enchendo o espaço entre meus pensamentos, e a dor
crescendo mais e mais — pois eu estava sentindo a dor também — até tudo ficar
preto.
Eu sonhei depois com Kian, deitando no calabouço frio e úmido do Rei Pixie, seu
sangue prateado pingando nos fardos de feno, os olhos maníacos de Flaurmaus e dos
outros guardiões em cima dele, Os dentes cruéis de Delano se convertendo em um
sorriso...
E no meu sonho eu vi seu rosto — os olhos prateados, manchado com quartzo
roxo, a pele cremosa e os longos cabelos negros — e eu senti que minha alma já tinha
ido para ele, já tinha lutado com os guardiões Pixie, com os Minotauros e com os
perigos e terrores da floresta. Eu estava dormindo na caverna dos lobisomens, mas
não importava. Minha alma, a verdadeira, a parte mais sagrada de mim, já estava com
Kian. Tudo o que eu tinha que fazer era segui-la.
Esperar até o sol se pôr era a parte mais difícil. Eu fiquei mais assustada e
nervosa; Eu incomodei Logan uma centena de vezes enquanto eu batia o pé no chão,
meus dedos nas paredes da caverna. A tensão no ar entre nós era avassaladora. Eu
não conseguia entender por que ele estava tão relutante em salvar Kian, que sempre
tinha sido meu protetor, se um tanto relutante, durante meu tempo na fairyland. No
mesmo tempo eu via um pouco de ciúmes e rancor em seus olhos, o ressentimento
sempre que eu mencionava o nome do Kian, e eu percebi que eu sabia a causa da sua
irritação — eu não queria saber. Eu me lembrei do dia no meu aniversário de dezesseis
anos — há muito tempo agora — quando Logan e eu tínhamos corrido em volta da
casa, pegando um ao outro com uma lata de chantili. Ele tinha me ajudado a limpar o
meu cabelo sujo e a minha bochecha e olhou bem nos meus olhos — nós tínhamos
estado bem perto de...
Mas isso foi antes de Kian. Foi antes da floresta da Feyland, antes de eu ter
aprendido a magia, antes de eu ser capturada por um pixie, antes dos Minotauros, dos
sátiros e da Summer e Winter. Foi antes de eu ter sentido os braços de Kian ao redor
de mim.
Ele sabia por que eu estava em silêncio; Eu sabia por que ele estava em silêncio.
Ao anoitecer nós partimos para o Castelo Pixie novamente.
Logan tinha se transformado mais uma vez em lobo; Eu andei em suas costas,
envolvendo os seus longos e lisos pelos em volta dos meus dedos para
manter meu equilíbrio. Ele era lustroso e furtivo no meio da noite, suas patas mais
silenciosas do que a brisa enquanto elas levemente empurravam contra a grama. O
vento ricocheteou nossas bochechas; a lua estava enorme e luminosa acima de nós —
um círculo de brancura que retalhava da noite sem fim.
Por hm vimos o Castelo Pixie na distância. Essa era a primeira vez que eu o olhava
devidamente — durante nossa fugida nós estávamos tão agitados para sair de lá que
nem nos importamos em olhar para trás. A visão me fez arfar. As pedras eram grossas
e escuras, colocadas sobre quartzo preto brilhante, assim o castelo inteiro refletia na
noite — a escuridão em volta. Mas as torres! Cada torre — e deveria ter dez ou vinte
delas — tinham a forma de uma escada em espiral. Mas elas não eram feitas de
pedra. Pelo contrário, eles eram feitas de algum estranho e grotesco material
transparente — nauseante, contorcido, fraca cor que tremia sob o peso de cada
guarda no controle. No final de cada pedaço de gaze, havia um pedaço grosso vibrante
que deveria ser carne, manchado com prata pegajosa.
Asas Fairy.
Centenas, se não milhares de fairies devem ter sido abatidas aqui; suas asas
devem ter sido arrancadas de suas costas e afixadas em postes de metal grosso,
criando a esvoaçante e contorcida escada de espiral. Quando eu era criança, eu tinha
visto um dos meus colegas — um menino chamado Charles Janeway — torturando
borboletas, as capturando e colocando pinos em suas asas e rindo alegremente
quando elas ficavam esticadas e estranguladas com sua crueldade. Isso tinha me
deixado enjoada, então, eu corri para algum canto do meu jardim de infância para
chorar. Isso era centenas de vezes pior.
Certo — Eu disse. — Vamos lá então.
Eles estarão nos esperando — Logan disse.
Nós não podíamos nos disfarçar de pixie novamente; desde nossa invasão; temos
certeza que eles estarão fazendo vigia.
Nós tínhamos outro plano.
Eu usei minha magia para transformar o rosto de Logan na expressão wintry{13} de
um príncipe fairy da Winter Court, e transformei algumas das tolhas de grama em
correntes. Eu não esperava me sair tão bem em transfigurar rostos como eu tinha ido
— mas no fim isso foi fácil. Eu apenas tinha que imaginar o rosto de Kian — e tudo o
que eu tentei transfigurar, de algum modo, teve a expressão de Kian.
Logan envolveu as correntes em volta do meu pulso, deixando um espaço
necessário para mim puxar meu pulso quando necessário, e nós entramos pelo Castelo
Pixie pelos portões da frente.
Escute — ele disse. — Eu sou a Sombra das Neves da Winter Court, e eu retornei
com generosidade da Winter Court em troca da Princesa Breena.
Eu fingi lutar e gritar.
Eu peço uma audiência com Delano, Rei dos Pixies.
E por que nós não deveríamos agarrá-la aqui e agora? — perguntou um dos
guardas. Eu o reconheci de mais cedo.
Porque — Logan disso. Em um flash, ele tinha colocado a faca na minha garganta.
— Se você não fizer, eu irei matá-la agora — e um Halfling morta é muito menos útil
para seu rei do que viva, respirando. Halflings mortas não produzem filhos.
O guarda assentiu.
Eu estremeci; era uma boa coisa eles não terem reconsiderado o blefe de Logan.
Os guardas nos conduziram para dentro da antecâmara de Delano, o que era
também familiar.
Bem — Delano disse. — Muito bem.
Eu vim pela Winter Court — Logan disse. — Eu sou o cavaleiro Sombra das Neves.
Eu desejo trocar o Príncipe Kian pela Princesa Breena.
Delano considerou.
Meus guardas me disseram que você ameaçou matar Breena caso eu recusasse a
troca.
Logan assentiu secamente.
Impressionante —para um fairy. Traga o Príncipe!
Os guardas arrastaram Kian. Ele tinha sido espancado — seu rosto e seu corpo
foram cobertos com manchas prateadas. Meu coração saltou quando eu o vi.
Princesa —você fugiu...
Eu decidi simular terror. — Por favor, não me mate! — Eu disse. — Eu serei sua
esposa — Serei sua Rainha — apenas não me mate!
Os olhos de Kian resplandeceram com raiva. — Você! — ele gritou para Logan. —
Cavaleiro da Corte! Como se atreve a ser tão desonroso com uma mulher! E meu
dever te executar uma vez que eu estiver livre!
Logan poderia resistir. — Venha agora, Príncipe — ele disse. — Você mesmo não
capturou a Princesa para barganhar com a Summer Court?
Eu teria a entregue para a sua legitima casa! — Kian gritou.
Se acalme, eu pensei. Kian está tudo bem.
Eu não sabia se funcionou, mas eu vi os ombros de Kian afundar, suas expressões
se tornaram mais relaxadas. Ele tinha me escutado.
Solte-o — Delano disse, e os guardas removeram Kian de suas correntes e o
empurraram para frente. Logan me chutou para os joelhos de Delano; Eu comecei
fazendo uma distração; envolvendo minhas mãos em volta dos tornozelos de Delano e
choramingando, implorando por perdão, prometendo casar com ele.
No mesmo tempo, obscurecida pelo meu histerionismo, Logan segurou a espada
de Kian...
Agora! — Logan gritou, e eu imediatamente me libertei das minhas correntes,
peguei um punhal que eu tinha escondido na minha saia e a elevei para o pescoço de
Delano, focando toda minha magia, toda minha energia, em manter lá.
Eu ouvi um poderoso som de bater enquanto Kian soltava suas asas — graças a
Deus eles não tinham cortado as asas dele ainda, eu pensei.
Não se mova — Eu gritei para os guardas, enfiando meu punhal um pouco mais
dentro do pescoço de Delano. Seu sangue era amarelo — da cor de pus. Eles
permaneceram parados no outro lado da sala.
Kian agarrou Logan com uma mão e eu com a outra, suas asas batendo enquanto
nos íamos para a janela...
Uma vez que eu tinha deixado o lado de Delano, nossa posição de estratégica tinha
ido — os guardas começaram a correr atrás de nós.
As asas de Kian nos levantaram do chão, em direção a janela, mas nós éramos
lentos…
Nós somos muito pesados — Logan gritou.
Os guardas estavam ticando mais pertos; um deles agarrou meu pé, e eu me
balancei enquanto eu chutava ele para longe.
Vamos lá.
Deixe-me ir! — Logan gritou enquanto as asas de Kian lutavam contra a gravidade.
Nós tínhamos saído da janela agora, mas nós podíamos ver os arqueiros se alinhando
no parapeito, à espera para soltar suas flechas.
Um borrão de flechas passou por nós; uma delas pegou Logan no ombro e ele
uivou. Deixe-me ir — se não nós todos iremos morrer!
Isso seria desonrável — Kian gritou.
Se toda a parada de honra! — Logan gritou, e mordeu o pulso de Kian enquanto
nós voávamos. Kian abriu sua mão em surpresa, e Logan caiu — cada vez mais baixo
até que ele caiu com um banque nauseante na varanda de Delano. Eu ouvi o barulho de
ossos, vi os guarda correrem para ele e levantar suas lanças...
Eu desviei o olhar quando eles trouxeram as lâminas para baixo.
Nós voávamos cada vez mais rápidos na noite.
Era a coisa mais brava que eu já tinha visto um homem fazer.
c a p í t u l o t r e z e
Kian e eu voamos na noite; Eu mantive meus olhos bem fechados, incapaz de
manter as lágrimas comprimidas. Seja forte, eu pensei comigo mesma. Seja forte,
Breena. Mas não era útil. Eu não conseguia parar as lágrimas de derramarem entre
nós no meio da noite, eu não conseguia parar minha culpa. Era minha culpa, afinal de
tudo. Eu tinha insistido que devíamos voltar pelo Kian — e nós voltamos — e Logan
tinha morrido para nos proteger: A mulher que ele se importava, e o homem que ele
desprezava. Eu tentei me dizer que não tinha como saber o que iria acontecer, nenhum
jeito de avaliar os riscos, mas isso não fazia nenhuma diferença. Eu tinha feito minha
escolha
e eu tinha decidido quem iria viver e quem iria morrer — e eu tinha matado Logan.
Por fim Kian e eu descemos em um pequeno vale estreito no meio da floresta
nevoenta. Nesse vale tinha uma pequena casa de campo, com um telhado de palha,
coberto com neve. Viscos afiados adornavam a porta, e as janelas eram obscurecidas
por pinheiros.
Que lugar é esse? — Eu sussurrei. Minha garganta estava seca e minha voz
estava rouca.
E um dos pontos para fairies nessa parte do país — Kian disse. — Existem vários
— Apenas mágica Winter os desbloqueiam — essa região é perigosa. E uma parte da
Política de Segurança que nós fizemos no inicio das guerras — eles são para fairies
viajantes para qualquer tipo.
E seguro?
A magia mais forte da Feyland nos protege — ele disse. — Não é longe da Corte.
Eu a levarei lá amanhã, e então a troca será feita. — Sua voz quase vacilou. — Você
irá para casa, para sua família. Eu terei minha família aqui comigo na Winter Court. Eu
não irei incomodar você novamente. Você irá ser capaz de retornar para o mundo
mortal — pelo menos por agora.
Ele tentou manter seu habitual ar majestoso; sua voz tremia.
Ele pegou minha mão por fim. — Eu sinto muito pelo que sobreveio para você —
ele disse. — Eu nunca quis causar dano a você. Era apenas...
Um assunto de estado — eu disse, amargamente.
Ele parecia miserável. — Seu amigo foi muito honrável — ele disse — Muito bravo.
Mais do que qualquer lobisomem comum. Ele morreu com uma morte de herói e você
deve estar muito orgulhosa dele. Um homem não pode pedir por nada maior.
Yeah, que tal sobre estar vivo? — Eu disse, e funguei.
Estendeu um braço, me dando um abraço estranho, suas costas ainda rígida — a
postura de um guerreiro, de um soldado.
Não existe honra maior do que morrer em batalha por uma mulher que ama — Kian
disse. — Esse é o modo da Winter Court.
Logan não... — mas minha voz morreu. Eu sabia bem no fundo que eu estava
mentindo para mim, e a culpa cresceu na minha garganta novamente. Logan sempre
estava lá. Ele sempre esteve comigo, me apoiando em tudo o que eu fazia, me
encorajando a fazer o melhor que eu poderia fazer me aceitando pelo que eu era. Ele
tinha vindo procurar por mim na Feyland para ter certeza que eu estava segura, para
me levar para casa. Agora ele tinha ido. Era tarde demais. Eu estava indo para casa,
mas não poderia levar Logan em segurança comigo.
Eu não podia ajudar; Eu comecei a chorar finalmente — dando soluços altos,
violentos e pesados que me oprimia. Tinha sido um dia longo — muito longo — e tudo
era tão novo, tão estranho.
Bree... — Kian disse, me abraçando mais perto. — Princesa.
E tudo minha culpa! — Eu chorei. — Se eu não tivesse voltado para te resgatar —
se eu tivesse lutado melhor...
Ele me beijou na testa. —- Tolice — ele disse. -— Você é — você é a mulher mais
brava que eu já conheci Princesa, da Summer Court ou não. Você aprendeu a magia e
saiu de sua Prisão Pixie. Você se ensinou para quebrar o lustre quando nós estávamos
tentando escapar. Você manteve sua cabeça mesmo sob as ameaças do Rei Pixie.
Você escolheu me salvar — embora soubesse dos riscos — porque o seu sentido de
honra não iria te permitir deixar um soldado para trás. Você voltou com um plano —
você segurou uma faca na garganta do próprio Rei Pixie — Tudo em poucos dias na
fairyland! Você é uma mulher notável, Breena —- ele disse. -— Sem pensar que Logan
iria arriscar tudo por você.
Eu tinha dezesseis. Eu nunca tinha pensado em mim mesma como uma “mulher”
antes. Mas eu tinha ficado mais velha desde que vim para Feyland. Muito mais velha. E
agora eu entendia.
Eu o relembrei quando eu o tinha visto nos meus sonhos — sua beleza, sua
intensidade, o sentindo de saudade que eu sentia por ele antes de conhecê-lo — todos
esses sentimentos voltaram muito rápido para mim, dissolvendo meu orgulho,
dissolvendo meus medos, até mesmo, embora pouca, dissolvendo minha dor. Magia
era mais forte do que as leis fairy, Kian tinha dito, e quando ele sentou ao meu lado eu
senti a força da magia nos envolvendo — era uma força esmagadora. Muito mais do
que assuntos de estado. Mais importante do que contratos fairy. Mais importante do
que guerra.
Ele se inclinou lentamente, hesitantemente, seus lábios trêmulos mais perto dos
meus.
Eu lembrei o que Kian tinha dito sobre minha mãe — que ela tinha arriscado sua
vida — que um beijo fairy queimava a maioria dos humanos para a loucura.
Isso não importava. O risco valia isso.
Eu o beijei, finalmente — seu rosto no meu e me permiti ceder à saudade que eu
tinha me forçado a enterrar desde minha chegada a Feyland. Já era tempo.
Imediatamente, tudo mudou. Eu me senti como quando eu estava no meio da
pintura fairy, cercada por valsa, como quando eu voltava com os transes mais
profundos da magia para a Pixie Court, como eu estava nos meus sonhos que me
caçavam desde que eu era nova. Mas esse sentimento era maior e mais forte do que
aquilo. Era uma magia antiga, uma magia profunda, a antiga fundação ao qual todas as
outras magias foram construídas — uma ansiedade que o tinha permitido atravessar o
Rio de Cristal para me encontrar, uma ansiedade que tinha me levado para ele...
E ele estava me beijando de volta, e de repente eu o conhecia — conhecia seus
pensamentos, sabia seus sentimentos, seus medos, seus amores e seus segredos,
tudo flutuando para dentro do meu cérebro como se eles fossem meus. Eu senti o seu
amor por mim, seus medos, sua luta entre o dever e a paixão, seu desejo, sua força,
tudo sobre mim; Não tinha mais espaço para pensamentos, lógica ou razão. Havia
apenas a magia.
Os Pixies, os Minotauros, o Rio de Cristal e o feno transfigurado — todos eram
truques de mágica, como o coelho na cartola.
Isso era mágica.
Eu estava viva.
Quando nos separamos, eu não conseguir não rir. — Ainda aqui — eu disse,
suavemente.
Eu sabia que você estaria — ele disse. - Você é forte, Bree. Mais forte do que
qualquer fairy. — Ele deu uma pequena risada também. — Eu não posso mentir para
você, Breena. Eu já conheci muitas mulheres fairy —- e isso é de se esperar, quando
se é um príncipe. Mas eu nunca tinha sido beijado — eu nunca beijei uma mulher —
assim. Nunca foi assim. — Ele suspirou. — Você uma vez foi minha pretendente,
Breena. O que foi ligada pela mágica não pode ser desligado. — ele pegou minha mão.
Você é minha Rainha. Eu não posso negar isso. Você sempre foi.
c a p í t u l o q u a t o r z e
Depois que ele me beijou, Kian estava delirando em seu constrangimento. Ele me
ofereceu chá de sereia; ele se esqueceu de esquentar a chaleira assobiante. Ele
perguntou se deveríamos dar um passeio; ele se lembrou que era perto das três da
manhã. Ele tropeçou na toalha de mesa e confundido a faca de manteiga com a de
geléia. Em seu rosto tinha um sorriso que eu não tinha visto antes, um retrato de
verdadeira felicidade e alegria efervescente. Eu não tinha visto ninguém parecer mais
feliz mais requintadamente radiante na minha vida!
Até que me olhei no espelho. Eu parecia diferente, eu pensei — muito mais velha.
O beijo tinha trazido vermelhidão nas minhas bochechas e brilhos nos meus olhos que
eu nunca tinha visto antes. Eu não poderia tirar o sorriso da minha cara nem mesmo se
eu tentasse.
E muito tarde — Kian disse depois de nós termos terminado de comer alguns pães
com geléia e manteiga e acalmando a dor nos nossos estômagos. — Devemos ir
dormir, e iremos resolver tudo no dia seguinte. Tem — tem um quarto lá em cima — e
aqui, aqui em baixo, tem o sofá. — Ele tropeçou em suas palavras. Ele parecia menos
com um príncipe, então, menos como um dominante e honrável príncipe da Corte Real,
tudo trio e nobre, e mais como um jovem homem, vivo e cheio de energia e desejo.
Fique — eu sussurrei, e toquei em um canto do sofá, enrolando com ele. Eu queria
seus fortes braços em volta de mim na manhã quando acordasse.
Não é certo — ele disse. — Eu não irei te insultar...
Eu sorri. — Não se preocupe — Eu disse. — Eu quero dizer — Eu apenas quero
dizer... fique até eu dormir.
Eu me sentia adormecia com seus dedos acariciando meus cabelos enquanto eu
cochilava na inconsciência. Eu podia sentir ele beijando meus cabelos e testa antes de
subir para ir dormir.
Ele me acordou na manhã, com outro beijo.
Bom dia, Princesa. — ele disse. Ele pegou minha mão. — Você estava dormindo
como se tosse mordida por um bicho letal.
Isso provavelmente faz mais sentido em Fairyland — Eu disse, esfregando meus
olhos. O sol estava quente no ar; deveria ser tarde.
Os olhos de Kian vagavam pelo meu rosto amorosamente. Sem aviso, ele me
pegou em seus braços e então me beijou suavemente e em seguida profundamente. Eu
respondi de volta, enrolando minhas mãos em seus cabelos escuros e o puxando mais
perto. Quando nós finalmente nos separamos, nossas respirações estavam ofegantes,
e seguramos um ao outro apertadamente. — Oh Breena — Kian disse. — Eu desejo —
eu desejo que nós pudéssemos nos segurar assim para sempre. Eu queria que nós não
fossemos quem somos assim as circunstâncias entre nós seriam diferentes. — Ele
colocou seu rosto no meu onde nossas bochechas se tocavam. — Ah Breena, minha
Breena, o que o destino fez conosco? — Kian disse, e riu amargamente. — Eu deveria
me desculpar por ontem à noite. O que aconteceu não poderia ter acontecido.
Por quê? — Eu me sentei.
Como um soldado cavalheiresco — como um homem — eu não poderia manter a
dama que amo presa. — ele disse. — Mas como um Príncipe da Corte real, eu tenho o
dever de seguir as ordens da minha Rainha, a quem jurei lealdade e fidelidade para
além de qualquer outro vínculo... — ele disse gravemente. — Eu não posso negar
meu... inclinações a você; nem posso negar que eu te amo tanto quanto a Winter Court!
Eu não quero ver a Winter ser destruída pela Summer — e isso é uma guerra,
Princesa. Minha família, meu povo, meu país está sob o cerco do seu; Tanto quanto
existir essa guerra
Te amar seria traição.
Não se preocupe — Eu disse. — Você não vê — se nós unirmos nossos reinos —
se nós... nos unirmos — certamente a guerra iria se acabar!
(casamento? Eu pensei, no fundo da minha mente. Eu estava começando a
parecer com Kian. Eu não tinha desejo de me casar, pelo amor de deus — eu apenas
tinha dezesseis, e eu tive tentativas de proposta o suficiente de Delano para mim).
Isso é impossível — Kian disse. — Mesmo se nós desafiássemos as vontades dos
atuais governantes — que nunca iriam permitir isso — eu te prometo — nós devemos
nos contentar com nosso dever com nosso povo. Os fairies Winter confiam em mim;
quando você assumir o trono, os fairies Summer irão confiar em você! Como isso vai
parecer, você uma governante que cede a suas paixões, a seus sentimentos, pelo
inimigo, não mesmo, ao invés de conduzir seu povo? Se nós dois nos casarmos, nós
iríamos ser forçados a unir nossos reinos; como as fairies Summer e Winter poderiam
viver lado a lado. Dois cenários diferentes de costumes e de tradições! Existiria a
questão da ocupação das Aldeias Outonais; Existiria a questão da linguagem, das
torças militares. Seu povo sempre veria você como quem os traiu e colocou um rei
Winter no trono — pensando em quantos deles conhecem o Winter como a terra que
matou seus filhos, seus mandos, seus pais na guerra...
Mas uma vez nós tomos pretendentes! — Eu gritei.
Mas isso foi antes da guerra — ele disse sombriamente. — Desde então muitas
coisas mudaram na Feyland.
Ele tinha um ponto. Eu tinha prestado atenção da aula de história bem o suficiente
para saber as políticas básicas, e eu percebi que permitir um inimigo odiado em seu
trono não era a decisão melhor ou mais inteligente.
Eu deslizei minhas mãos nas dele. — Nós iremos arrumar isso — Eu disse. —
Juntos. Iremos encontrar um jeito de fazer a paz. — Eu sempre tinha sido uma hippie,
eu pensei comigo mesma.
Mais fácil dizer do que fazer! — Kian disse.
Mas ele pegou minha mão e a beijou. Eu senti seus olhos em meu rosto, sua
expressão cheia de adoração, de paixão e de amor. — Minha Rainha — ele disse. —
Minha prisioneira — minha Rainha. — Ele ficou parado. — Eu não posso mantê-la aqui
— ele disse. — E eu ainda devo mantê-la aqui... —- Eu vi o tormento em seus olhos, a
frustração que ele tinha por me amar, e ainda amar seu reino. Destino e lei da magia
tinham um senso de humor.
Pare — eu disse. — Eu não sou sua prisioneira por mais tempo. Eu sou uma
representante da boa vontade da Summer Court, me oferecendo voluntariamente a fim
de ajudar a trazer paz na região. Então você pode parar de se preocupar sobre sua
honra. Eu sou tão livre como você é, Kian, e eu quero ficar contigo. Eu quero ajudar a
concertar isso. E — Fiz conchinha em sua bochecha com minha mão — Eu quero trazer
sua irmã de volta.
Ele sorriu através de sua melancolia.
Eu irei levá-la para a Winter Court — ele disse. — Mas iremos encontrar um jeito.
Não se preocupe Breena. Iremos encontrar algum modo... Eu — meu coração, minha
alma não iremos desistir de você tão facilmente.
c a p i t u l o q u i n z e
Nós fomos através de todas as opções possíveis em tentar descobrir o que fazer
em seguida. Nós consideramos em primeiro me levar diretamente para a Winter Court
e tentar amimar todo o fracasso o mais rápido possível, mas essa tática nos deu uma
grande pausa. Nós tememos que no final a Rainha Winter poderia não fazer sua parte
do negócio. — Ela tem sido conhecida por torturar seus prisioneiros — Kian disse, com
toda a frieza que me aterrorizou
considerando que ela era a mãe dele. — E os deixa por dias apodrecendo no
calabouço. Eu não desejo arriscar sua linda cabeça em tal destino agonizante.
Bem, vamos evitar isso, então.
Algumas vezes ela é perfeitamente agradável com eles — Kian continuou. — Tudo
depende em que humor ela está. E é claro o quanto ela sente falta de Shasta.
Certamente ela deve sentir terrivelmente sua falta — Eu disse. — Atinai de contas,
Shasta é sua criança!
Assim como eu — Kian disse secamente — e eu não acho que ela pensa muito em
mim. Eu sou um herdeiro — isso é tudo — e eu sou útil enquanto eu me adequar para
governar. Se eu não for mais útil — se a Fairy Court me considerar um governante
insuficiente — digo, se eu for encontrado tendo algo com a futura Rainha Summer —
sem dúvida ela iria me retirar de sua visão e me trancar longe em alguma caverna das
montanhas ao norte para prevenir minha tentativa de tomar o trono de algum irmão
mais novo ou até eu voltar ao meu senso.
Mas ela é sua mãe! — Eu gritei. — certamente ela deve te amar.
Eu já disse — Kian disse — Nós, fairies, estamos tentando limitar o amor há muito
tempo. Quando temos magia como a nossa — as coisas que levam para o fundo da
magia são muito, muito perigosa para não ser punida pelas leis. E amor conduz para
alguma das mais profundas, mais Incontrolável magia de todas.
Em nosso mundo — Eu disse — Amor anda livre — nos é permitido casar com
quem queremos, e sair com quem queremos para essa questão, e nós somos livres
para agirmos com nossos sentimentos!
Sim — Kian disse. — E em seu mundo existe um grande acordo de guerra — a
guerra fairy é a única desse tipo — e existe egoísmo, existe divórcio, existem pessoas
que deixam seus sentimentos correrem soltos com eles e explodirem edifícios. Eu sei
tudo sobre seu mundo. Vocês não respeitam o amor — e isso é perigoso! Imagine o
quão mais perigoso seria se a magia estivesse envolvida. Seu mundo não iria
sobreviver a isso.
Nós sobrevivemos a muitas coisas — Eu disse ardentemente. — Nós não somos
tão ruins.
De qualquer maneira — Kian continuou — Eu estou perfeitamente contente em
saber que ela não me ama. Ela me respeita — e isso é muito mais importante.
Minha mãe me ama — Eu disse.
Sua mãe nunca foi Rainha — Kian disse. — Sua mãe nunca teve que governar um
império. Ela foi apenas uma concubina.
Eu fiquei branca de raiva. — Como você se atreve? — Eu disse. — Minha mãe foi
à melhor — a mulher mais forte que eu já conheci! E se ela
estivesse aqui agora, ela iria resolver essa contusão com muito mais senso do que
qualquer um de vocês fairies tão racionais poderiam!
Eu subi as escadas rapidamente e entrei no quarto e permaneci lá até o pôr do sol.
Finalmente eu escutei uma batida da porta.
Entre! — Eu disse miseravelmente.
Kian entrou, rigidamente e sem jeito. — Não é um modo de um príncipe fairy se
desculpar — ele disse. — Mas eu te devo uma desculpa. Eu não queria dizer nada de
mal de sua mãe — em nosso mundo, concubinas não têm nenhum respeito. Elas
desempenham um papel fundamental na sociedade fairy, e os mais esclarecidos entre
nós podem respeitar isto. Não há dúvida nenhuma — sugestão — associada à posição.
E visto como menor do que a Rainha é claro, do mesmo jeito que um Cavaleiro Emerald
é visto como inferior a um Cavaleiro Gold, em termos de posição. Mas eu não — eu
não tinha nenhuma intenção — de fazê-la pensar que sua mãe era qualquer coisa, mas
uma mulher bem respeitada da Summer Court.
Eu não consegui não dar uma risada fraca. — Eu acho que temos algum tipo de
choque cultural para descobrir. — Eu disse.
Mas eu devo dizer — Kian disse. — Se você ficou ofendida quando eu talei de sua
mãe como uma concubina — eu devo pedir que você entenda se eu preferir que você
não haja como se não existisse algo indescritível na falta de amor da minha mãe. Esse
é o jeito das coisas aqui, como as outras coisas são do jeito que são em seu mundo. E
você é uma Halfling, afinal de tudo; você deve aprender a aceitar ambos os jeitos. Se
você vai governar a Summer Court, afinal de contas, você deve aprender os costumes
fairy.
Eu sinto muito também — Eu disse. — E apenas difícil para mim — me acostumar
com tudo isso. Tudo isso é muito novo — e toda vez que eu me viro tem algum costume
que parece louco para mim. De onde eu vim, amor é... bem, você escuta o rádio e
todas as músicas são de amor. E aqui, é desaprovado! E visto como um sinal de
fraqueza! Tudo é tão... técnico aqui.
Eu achei seu mundo todo desconcertante — Kian disse. — Por um lado, suas
idéias de entretimento — um filme, eles chamam assim? E apenas em duas dimensões,
e você nem mesmo pode controlar os personagens!
Eu percebi que debaixo de seu aspecto rude ele estava tentando fazer uma piada.
Eu ri. Nós vamos lidar com isso — Eu disse para ele. — Não se preocupe.
Ele sorriu para mim. — Nós nunca iremos fazer as pazes entre as Cortes
Winter e Summer se primeiro não quebrarmos as pazes entre os fairies e os
humanos — ele disse. — Venha, vamos assinar um acordo entre nós.
Ele me levou para baixo, onde um suntuoso banquete nos esperava.
Eu pensei que iria ser mais fácil você me perdoar se eu preparasse um jantar —
Kian disse.
O delicioso cheiro de legumes assados e batatas defumadas entraram nas minhas
narinas.
E uma comida fairy tradicional — Kian disse. — Na Feyland, é tradicional os
homens cozinharem. Isso parece como uma apresentação simbólica da caça.
Eu decidi que tinham alguns costumes que eu preferia da Feyland depois de tudo.
Depois do jantar nós decidimos que Kian e eu iríamos nos esconder na cabana até
nós podermos avaliar melhor a situação e dizer se a Rainha Winter iria ou não ser
favorável a Convenção de Genebra.
Se tivesse mais comidas como aquelas na minha frente, esperar certamente não
iria ser tão difícil.
c a p í t u l o d e z e s s e i s
Kian e eu decidimos juntos que deveríamos aproveitar o máximo o tempo que
tivéssemos juntos, enquanto nós progredíamos pouco e Kian tentava conseguir alguma
indicação da Cortes Fairys. Ele tinha enviado uma carta, o papel enrolado em volta do
pé de uma pomba, para um de seus amigos mais próximo da corte fairy, perguntando-o
quais eram as circunstâncias na terra Winter e como a Rainha Winter planejava tratar a
Princesa Breena quando ela a encontrasse.
A carta, nós sabíamos, iria levar alguns dias para chegar, e enquanto isso eu pedi
para Kian me ensinar mais sobre os modos da Feyland.
Se eu tiver que lutar contra um pixie — eu disse — eu quero ter certeza que estarei
fazendo isso corretamente.
Aquele lance com o lustre foi muito impressionante — Kian disse. — Certamente é
um bom começo.
Aquilo foi pura sorte — Eu disse.
Bem — Kian disse. — Eu acho que nós primeiramente devemos começar falando
sobre a fonte de sua magia. Todos os fairys têm uma. Uma imagem, um pensamento,
um pedaço de música, um som que lhe permiti tocar a energia dentro de você. Quando
você fez aquela magnífica obra de teletransporte, no que você pensou quando fez?
Eu me lembrei da minha concentração no rosto de Kian, o sentimento de amor e
saudade que eu experimentei quando eu deixei o som da valsa fairy me inundar, e
contra eu mesma eu corei.
Eu não estava pensando em nada — Eu disse. — Apenas como sair fora viva —
apenas queria sobreviver, isso é tudo.
Não pode ser —- Kian disse. — A magia não funciona desse jeito. Você teve que
tocá-la de algum jeito.
Você irá rir — Eu disse. — Eu sei que irá!
Eu não irei rir de você — Kian prometeu. — Você tem minha palavra.
Bem — Eu comecei — Quando eu era pequena — na verdade, minha vida inteira,
até mesmo no meu aniversário de dezesseis anos no mundo mortal, eu sempre tive...
como eu posso dizer? Esse sonho. Esse sonho sobre a Summer Court. E você e eu
éramos crianças, então, rindo e dançando — nós aprendemos a valsa fairy, o que em
meu sonho —e eu sabia que era estúpido, Kian — ia tocar no nosso casamento.
Ele ficou pálido.
E sempre que eu tento tocar a magia, eu apenas penso naquela valsa fairy — e em
você, eu acho —- Eu acrescentei apressadamente, tentando engolir minhas palavras.
Meu rosto tinha ficado uma beterraba vermelha. — E de alguma forma eu sou capaz de
fazer qualquer mágica que eu precisar realizar. Talvez porque você me ensinou como a
magia funciona — Eu não sei. Eu não consigo ler nada nisso, isso é bobagem.
Ele agarrou minha mão.
Eu tive esse sonho muitas vezes, Breena — Kian disse. — Muitas vezes eu me
recusava a dormir enquanto me preparava para a batalha, pois eu sabia que aquele
sonho iria vir e me distrair da minha finalidade. Eu me lembro da valsa melhor do que
você pode pensar.
Ele começou a cantarolá-la — o som que eu conhecia, a música que tínhamos
compartilhado — sua voz era linda e melódica, ecoando através das paredes de pedra
da cabana.
E linda... — eu respirei.
Sim — ele disse. — é uma música de casamento. E a nossa música, Breena,
apenas sua e minha. Todo casamento de fairy tem uma música — ela é criada pela
união de dois fairies pretendentes. E essa música é nossa — criada a partir de nossas
almas. — Ele pressionou seus lábios em meus dedos, então levantou-se abruptamente,
envergonhado. — Isso é bom — ele disse — que você tenha uma fonte tão forte de
sua magia. Isso é perigoso — eu te disse que amor na magia frequentemente faz isso
— mas mesmo assim é uma força forte, se você conseguir usar isso corretamente.
Qual é sua fonte? — Eu perguntei.
Kian corou e olhou para longe.
Devemos continuar com a lição.
A primeira coisa que Kian me ensinou foi como usar uma espada. — Ela é pesada
— ele me avisou — Eu apenas tenho espada de homem aqui. As espadas de mulheres
são mais leves e mais ágeis. Nós temos fêmeas cavaleiras- guerreiras entre a corte
Winter, mas não tem nenhuma no momento.
Eu senti o peso do metal em minha mão.
Eu nunca fui muito boa em E.F., - Eu ri severamente enquanto eu traçava meus
dedos em baixo da lamina afiada. — Então, eu tenho que começar a trabalhar?
Você tem duas escolhas — ele disse. — Você pode manejar sua espada como um
homem do seu mundo faz — usando seu corpo, movendo a espada com suas mãos.
Ou você pode usar magia, ou a luta fairies da maneira mortal, superar a forma dos
fairys através da utilização da surpresa de uma boa simulação ou defesa dos mortais.
Mas eu te sugiro a começar com o modo mágico; uma mulher do seu tamanho pode ter
algumas dificuldades indo contra um pixie com apenas sua força para se sustentar. Eu
te sugiro em última instância aprender os dois modos, entretanto; Como uma Halfling,
você deveria fazer uso de ambas às metades de seus talentos.
Eu fechei meus olhos e apertei o cabo da espada, solicitando que ela se movesse,
sacudisse e me protegesse.
Estabeleça um vínculo com a espada — Kian disse. — Ela deve querer te
proteger. Se ela não gostar de você, você pode se encontrar em más bocas e cair
sobre ela.
Parece perigoso — Eu disse, olhando minha espada com cautela.
Magia é perigosa — Kian disse, e encolheu os ombros. — Vá em frente agora,
tente e lute comigo.
Eu não poderia fazer a espada atacar Kian mesmo se tentasse. Ela ticou hesitante
nas minhas mãos.
Não é justo -— Eu disse. -— Como eu estou suposta a tentar te machucar?
Você não vai me machucar — ele disse, segurando sua espada. — Sem
desrespeito, minha Princesa, Mas eu tenho sido treinado como um soldado por muitos
anos fairy. Pense nisso como um desafio. Quem perder a batalha terá que fazer a janta
hoje à noite!
Eu pensei no suntuoso banquete que Kian tinha preparado para mim na noite
anterior e minha boca salivou. E então uma imagem, porem fugaz, de Logan
preparando tortilhas no balcão da minha brilhou em minha mente — tão despreocupado
e feliz que ele sempre tinha sido, e nos dias que estivemos tão perto, tão íntimos!
Como eu poderia quase já o ter esquecido? Lágrimas queimaram meus olhos, enquanto
eu me lembrava de sua morte, daquela batalha final climática. Se eu tivesse sido capaz
de lutar, então, então talvez Logan ainda poderia estar vivo, ainda estar aqui...
A espada saltou da minha mão, poderosa e acalorada, voando para o escudo de
Kian.
Ele jogou a espada para fora de sua mão com um ruído alto; ele olhava para mim,
chocado. Ele não tinha esperado que eu golpeasse tão bem; ele não tinha se
incomodado em estar em sua guarda.
Tudo isso por um bom jantar? — ele disse, com um sorriso fraco.
As lágrimas permaneciam em meus olhos.
Logan... — Eu sussurrei.
Seu rosto escureceu. Por um momento ele quase parecia com raiva. Certamente
houve uma pitada de ciúmes que passou através de seu magnífico rosto. Então ele veio
para mim e me acolheu em seus braços, sussurrando meu nome de novo e de novo em
meu cabelo.
Ele morreu como um herói — Kian disse, porque era a única coisa confortante que
ele sabia para dizer.
Mas ele morreu. — eu sibilei.
Meu compromisso em aprender autodefesa aumentou dez vezes. Nós aprendemos
esgrima e tiro com arco, a montar um cavalo (Me lembrei, eu agarrada nas costas de
Logan quando ele estava na forma de lobo e isso me trouxe lágrimas aos meus olhos),
duelos mágicos, e outras atividades, quebrando os esforços físicos com conversas
sobre a História Fey e o conhecimento da Feyland. Kian pegou seus velhos livros
acadêmicos da época que ele tinha sido orientado por um velho professor de sua raça.
Eu nunca gostei muito deles — ele disse, contudo eu os devorei — as genealogias
maçantes e as discussões sobre as políticas fairy como as emocionantes historias
sobre criaturas míticas que ultrapassaram qualquer coisa em Cansnbon’s Mythology.
E todas as noites, eu adormecia nos braços de Kian e acordava com seu beijo de
manhã. Ele segurava meu rosto em suas mãos, gentilmente como se ele nunca
quisesse que nossos momentos juntos acabassem.
Por necessidade nós silenciávamos nosso romance, subsumindo nos dias de
esgrima, equitação e de estudo, sabendo que nós não tínhamos tempo para nada mais
do que um beijo roubado e casto entre todas as lições. Mas quando eu dormia, eu
sentia o calor de seus braços ao meu redor, e eu desejava, em alguma parte profunda
de mim, que a resposta de sua carta pudesse ser atrasada apenas um pouco mais.
c a p í t u l o d e z e s s e t e
O tempo passou lentamente naqueles dias — lentamente, mas lindamente. Kian e
eu passávamos do amanhecer ao anoitecer juntos, me ajudando a me tornar a melhor
rainha fairy que eu poderia ser. As coisas que aprendíamos juntos eram do tipo que
mesmo os meus sonhos mais frenéticos de volta na minha casa em Gregory, Oregon,
nunca poderia ter imaginado. Eu aprendi a como lutar, é claro, guiar minha espada,
punhal ou até mesmo arco e flecha dentro do coração de um inimigo. Eu aprendi a ficar
invisível, apenas para reaparecer momentos depois em algum canto escondido. Eu
aprendi a tratar o próprio ar como se fosse terra, pisando em nuvens e neblinas, e até
mesmo nas brisas claras, correndo e pulando no ar. Eu aprendi, também, alguns
poderes especiais — maneiras em que até eu mesma superava a Kian. Como uma
Princesa Summer, eu descobri que eu tinha uma afinidade especial com o sol; quando
eu me concentrava, eu me encontrava capaz de bloquear o poder da grande esfera
dourada em si mesma — a radiar energia, me tornando como o próprio sol, crescendo
com poder e magia. Esses poderes percorreram sobre mim; uma vez que eu os
aprendi, pareceram como se eu sempre soubesse sobre eles, eles sempre tossem
parte de mim — eu apenas não tinha percebido isso ainda.
Kian, por sua vez, estava extraordinariamente orgulhoso de mim; seu nariz pálido
ártico ticava fracamente rosa de prazer sempre que eu me encontrava capaz de o
derrotar em um jogo de inteligência mágica — correr rápido, provar a mim mesma que
era forte. Ele era, é claro, de longe mais experiente do que eu era, mas eu ticava muito
contente em cada pequena vitória sobre ele, e com o tempo que comecei a marcar
cada vez mais pontos, até Kian dispensar com desvantagens e completamente com
“sorte de iniciante” e começou a se esforçar seriamente para manter a liderança que
ele ocupava tão facilmente nos primeiros dias dos meus treinamentos mágicos.
Eu não sei dizer quanto tempo ticamos na cabana; Parecia, nesses dias
maravilhosos, como uma eternidade. O tempo parou no lugar ou passava lentamente —
como uma mulher dançando uma suave valsa — e nada parecia real fora do mundo da
magia fairy que nós tínhamos criado. Até mesmo a dor da morte de Logan — como um
caroço no meu peito — suavizou depois de um tempo; enquanto eu trabalhava no reino
da magia, eu comecei a sentir que uma parte de Logan — o que quer que ele foi — era
de alguma forma parte desses vários rituais antigos, que seu amor e nobreza não
foram perdidos com sua destruição pelas mãos do Rei Pixie Delano, mas ao invés
absorvida de algum jeito no grande e maravilhoso mundo que eu estava aprendendo
muito.
Uma manhã eu decidir colocar meu treinamento em prática e fui caçar veado para
o almoço do dia — uma surpresa para Kian, e uma que eu tinha certeza de que iria
solidificar meu status como sua igual em magia. Ele tinha me ensinado a distinguir entre
os veados que eram para comer e aqueles que eram para serem deixados como
mágica igual, para pegar o veado que eu tinha caçado e participar da magia que
permitiu que a flecha acerta-se o veado, o veado voluntariamente desistia de sua vida
como parte do ciclo do nascimento, morte e renovação. Eu tive certeza que o veado
seria insuficiente comparado com as raras opções de Kian que foi capaz de trazer para
baixo e cozinhar com tal habilidade, contudo eu queria fazer alguma coisa para
contribuir com a vidinha que estávamos construindo juntos na cabana.
Eu fiquei agachada e escondida dentro do mato, esperando um rebanho de veado
passarem por mim. O sol estava brilhando e dourado no céu; o atestava fresco,
delicioso e puro. Eu podia sentir o morno calor da tarde formigando confortavelmente
nas minhas costas. Era um dia perfeito.
Logo eu capturei vislumbre de um rebanho correndo, zumbindo com agilidade
graciosa atrás da floresta. Eu me concentrei, mordendo os meus lábios como sempre
fazia, e apontei minha flecha diretamente através de uma das formas marrons peludas
passando por mim.
Eu tencionei meu braço contra o arco, me lembrando do meu treinamento físico
tanto quanto do meu treinamento mágico, e deixei a flecha voar.
E então senti a flecha acertar minha panturrilha.
Eu estremeci confusa apesar da dor. Eu tinha atirado para longe de mim... O que
aconteceu?
Eu ouvi outro som, um zumbido de uma flecha através do ar, e por pouco a flecha
não me acertara.
Perigo.
Eu olhei em volta. Lá, na distância, tinha cavaleiros cavalgando nas costas de seus
cavalos, cada um mais bonito que o outro, mais esplêndido do que o próximo. Eles
carregavam arcos dourados com eles — mas nem tanto como as fivelas sob o peso
das coisas pedras-incrustantes. Eles pareciam irradiar brilho dourado enquanto eles
trotavam em minha direção, nobres e retos em seus cavalos. Eu os conhecia pelas
armaduras que eles vestiam — o metal laranja e dourado — mas eu os teria
reconhecido mesmo se eles tivessem vestindo roupas humanas, tão brilhantes e fortes
eram suas condutas. Eles eram meus cavaleiros — cavaleiros da Summer Court.
Pensando na flecha em meu calcanhar deveria ter sido um acidente, um desvio de
caça, eu olhei para cima, focando minha magia em silenciar a dor vinda da minha perna.
Esses eram meus homens — talvez aqui para me resgatar! Eu poderia explicar; tudo
iria se encaixar no final.
E então dois homens agarraram meu braço e os torceram em volta, duramente.
O que vocês estão fazendo? — Eu perguntei.
Você está presa — latiu um dos homens. Eles começaram a amarrar minhas mãos
atrás das minhas costas com correntes fairy, o ouro cravando na minha carne.
Eu sou a Princesa Breena da Fairy Corte; — eu disse, na minha melhor voz
imperial. — Me solte de uma vez! Eu tive esperando a Corte Summer vir me achar.
Nós sabemos exatamente quem você é — disse o outro homem, e meu coração
afundou.
O que vocês estão fazendo? Não conseguem ver que eu sou uma princesa? — eu
quase gritei para ele.
Temo que estamos apenas seguindo ordens, Alteza — disse um dos cavaleiros. —
Nós respondemos a Rainha Summer, e ela colocou um mandato para sua prisão.
Para o que? — Eu perguntei de repente me perguntando se o que Kian e eu
estivemos fazendo ia me deixar em problemas na corte. — Eu não fiz nada de errado;
Eu fui sequestrada.
Você entrou no reino fairy depois de ser banida — disse o cavaleiro.
A questão toda do exílio é que você ficou no Rio de Cristal; a segunda é que você
voltou e você violou as leis fairy.
O que? — Isso era novo para mim, e confuso. — Mas eu não vim aqui, de qualquer
jeito; Eu fui sequestrada...
Eu parei de falar imediatamente, percebendo meu engano. A última coisa que eu
queria era acordar Kian por alguns cavaleiros fairy mais com um pedaço de sua
cabeça, também?
Fale isso com a Rainha no castelo fairy — Disse o guarda. — Você irá ter muitas
chances de falar no tribunal — ele disse, com uma gargalhada que me deu umas
vagarosas dúvidas sobre a justiça e eficácia do sistema judicial fairy.
E com aquilo eles me empurraram para cima de seus cavalos e começaram a me
levar para longe.
Eu tentei chamar por Kian, usando magia, tentando abrir a porta entre nossas duas
mentes.
Eu me concentrei em seu rosto com toda minha energia, espremendo meus olhos
fechados.
Kian, eu chamei, Kian.
E então eu arfei. Por um momento eu senti como se estivesse dentro da cabeça de
Kian, sentindo o que ele sente, experimentando o que ele experimentava. E Kian estava
acordando para encontrar vários punhais fairy apontados para sua garganta. Essas
eram criaturas frias e assustadoras — Cavaleiros Winter — seus próprios homens!
Flynn, com uma carranca, era o chefe deles.
Nós estamos sob ordens de te levar para a Corte Winter imediatamente — Flynn
disse, pressionando o punhal na garganta de Kian; eu podia sentir a sua ponta como se
fosse em mim.
Eu pude sentir Kian procurando sua espada; o punhal foi pressionado mais fundo.
Nós temos ordens de te matar se você resistir — Flynn disse. — A Rainha Winter
está muito descontente com suas ações.
Bree.. — Eu pude ouvir ele chamar, e meu coração chamou ele em resposta.
Sim, a garota — Flynn disse. — Não precisamos mais dela viva.
Eu pude sentir a dor no peito de Kian enquanto meus cavaleiros fairy me levavam
para longe. Ele estava muito mais preocupado comigo do que com seu bem-estar. —
Breena! — Ele gritou de novo, seus olhos correndo pela sala, freneticamente me
procurando.
Todos teus chamados não vão a trazer de volta — Flynn disse.
Os olhos de Kian se arregalaram, e seu rosto ficou vermelho com furia.
Se tanto você... — Ele começou, parou-se. Ele espremeu suas mãos em um
punho. Eu pude sentir sua angustia, seu medo por mim, sua tristeza se o pior tivesse
acontecido comigo.
As sobrancelhas de Flynn levemente arquearam. — Então, temos que chegar a
isso? O nosso coroado príncipe venerado foi sucumbido aos seus sentimentos pela
prisioneira da Rainha? Todos os cavaleiros sabem que uma vez ela foi sua prometida.
Por que isso seria trai...
Kian olhou para baixo. Todos os sentimentos, todo o amor que ele tinha por mim se
moveu pra o centro quando ele pensou em qualquer dano que poderia ter acontecido
comigo. Finalmente, ele olhou para cima, se firmando, acalmando sua mente, seu
coração. — Ela é a prisioneira da Rainha Winter — ele disse. — Eu arrisquei a vida e o
meu corpo para encontrá-la e a trazer para a Rainha. Não seja estúpido, Flynn. Você
acha que eu iria trair minha Irmã tão prontamente? Onde a Breena está?
Flynn foi pego de surpresa como se ele estivesse confuso com a resposta de Kian.
— Ela não pode ser encontrada aqui — ele disse. -— Nós temos um prisioneiro bem
melhor em seu lugar. Enquanto a Corte Fairy está em conflito, ela é um jogo justo para
os caçadores de recompensa agora.
Eu pude sentir o choque e a surpresa na mente de Kian. Eu pude sentir sua lástima
por não poder confessar verdadeiramente seu amor por mim, que ele tinha que
esconder isso, o suprimir, evitar que o amor governasse sua lógica, como ele tentando
suprimir o mesmo sonho que eu sempre tive sobre Kian e eu na Corte Summer,
dançando nossa valsa fairy, nossa alma e destino entrelaçados.
Eu fechei meus olhos, desejando que as lágrimas não caíssem, e entre minhas
lágrimas eu senti uma confusão terrível. Quem esse outro prisioneiro poderia ser? E o
que iria acontecer a todos nós?
c a p í t u l o d e z o i t o
Os guardas me escoltaram para o Palácio Summer. Não era nada como eu me
lembrava. Os parapeitos e as torres uma vez tinham sido meus esconderijos; Eu
lembrava, de relance na minha mente, do ouro suave e derretido dos degraus e
corrimões, as lindas tapeçarias luxuosas e quentes sobre a pedra branca. Agora, o
palácio ainda era quente — era o Palácio Summer, afinal de contas — mas esse calor
era como uma chama branco-quente, ou uma brasa queimando — remota, misteriosa e
finalmente assustadora. Não era um calor que eu gostava; Ao invés, eu me senti
ficando cada vez mais quente enquanto eu entrava, como se eu estivesse andando
inadvertidamente para dentro de uma fornalha; meu rosto suava e ficava cada vez mais
vermelho, e eu comecei a cambalear. Eu mantive minha cabeça erguida tanto como eu
podia, concentrando toda a minha força na tarefa que estava por vim. Eu tinha que
descobrir o que estava acontecendo, ver a Rainha Summer olho por olho, e tentar
compreender o que eu tinha feito, nos brilhantes dias da minha infância que
possivelmente poderia ter me banido da Corte. Eu — uma princesa!
A vida era estranha aqui no reino fairy, eu pensei. Uma princesa poderia ser banida
de sua própria corte; uma Rainha poderia ameaçar seu próprio filho, um príncipe fairy,
a morte! Aqui tinha sido tão lindo nos meus sonhos, esse lugar, mas desde o meu
retorno eu não poderia não sentir que as cidades e as florestas eram muito novas,
muito aterrorizantes. Não era a fairyland que eu me lembrava dos meus sonhos. Era um
lugar sombrio.
Os guardas me escoltaram para dentro e eu a vi sentada no trono feito de colunas
douradas, com rubis incrustados em toda a escultura. Eu tinha sonhado muitas vezes
com a Corte Summer, mas eu nunca tinha sonhado com ela em qualquer uma das
noites. No entanto, eu a reconheci; minha magia encontrou e a respondeu. Como não
poderia? Sua magia era avassaladora. Seu cabelo era tão comprido e dourado que
eram quase branco, suas tranças caiam em seu colo e ao lado de seu assento,
emaranhando uns nos outros. Seus olhos eram um marrom morno — como a cor de
canela — salpicado com dourado, olhos que eu podia ver que estavam fixos em mim
com interesse predatório enquanto eu entrava. Ela vestia um longo vestido leve de
veludo vermelho justo; apenas acentuava sua pele profunda e incandescente. Ela era
bonita; ela também era terrível. Ela era a Rainha Summer
Ela era uma governanta venerável; do momento em que eu entrei eu sabia que era
ela quem mandava na Corte Summer; ela exalava poder da barra de sua pesada saia
até a coroa que ela usava em cima de sua cabeça.
Então — ela disse. — Estamos aqui finalmente, não estamos? — ela sorriu e não
era um sorriso amigo. — Você lembra de mim, Breena?
Eu sacudi minha cabeça, ainda horrorizada pelo poder dessa figura impetuosa.
Ela riu, e sua risada ecoou através das paredes do castelo. — E pensar — ela
disse — que teve um tempo que você costumava correr aqui, coberta por flores fairy e
água de uma das fontes do jardim, corria e me abraçava. Você se lembra do que você
costumava me chamar, Breena?
Eu sacudi minha cabeça novamente.
Rainha mãe, você me chamava. Rainha mãe. — Ela colocou o assunto de lado. —
E agora você não se lembra de mim! Eu não estou surpresa, do jeito como sua mãe te
trouxe. E claro, é preciso fazer concessões para concubinas.
Eu fiquei avermelhada.
Por favor, Sua Alteza — Eu comecei minha voz tremendo enquanto eu senti aquele
“Rainha mãe” poderia ter feito o efeito contrário ao desejado.
Onde está... — Eu queria perguntar pelo Rei; as palavras se remodelaram em
minha boca. — ... meu pai?
Ela zombou.
Lá fora no Rio de cristal em algum lugar — ela disse ironicamente, sua voz cheia
de desprezo. — Em seu reino. Se divertindo com uma ou outra empregada doméstica
daquele lado do universo — ele tem uma grande fraqueza por mulheres mortais! E
realmente doentio!
Ele está no mundo mortal? — Eu repeti — Por quê?
Eu não me importo quem ela é — a rainha Summer disse. — tanto que seu nome
não seja Raine — isso é tudo o que me importo. Ele pode ter sua diversão — mas ele
sacrificaria a Corte Summer Inteira por aquela mulher! E eu não posso deixar isso
acontecer.
Ele está com outra mulher? — Eu perguntei.
Enquanto eu fui deixada para governar um país e uma grande guerra sozinha. —
Ela sorriu. — Tudo por mim mesma — você pode acreditar nisso? Você vê o que eu
tenho que aturar!
Eu não pude não sentir pena dela. Eu tinha visto o que a guerra fairy tinha feito
para a Feyland; Eu não gostaria de sua posição para o mundo.
Típicos dos homens — ela disse, e então se lembrou que eu estava lá. —- Muito
bem, então Breena — Ela continuou — Você colocou todos nós em um grande estado.
Você sempre foi uma fazedora de encrencas. Eu me lembro do quão suja você
costumava ficar —você costumava correr e brincar de esconde-esconde e os
funcionários tinham que gastar seus tempos tentando te pegar.
Eu pensei no meu pai na Feyland. Eu não podia acreditar no que a Rainha Summer
estava falando — que ele estava lá no mundo mortal apenas para olhar as mulheres
mortais. Não, ele era meu pai, afinal de contas, mesmo se eu não o conhecesse. Ele
deveria estar procurando minha mãe, tentando desesperadamente nos avisar do
perigo...
Você esta começando a parecer uma jovem dama de boa aparência, eu devo
admitir — ela disse. — Embora isso doa em mim dizer. Um pouco como sua mãe
quando ela era jovem. — Ela suspirou, profundamente. — Ela era apenas um pouco
mais velha que você quando ela conheceu meu mando. E como ele se apaixonou por
ela! Eu nunca vi nada como isso! As outras ele escondia, ele era discreto nisso. Mas
não com ela! Ele insistiu que ela deveria ficar perto dele todas às vezes, que ele tinha
que deixá-la na corte, você vê, na minha Corte, e que sua criança iria herdar... ah, bem,
mas essa é minha maldição, você vê, tanto como a maldição de tantos fairies
poderosos. Todas nós somos estéreis, estéril como as árvores da Corte Winter. E
então nossa Corte teve que se contentar com os Halflings como você.
Não é necessário que eu tale que eu não aprecio o barulho de crianças brincando
na Corte — enquanto durou. Você e a criança Winter correndo indisciplinadamente
enquanto seu pai brincava com vocês como a criança que ele era! Mas isso não
importa, então. Não tinha guerra, então, não até sermos atacados...
Atacados? — Eu perguntei.
A Corte Winter — ela disse — nos enviou uma armadilha. Traidores.
Sua boca e seus olhos contorcidos em desgosto. — Mas eu a culpo. Você,
criança, tem sido um problema para nós desde o dia que nasceu — você e sua mãe,
com sua magia, atraindo problemas em todos os lugares que você ia! Eu sabia que
você tinha uma magia poderosa — desde quando você era uma criança. Eu vi um
kewpie{14} tentando entrar em seu berço uma vez; com seis meses de idade você foi
capaz de afastá-lo. E normalmente é preciso de dois homens crescidos para fazer isso!
O perigo irá te seguir onde você for, você e seu tipo. Pelo menos eu fiz seu pai ser
sentido. Ele não queria, é claro, mas finalmente eu persuadir seu pai a banir ambas
vocês pelo bem de todo esse reino.
Meu pai tinha concordado em me enviar embora? Meus olhos encheram de
lágrimas. Como eu poderia ser perigosa? O que eu tinha feito? E era apenas um bebê!
A vida no país fairy estava começando a ficar cada vez mais estranha.
c a p i t u l o d e z e n o v e
Quando a Rainha Summer terminou de falar, ela foi interrompida pela chegada de
um mensageiro. Ele era uma criatura dourada e magra — um pequeno menino fairy
escudeiro com olhos como do sol de verão, vestindo uma longa túnica escarlate. Eu
tentei usar o tempo que ele sussurrava no ouvido dela para reunir meus pensamentos.
Eu estava nervosa, é claro — absolutamente aterrorizada! — mas, além disso, eu
estava preocupada comigo. O que eu poderia ter feito, eu pensei? O que eu tinha feito
que era tão errado, tão perverso, tão perigoso que meu próprio pai me mandou para
longe além do Rio de Cristal — e minha mãe, também? Eu, a fairy Rainha tinha falado,
fazia confusão aonde eu ia — isso perseguia meus passos. Ela estava certa? Eu
pensei no Rei Pixie, em Kian, em Logan (E um caroço cresceu na minha garganta
quando eu pensei em Logan) e uma vez eu não tinha certeza se eu poderia negar isso.
A Rainha olhou para cima enquanto o escudeiro saia. Seu comportamento era
inexpressivo, o rosto de mármore da rainha carregava um segredo de estado. — Bem
— ela disse. — Parece que em breve teremos uma visitante aqui na Corte Summer,
Breena. O que você acha disso?
Eu — Eu não sei Sua alteza — Eu gaguejei.
Ela deu um sorriso tímido. — A Corte Winter nos enviou uma carta.
O que ela diz? — Eu perguntei muito ansiosa, pensando em Kian.
Bem — ela disse — Deixe-me te dizer o que ela diz. Me oferece um acordo muito
interessante. E eu estou curiosa — princesa — eu devo aceitar?
O que é?
Uma troca de prisioneiros — ela disse. — Interessante de fato. A Corte Winter tem
alguém muito intrigante que eles têm para me oferecer em troca da Princesa abatida lá
em baixo no calabouço. Eles dizem que será uma troca pacífica...
Eu pensei em Kian, nas nossas noites e dias juntos na cabana, e desejei que ele
estivesse aqui comigo, falando em paz, em esperança. Nós tínhamos nos prometido
que iríamos achar algum jeito, de alguma forma, de trazer paz entre os dois reinos;
tendo visto a ferocidade severa da Corte Summer, meu coração esperançoso tinha
afundado lentamente. Quão tola eu tinha sido em pensar que eu — uma simples garota
de dezesseis anos — poderia lutar batalhas em centenas da historia fairy. Eu engoli em
seco.
Quem é o prisioneiro? — Eu perguntei.
Engraçado eu devo dizer — disse a Rainha Summer. — Vamos ver.
Sua voz era como mel coagulado; isso ficou preso em sua garganta. — Sua
opinião nisso irá indubitavelmente será muito, muito divertida. Você vê o prisioneiro que
a Corte Winter quer é a sua filha mais velha, Shasta. Talvez você lembre dela! Vocês
brincavam uma com a outra quando vocês duas eram crianças, e nós não estávamos
em guerra com a Corte Winter.
E o outro prisioneiro? — Eu disse cautelosamente. Eu tinha sido uma vez o outro
prisioneiro; quem mais poderia ser?
Os lábios da Rainha Summer se fecharam em um sorriso. — Sua mãe — ela disse.
Eu arfei. Minha mãe! Eu pensei em sua sumida misteriosa na manhã do meu
aniversário — isso parecia muito tempo atrás! — e minha garganta se apertou. O que
eles iriam fazer com ela? Ela era minha mãe — minha protetora — a idéia de que
qualquer coisa poderia acontecer com ela ainda era impensável para mim.
Agora, eu não me importo nem um pouco com sua mãe. Ela não é nada além de
uma perigosa concubina — a Corte Winter pode a ter por tudo que me importa! Mas
tem um problema. — Ela me espiou. — Seu pobre pai. Enquanto a concubina favorita
do Rei Summer estiver na Corte Winter, eles têm uma grande espera de nós —você
sabe que ele lutaria com cem mil pixies para tê-la, muito menos fairies Winter. E se a
Corte Winter tiver ele, bem... eu tenho reinado esse país por muitos anos — mas reinar
sem nem mesmo a aparência de um rei do meu lado! Mas as fairies Summer amam
seu rei e não vão resistir a nenhuma realeza Summer ser prisioneira da Corte Winter.
Eles vêm em paz, eles dizem, mas eu não confio neles. Nós confiamos neles anos atrás
quando nós permitimos a Corte Winter nos visitar, apenas para sermos traídos e
enganados, atacados em nosso próprio palácio. Foi isso que começou essa guerra.
Agora, Breena — Ela continuou. — Você se acha no direito de tomar meu lugar
algum dia, não acha? E claro que acha. Você vê ser uma rainha exige muita capacidade
e inteligência, mais força para fazer a coisa certa para seu povo, e mais força mortal
do que você imagina. Uma rainha deve ser uma equação igual à de um rei (no meu
caso, ainda mais forte) por causa do enorme destino que uma rainha controla por
muitos. E uma rainha deve estar disposta em sacrificar sua vida, e seus sonhos por seu
remo. Então por que você não me da sua resposta para esse... Enigma? O que você
faria? Agora seja cuidadosa! Eu ainda sou a Rainha, e se eu não gostar de sua
resposta, eu posso te enviar para o terrível calabouço. Você será a comida para os
ratos lá — se você for sortuda.
Eu fiquei mole diante dela, minha mente girando através dos séculos de historia
fairy, aprendizagens fairy, tentando desesperadamente pensar em o que fazer...
e p í l o g o
Um sonho, febril e aterrorizante, vinha para mim uma e outra vez.
Um calabouço, úmido e mofado, com paredes de pedras e barulhos de ratos em
volta da palha. Um cheiro horrível — praga, pus, agonia. Sem luz exceto pelas tochas
na parede, o brilho nos olhos dos guardas. Guardas Pixie. Alguns deles reconhecíveis
— esses eram os homens de Delano. Frios. Feios. Terríveis.
Uma figura, deitado no meio do chão, grande e pesado, coberto com muito sangue
que eu não conseguia ver os pelos ou a figura abaixo. Um grito de terror. Um grito de
dor. Uma vez e outra até eu pensar que eu irei acordar com suor.
A lenta trilha da inanição. Pavor.
Uma voz Pixie. — Você sabe, eu acho que estaremos fazendo um favor para ele
por acabar com isso.
Um baixo gemido da figura.
É muita tortura para um do tipo deles aguentar. Eventualmente eles ficam loucos, e
então perdem todos os pelos.
Uma voz, estridente e lúgubre. Era a voz de Delano; eu a reconheci por sua
crueldade.
Oh, não — Delano disse. — Não ainda. Não podemos o matar. Além do mais,
quando a Princesa Breena ouvir que seu lobisomem ainda esta vivo
o que ela saberá, nada a impedirá de voltar aqui para buscá-lo.
E então nada me impedirá.
Fim
{1} Pixie - Duende
{2} Goblins são criaturas geralmente verdes que se assemelham a duendes. Fazem
parte do folclore nórdico, nas lendas eles vivem fazendo brincadeiras de mau gosto.
{3} Termo utilizado para crianças que passam o dia inteiro em creche.
{4} Love Shack - Tradução seria algo como cabana do amor.
{5} Caroneiro - São aquelas pessoas que ficam na beira da estrada pedindo carona.
{6} Tortilha Bread - Veja imagem em: http://www.faqs.org/photodict/
photofiles/list/5267/6921tortilla_flat_bread.jpg
{7} Caramel latte - veja imagem em:
http://l.bp.blogspot.com/iJZdxmQREol/SbK2H(HXfql/AAAAAAAAAiE/B5oPYaJHmmc/s400/lceCaramelLatte.{8} Bem, no livro estava Female Empowerment classes, Empowerment é algo que
você se equipa ou que promove habilidades, então achei melhor traduzir dessa forma...
{9} Halfling é outro nome para Hobbit que J.R.R. Tolkien criou.
{10} Educação Física
{11} Em inglês Model United Nations é uma simulação acadêmica das Nações Unidas
que tinha como objetivo educar os participantes sobre a educação cívica, comunicação
eficaz, globalização e diplomacia multilateral.
{12} Autumn - Outono; Spring - Primavera.
{13} Wintry - significa de inverno, frio, gelado, glacial.
{14} Semelhante a um cupido.

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